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O Sistema de Gestão da Qualidade, é um conjunto de procedimentos que procuram garantir a qualidade os recursos necessários, os processos operacionais e as responsabilidades estabelecidas, para que a qualidade se torne viável, efetiva e competitiva. Assim, torna-se importante perceber até que ponto a implementação dos procedimentos do SGQ promove e garante a sustentabilidade organizacional.

A sustentabilidade surge como uma procura institucional para progredir através da promoção de políticas e ações, onde num cariz económico proporciona a preservação do presente sem penhorar o futuro. Tal como o SGQ, os processos para a implementação da sustentabilidade estão aliados a estratégias económicas, a estratégias de gestão de recursos humanos e a estratégias de comunicação organizacional. Uma organização ao possuir critérios do SGQ, como a melhoria contínua do desempenho global da organização, o envolvimento dos colaboradores, uma boa relação com os fornecedores e a focalização no cliente, detém níveis de exigência e rigor que evitam problemas relacionados com a falta de transparência e incompatibilidade organizacional. Neste sentido, o SGQ usufrui de todas as características necessárias e diferenciadoras para ser um agente de excelência, desenvolvimento e sustentabilidade organizacional, pois procura operacionalizar as suas decisões envolvendo todas as partes interessadas, atribuindo-lhes exigência, transparência e benefícios.

Atualmente, as organizações optam por adotar comportamentos isomórficos, devido a pressões formais e informais exercidas por organizações sobre outras organizações dependentes delas (DiMaggio e Powel, 1983). Deste modo, utilizam este tipo de comportamentos como forma de reforçar a sua sustentabilidade. Assim, as instituições imitam exemplo de estruturas organizacionais bem-sucedidas, sob forma de diminuir a incerteza do erra, as não conformidades em auditorias e o aumento da legitimidade e aceitação organizacional.

No entanto, deve-se ter especial cuidado com este tipo de comportamento, visto que imitar não é suficiente para alcançar o sucesso desejado. Cada instituição detém necessidades diferenciadas, o que significa que cada uma deve personalizar a sua ação para produzir a eficiência e a eficácia desejada. Geralmente, as organizações que possuem o SGQ, preocupam-se em elaborar uma política da qualidade, ambiente e

segurança e caem no erro de aplicar políticas utilizadas noutras organizações concorrentes. Esta situação promove a desvinculação da política social à prática dos colaboradores, origina o desconhecimento das políticas da qualidade e desvaloriza o facto das políticas da qualidade serem um compromisso de todos os intervenientes da organização. A posição destas organizações perante o SGQ acaba por se traduzir num cinismo organizacional, uma vez que as políticas sociais são verdadeiras utopias, mitos e conceitos que só ficam bem no papel, pois não correspondem de todo à realidade da prática organizacional. Neste sentido, o conceito de cinismo organizacional traduz-se numa atitude composta de crenças, afetos e tendências de comportamento para com as organizações (Dean et. al. 1998). Quando estas atitudes se desunem da ideologia, esta origina conflitos e dificulta a produção da ação, o que posteriormente serve para acentuar ainda mais o conflito (Brunsson, 2006).

Nas organizações, geralmente os colaboradores acabam por desempenhar as ideologias organizacionais inconscientemente, pois conhecem e guiam o seu trabalho pelo cargo e obrigações que ocupam. Estes indivíduos nem se apercebem que é a sustentabilidade que fornece o guia de orientação para os processos de mudança (Siebenhüner e Arnold, 2007). No entanto, estes processos de mudança orientada para a sustentabilidade organizacional pode ter que enfrentar barreiras internas e externas, ao nível das atitudes dos membros da organização, constrangimentos regulares, entre outras situações (Epstein e Wisner 2001). Assim, as organizações procuram desenvolver estratégias para combater a falta de conhecimento das políticas da qualidade e as mais utilizadas são: aplicar as políticas em locais visíveis a todos os colaboradores, enviar email’s explicativos aos colaboradores antes das auditorias, entre outras situações.

Neste contexto, Domingues (2012), refere que as condutas reguladoras podem ter efeitos não previstos, como a redução da hipocrisia e o reforço da conformidade normativa, a perda de eficiência de tecnologias nucleares, aumentar os erros e as falhas processuais, aumentar a ambiguidade organizacional, e favorecer a reprodução de práticas ilegítimas (Domingues 2012). Isto significa que se as políticas sociais não representarem a verdadeira essência da organização, a divulgação das politicas sociais acabam por ser insuficientes, visto que a relação entre a conduta normalizadora e a normalização não é linear nem previsível. Embora existam normas e procedimentos referenciais do SGQ, estes devem ser trabalhados de maneira a se adaptarem à realidade

49 organizacional. Esta atitude transfere ao SGQ o planeamento, previsão, monitorização e melhoria contínua, bem como na satisfação das necessidades e expectativas das entidades interessadas da organização.

Tal como podemos verificar nas explicações anteriores, a relação entre o SGQ e a sustentabilidade é bastante complexa, incerta e ambígua. Neste contexto, o autor Domingues (2012), menciona que a incerteza é afetada pela regulação e afeta a sustentabilidade e, em condições de incerteza organizacional, a articulação dos objetivos individuais e dos objetivos organizacionais é mitigada (Domingues 2012). Verificamos, deste modo, que a sustentabilidade não é facilmente atingível através de procedimentos planeados e monitorizados, uma vez que não são processos previsíveis e controláveis e tanto podem aumentar como diminuir as condições da sustentabilidade.

A sustentabilidade organizacional é, portanto, bastante difícil de definir. Abrange diversas dimensões organizacionais (ambiental, financeira, social, política, entre outras) e tendo em conta a sua complexidade e incerteza, deve ser mais perspetivada como abordagem do que como conceito ou processo (Robinson 2004). Assim, a relação entre a qualidade e a sustentabilidade é bastante subjetiva e dependente de diversos fatores. Embora todas as organizações procurem atingir a sustentabilidade, não se pode afirmar que esta relação é perfeita e linear.

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