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Del 1. Normerte boligstandarders rolle i en markedspreget

1.1. Bruk av normer i beskrivelse og evaluering av boforhold

Neste momento, nos aproximamos do cerne da ideia da Trimembração Social. O autor explica que as três áreas – economia, vida cultural e setor público- jurídico – devem ser autônomas, separadas entre si. Qualquer intromissão de uma área em outra deve ser avaliada de maneira criteriosa, não esquecendo que se trata de partes de um organismo, o que equivale dizer que, deve haver uma integração superior, holística e não fragmentada.

Características da Situação Atual.

Essas três grandes áreas do organismo social se inter-relacionam e se autodesrespeitam, pois Lanz (1990) afirma que não existe nada mais cínico do que o discurso de respeito a uma prática que não acontece na Sociedade atual e que viola de maneira generalizada o princípio da Trimembração.

De certa forma, pode-se entender a sociedade atual como enferma, em parte pela intransigência de um “Estado” cada vez mais poderoso e, em parte, por uma obsessão pela importância da “Economia” (do setor econômico de forma geral). Isso em detrimento da “Cultura”, que é considerada uma área secundária e, por vezes, caída no esquecimento.

De maneira concreta, podemos entender algumas interferências entre as três grandes áreas, como apresentamos a seguir, por meio de alguns exemplos:

O Estado intromete-se na Cultura:

Sobre essa interferência, o autor exemplifica com o ensino público, seja ele um monopólio ou não. A relação que se estabelece entre o docente e o aluno é essencialmente uma relação humana, e deveria ser fruto de uma escolha pessoal. Por parte do docente, essa opção deveria surgir de uma verdadeira vocação, e, para tal, seria necessária a plena liberdade, por um modelo pedagógico escolhido por ambas as partes. No entanto, funcionários públicos são obrigados a se sujeitar a um método, a transmitir determinados conteúdos, porque estão submetidos a uma disciplina hierárquica e estão sujeitos economicamente.

Dessa forma, fica mais difícil manter o “idealismo”, necessário à prática de sua profissão; por outro lado, o Estado sofre a tentação de manipular a opinião e a formação dos jovens de maneira a servir aos seus próprios interesses.

Por mais apto que o Estado pareça, não cabe a ele subvencionar o ensino, a ciência e a arte, ou, de forma negativa, exercer qualquer censura. Qualquer tentativa de manipular a opinião pública pelos meios da massa deveria ser excluída.

Na opinião do autor, a seguridade social não funciona em nenhum país a contento e, da mesma forma, o amparo a pessoas idosas e inválidas. Essas iniciativas caberiam ao setor cultural, ao passo que somente os recursos financeiros deveriam advir do setor econômico.

O autor, para concluir sua crítica, afirma que essa intervenção estatal é responsável pelo anonimato, pela massificação e por certa desumanização das relações, já que, infelizmente, a manipulação da opinião pública de acordo com os interesses do governo é uma realidade da época atual.

O Estado intromete-se na Economia:

Refere-se às situações em que o Estado intervém na vida econômica, por meio de medidas reguladoras, disciplinadoras, protecionistas, entre outras.

Para o autor, o Estado é um péssimo empresário em todas as partes do Mundo. Faltam ao funcionário público o comprometimento pessoal e a iniciativa, uma vez que esse tipo de funcionário não sofre as consequências de uma má administração. O contribuinte e a comunidade são aqueles que arcam com qualquer forma de ineficiência. Nos países em desenvolvimento o governo tem uma função de extrema importância, a de prover uma educação de qualidade e gratuita aos seus jovens.

A Economia intromete-se na Cultura:

Embora as aspirações culturais devessem ficar à parte dos interesses econômicos. O autor cita a comercialização dos meios de massa (rádio, televisão, revistas) como meios de comunicação utilizados para a manipulação da opinião pública.

Outro desvirtuamento seria o fomento à pesquisa científica por empresas, que têm como objetivo aumentar o seu lucro. Deveria ser papel do setor cultural, a direção de qualquer pesquisa, com a devida contribuição da indústria, com a sua rica experiência prática.

A Economia intromete-se na Política:

Trata-se de uma intromissão que, ao ver do autor, é nefasta, porque corrompe a integridade de toda a estrutura política e jurídica, submetendo-as a interesses pessoais e egoístas. Um exemplo típico dessa intromissão pode ser descrito com algumas campanhas eleitorais e esse é um tráfico de influências impune e aberto à corrupção. Outro exemplo é que pode haver pressões econômicas, por parte de grupos com o intuito de conseguir uma legislação que os favoreça.

Intromissão da Cultura em assuntos políticos ou econômicos:

Representam casos menos frequentes, pois as diversas áreas da vida cultural são, geralmente, carentes de recursos. O exemplo poderia ser o de um partido político, de grupos de orientação religiosa ou ecológica como, por exemplo,

os judeus ortodoxos que possuem no parlamento de Israel um poder desproporcional, em relação aos demais partidos. Também, poder-se-ia imaginar uma campanha de fanáticos que se colocassem contra determinadas mercadorias ou marcas de produtos e se mostrassem irredutíveis no seu posicionamento.

O autor afirma que a História é repleta de exemplos de regimes de favores ou de perseguições como, por exemplo, os regimes totalitários, que causaram consequências desastrosas às estruturas sociopolíticas e injustiças econômicas que foram contra os direitos humanos e civis.

Para finalizar essa discussão, Lanz (1990) aponta como as duas maiores aberrações da nossa época, a onipotência do Estado e o liberalismo na área econômica e faz esclarecimentos adicionais sobre elas:

Onipotência do Estado.

O autor começa sua reflexão enfatizando não ser possível afirmar que a situação atual tenha sido provocada por indolência das pessoas, ou por astúcia de grupos com interesses escusos ou, ainda, por sede de poder por parte dos políticos que nos levaram ao cenário presente. Lanz menciona que essa situação foi criada, provavelmente, da junção desses três fatores.

Para o autor, há uma preguiça mental por parte de muitos indivíduos, que conseguem conquistas ligadas à cidadania. Depois de conquistadas, abdicam dos seus direitos e se reduzem ao papel de “gado eleitoral", que se caracteriza pela inconsciência e indiferença. Situação agravada, ainda mais, pelo despreparo e pela ignorância de muitas pessoas, incapazes de exercer tais direitos. Para que a Democracia manifeste-se, de fato, é necessária a participação ativa e consciente por parte das pessoas e não somente um conjunto de direitos.

Grupos de interesses diversos e indivíduos egoístas encontram no "Governo" um aliado poderoso e conivente, para alcançar seus objetivos. Esses indivíduos consideram fazer política um negócio regido por pessoas que nem sempre são ou serão virtuosas.

A sede por poder, em todas as instâncias, pode ser uma herança dos regimes totalitários, absolutistas ou oligárquicos do passado.

Espera-se do Governo a solução para todos os problemas sociais como, por exemplo, a assistência previdenciária na velhice, a garantia de bons lucros aos produtores, produtos mais baratos aos consumidores, a resolução dos impasses

ecológicos e demais carências da Sociedade. O cidadão espera que tudo funcione a contento, que ele não seja incomodado. Há exceção de poucos abnegados idealistas que lutam por seus ideais e que também estão presentes na Sociedade.

O liberalismo econômico.

A palavra "liberdade" significa que o indivíduo quer se sentir provido de individualismo, autorrealização e possiblidade de se desenvolver sem sofrer qualquer força inibidora ou limitadora. O autor lembra que esse princípio passou para o campo da Economia como laissez-faire e teve como protagonista Adam Smith, no século XVIII. Segundo sua crença, a competição e a luta econômica perfazem o fundamento sadio do bem-estar humano. Isso leva à ânsia pelo lucro e ao acúmulo de riqueza como sinônimos da felicidade humana.

Essa luta revela-se em diversos níveis como, por exemplo, nas relações entre produtor e consumidor, que são movidos por interesses antagônicos; na competição de vários produtores por uma mesma mercadoria, cada qual disposto a ter uma "fatia maior do bolo" e na relação de "mercado de trabalho" que se estabeleceu entre o empresário e a força de trabalho, na qual o empresário luta para conseguir o menor preço e não uma remuneração mais justa.

Nesse cenário de liberalismo econômico, não há lugar para a fraternidade, solidariedade, ética social ou outros aspectos considerados, nesse contexto, fantasiosos.