53 4.2 Intuisjon – begrepsavklaring
4.7. Brobygging mellom teori og praksis - workshop
As variáveis de hábitat que melhor explicaram a variação dos dados em cada eixo da RDA estão indicadas na Tabela 15, juntamente com os escores das espécies de peixes analisadas nos eixos de ordenação. Os valores das correlações intra-set (correlações entre variáveis ambientais e os eixos de ordenação) foram utilizados como auxílio na interpretação dos diagramas de ordenação, sendo que apenas coeficientes de correlação maiores do que 0,3 foram considerados para a interpretação detalhada dos eixos e de suas relações com as espécies.
Observa-se inicialmente que os eixos resultantes da RDA representam a influência tanto de características locais, quanto de fisiografia da bacia e posição espacial (Tabela 15). O primeiro eixo de ordenação (RDA1) representa gradientes de hábitat local para abundância de partículas de substrato de maior tamanho (ped256m), de macrófitas aquáticas (macrofr) e profundidade média do trecho (profmecr). As características fisiográficas são representadas pela área da bacia de drenagem (Ctch) e posição espacial pela distância em relação a encosta da Serra (LP25).
O segundo eixo (RDA2) apresenta principalmente um gradiente associado a partículas de substrato menores e à condutividade. Neste caso a condutividade é considerada como uma variável que reflete características de drenagem da bacia, mais do que com hábitat local, pois é improvável que nos níveis mensurados, seja um fator de escolha individual dos peixes (ver RINCÓN, 1999 para explicação sobre uso de hábitat). Secundariamente duas outras variáveis podem ser mencionadas: profundidade média do trecho e paralelo UTM (cuja variação dos valores no gradiente Norte-Sul é inversa à dos valores da latitude em graus). O paralelo UTM representa a posição da unidade amostral em relação ao eixo principal da bacia do rio Maquiné, o qual se dispõe ao longo do gradiente Norte-Sul, desde as cabeceiras do até a foz na lagoa dos Quadros (Figura3).
No terceiro eixo (RDA3) aparecem novamente as 3 categorias de variáveis: vegetação secundária na faixa ripária (rint), heterogeneidade topográfica da sub-bacia
Os valores dos escores das espécies indicam que a dispersão das unidades amostrais ao longo do gradiente RDA1 está associada à diferenças quanto à abundância de 3 espécies de Loricariidae morfologicamente bastante similares (Hemipsilichthys sp., H. nudulus e A. multispinis). A dispersão ao longo de RDA 2 indica diferenças em função da
abundância de C. pterostictum, E. bilineatus, J. unitaenia e R. aequalicuspis, enquanto RDA3 reflete diferenças das unidades amostrais na abundância de C. pterostictum e E. bilineatus.
A comparação das Figuras 19-22 com a Figura 25 indica que as assembléias situadas em trechos mais declivosos tendem a posicionar-se próximas entre si, sendo dominadas pelas espécies de Hemispsilichthys e as situadas nos trechos menos declivosos tendem a ser aquelas dominadas por Rineloricaria. Esta diferenciação só não apareceu para os riachos maiores (Lajeado, Forqueta, Ouro) onde os trechos de alta e baixa declividade apareceram na mesma região do diagrama. Quanto aos riachos menores, as diferenças apareceram mesmo entre aqueles onde as assembléias tenderam a situar-se numa mesma posição do gradiente, sendo as diferenças relacionadas a abundâncias relativas de C. pterostictum e E. bilineatus.
A Figura 28 mostra que a estratificação amostral realizada com base no perfil longitudinal dos riachos em fundo de vale permitiu a distinção de variações nas assembléias principalmente dentro dos riachos de sub-bacias menores. Dentro de um mesmo riacho, as assembléias dos locais situados em declividades maiores (vermelho) tendem a ser diferentes daquelas existentes em declividades menores (azul). Os trechos Gasev e Escbai representam segmentos de jusante (menor declivdade), mas área de bacia pequena, onde as assembléias foram mais característicamente do tipo Hemipsilichthys. As demais amostras em destaque representam exemplos de trechos com maior área de bacia e que gerlamente não exibiram diferenças de tipo ded assembléia no perfil longitudinal, conforme a estratificação por declividade.
Considerando as correlações entre as espécies e as características de hábitat foi observado o seguinte:
Hemipslichthys sp. e H. nudulus
Estas espécies tendem a ser mais abundantes em trechos de riacho onde há maior abundância de pedras maiores que 256 mm (medida como cobertura percentual média na seção transversal do trecho). Apresentam correlação negativa com a freqüência de macrófitas (podostemáceas) e tendem a ocorrer locais rasos. A condutividade e a área da bacia drenada até o local de coleta foram também correlacionadas às espécies de Hemipsilichthys . Estas espécies tendem a ser mais abundantes em bacias pequenas e nos
trechos mais à montante dos riachos (correlação negativa com a distância em relação a encosta da Serra, LP25), principalmente em bacias pequenas (Figura 27).
As correlações com o eixo RDA3, embora fracas, indicam que a cobertura de vegetação secundária na faixa ripária apresenta relação com H. nudulus, mas não com Hemipsilichthys sp. Também mostram que Hemipsilichthys sp. parece secundariamente
mais associado a freqüência de pedras entre 2 e 7 cm do que H. nudulus.
Hemipsilichthys sp. e H. nudulus são portanto espécies características de sub-bacias
menores e geralmente mais abundantes nas corredeiras de fundo de vale situadas mais próximas ao talude da Serra, onde as partículas de substrato apresentam maiores dimensões (ver Figuras 13 e 27).
Ancistrus multispinis
Apresenta correlações com hábitat inversas a Hemipsilichthys sp. e H. nudulus, isto é, tende a ser mais abundante em trechos com maior cobertura média por pedras >256 mm e onde a freqüência de macrófitas e a profundidade média são relativamente maiores. Tende a ser mais abundante em trechos inferiores (LP25) de sub-bacias com maior área de bacia drenada (Ctch), o que implica também em maiores valores de condutividade.
Rineloricaria aequalicuspis, E. bilineatus, C. pterostictum e J. unitaenia
Estas espécies tendem a ser mais abundantes em trechos de onde a freqüência de pedras entre 2 a 7 cm é alta e a profundidade média é menor. Ao contrário das espécies
sub-bacia, mas com o eixo longitudinal da bacia principal do sistema (bacia do rio Maquiné), com tendência a maior abundância nas porções mais baixas da zona ritral da bacia e em todas as sub-bacias estudadas. As correlações com RDA3 são maiores que 0,3 apenas para E. bilineatus e C. pterostictum, o que permite interpretar a existência ded um segundo gradiente no qual estas espécies apresentam correlações diferenciadas com certas características. Destaca-se que E. bilineatus é mais relacionada a locais onde há maior percentual de vegetação secundária em recuperação na faixa ripária (rint) e maior cobertura de pedras entre 25 e 50 cm de diâmetro no leito do rio (me25a50). Por outro lado, C. pterostictum tende a ser negativamente correlacionado com estas características, indicando
uma tendência a maior abundância em locais com menor cobertura de pedras grandes no leito e com menor proporção de vegetação ripária em recuperação. Quanto a este último aspecto, é importante observar que os resultados da Parte 2 (ver Figura 8) indicam que na bacia do rio Maquiné, a área percentual de vegetação secundária em estágios intermediários de desenvolvimento tende a aumentar às custas das áreas de uso antrópico mais intenso, isto é, a vegetação secundária pode ser interpretada como estando em processo de recuperação. Conseqüentemente, o gradiente de ordenação de RDA3 é um indício de que certas espécies são de fato influenciadas pelo estado da vegetação ripária, embora isso só tenha aparecido de forma secundária em comparação outras características de fisiografia e com variáveis de hábitat local e posição espacial.
A posição dos vetores das variáveis Dquad e dmdp em relação à variável me25a50 indica uma relação da fisiografia e da posição na bacia sobre o tamanho das pedras no leito dos rios que é coerente com os padrões previstos para rios (CHRISTOFOLETTI, 1981), isto é, partículas de substrato maiores estão associadas as posições mais à montante na bacia (maior Dquad) onde a heterogeneidade de terreno (dmdp) influencia o tamanho das partículas de substrato através dos processos erosivos causados pelos rios e pelo aporte de materiais através de deslizamentos.
Heptapterus mustelinus
Esta espécie foi a mais fracamente correlacionada com eixos de ordenação. Sua abundância está relacionada principalmente com locais rasos, partículas de substrato menores (fr2a7cm) e com heterogeneidade de substrato, inferida indiretamente a partir de sua correlação ambivalente em relação a ped256me e fr2a7cm. Assim como as espécies do item anterior, apresenta correlação com o eixo longitudinal da bacia principal do sistema (bacia do rio Maquiné), com tendência a maior abundância nas porções mais baixas da zona ritral, mas sendo mais comum em bacias menores.
A partir desta caracterização das relações espécie-hábitat, pode-se também interpretar o gradiente de variação das assembléias descrito anteriormente. Assim, as assembléias dominadas por espécies do gênero Hemipsilichthys tendem a ocorrer em riachos com abundância de partículas de substrato maiores do que ≈25 cm (ped256me), e baixa freqüência de macrófitas aquáticas, preferencialmente nas porções mais à montante nos rios de fundo de vale e em bacias pequenas. No extremo oposto deste gradiente aparecem as assembléias dominadas por Rineloricaria, situadas geralmente nas porções inferiores das pequenas bacias e ao longo da maior parte da extensão de bacias maiores. Como descrito anteriormente, as assembléias variam ainda conforme a abundância principalmente de C. pterostictum e E. bilineatus, de modo que tanto as assembléias dominadas por Hemipsilichthys quanto as dominadas por Rineloricaria podem ser discriminadas entre assembléias com alta ou baixa abundância de C. pterostictum e de E. bilineatus. Este nível de diferenciação está associado a um gradiente de partículas de
substrato menores (fr2a7cm), à localização dos trechos no eixo principal bacia do sistema (rio Maquiné) e sua distância em relação ao curso inferior da bacia (sobre terrenos de Planície Costeira, aproximadamente a partir do cruzamento com a BR-101, Figura 3).
A comparação das características de hábitat, fisiografia e posição espacial entre as unidades agrupadas conforme o tipo de assembléia indicou diferenças significativas (teste de Kruskal-Wallis, P< 0.05) para paralelo UTM (lat), distância da encosta da Serra Geral
condutividade (condut), freqüência de macrófitas aquáticas (macrofr) e cobertura média de pedras maiores do que 25 cm.