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Ao pensar em redes sociais, sejam elas digitais ou não, identificamos os laços sociais,como eles modificam e permitem uma dinâmica aos relacionamentos, às interações. São eles a essência da rede, pois têm a capacidade de movimentos que dão vida, seja agrupando, separando, construindo ou descontruindo relacionamentos. Muitos autores usam definições como laços fortes e fracos, relacionais e dialógicos para descrever e entender o que ocorre quando as pessoas se relacionam e como elas mantem ou não suas ligações.

Os laços constituem a maneira como os indivíduos se agrupam e interagem, configurando o teor das relações. Para Recuero (2010, p. 38), “o laço é a efetiva conexão entre os atores envolvidos nas interações. Ele é resultado, deste modo, da sedimentação das relações estabelecidas entre agentes. Laços são formas mais institucionalizadas de conexão entre atores, constituídos no tempo e através da interação social”. Nesse sentido, podemos considerar que o tipo de laço estabelecido entre os indivíduos define as relações.

Ao analisarmos as interações podemos definir alguns tipos de laço, como relacionais ou associativos. De acordo com Recuero (2010), os laços relacionais estão diretamente ligados à interação dos indivíduos, ou seja, os laços se constituem por meio das relações sociais, da iniciativa dos indivíduos. Os laços associativos, por sua vez, não dependem necessariamente da interação, pois eles podem ocorrer quando os indivíduos apenas pertencem à uma organização, local ou grupo.

Outras formas de identificar os laços sociais ocorrem por meio da força que ele imprime, ou seja, ele pode ser um laço forte ou fraco dependendo da intensidade e da proximidade que os indivíduos tem. Os laços fortes são caracterizados pela intimidade e proximidade em uma relação. Podemos dizer que os laços de amizade e família, por exemplo, se constituem de laços fortes. Já os laços fracos são as relações mais esparsas, que não geram

18Tradução livre da mestranda para: “These relationships make important contributions to people´s live, especially when they

uma proximidade maior. São os “conhecidos”. Ambos, porém, são considerados relacionais, pois provém de uma interação e relação social.

Quanto à importância dos laços, não se pode afirmar que laços fortes não são mais importantes e valiosos que os fracos, e vice-versa. É preciso definir o momento e a intenção das interações e relações. Granovetter (1983) descreve que os laços fracos marcam de sobremaneira a integração dos indivíduos na sociedade porque são eles que reforçam a estrutura social e as trocas mais dinâmicas. Os laços fortes requerem mais tempo e mais disposição para se manter, há sim, um maior engajamento na relação. “Laços fracos proporcionam às pessoas com acesso à informação e recursos disponíveis mais possibilidades para além do seu círculo social; mas os laços fortes tem maior motivação para ser de assistência e normalmente são mais facilmente disponíveis” (GRANOVETTER, 1983, p. 209)19. A explicação está na gama de relações que os laços fracos estabelecem, uma vez que são constituídos de indivíduos com experiências e especialidades diversas, dando uma dinamicidade ao que se circula na rede. Os laços fortes por sua vez acumulam uma identidade mais próxima, sem muita alteração, fechando assim um círculo mais restrito e de alta confiança.

Os laços ainda podem ser considerados multiplexos, ou seja, se constituem de várias relações sociais, ocorrendo em sistemas e espaços diferenciados. Um exemplo pode ser considerado quando um grupo de indivíduos que atua na mesma organização mantém também um relacionamento fora do ambiente de trabalho, em momentos de lazer, cultura ou outras atividades. A internet, ou melhor, a interação mediada por computador, é outro local onde se concentram laços multiplexos. Laços fortes se integram a laços fracos a partir do momento que um indivíduo, em sua página pessoal em uma mídia social, por exemplo, adiciona amigos, conhecidos, vizinhos, colegas de trabalho, membros familiares, etc. Assim, a diversidade de laços está composta e proporciona, na maioria das vezes, uma proximidade maior com pessoas que estão distantes fisicamente e um relacionamento que vai além do computador, ou seja, o relacionamento passa a ser off line também.

19Tradução livre da mestranda para: “Weak ties provide people with Access to information and resources beyond those

available in their own social circle; but strong ties have a greater motivation to be of assistance and are typically more easily available”.

Os meios de comunicação, como a internet, em especial, podem favorecer ainda mais as relações do ponto de vista de aproximação e manutenção de laços. Como afirma Wolton (2012, p. 90), “os homens sempre tiveram a necessidade de se comunicar e de se relacionar uns com os outros. As necessidades crescem com o nível sociocultural, e a rede doméstica permite acessar informações de gênero e de natureza diferentes”.

O virtual deixou de ser considerado uma definição que não condiz com a realidade, como se fosse algo irreal. Ele é, em si, uma ação que potencializa o real e se opõe ao atual. Ou seja, de acordo com Lévy (1996, p. 17),

a virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma “elevação à potência” da entidade considerada. A virtualização não é uma desrealização (a transformação de uma realidade num conjunto de possíveis), mas uma mutação de identidade, um deslocamento do centro da gravidade [...].

A instantaneidade, a decisão baseada na leitura da realidade naquele instante, além da possibilidade de contato com o universo são características do virtual. Ou seja, as decisões são resultados de um conjunto de observações do mundo, com uma rapidez e um compromisso com o momento. Castells também destaca que o virtual é real, pois ele nada mais é que a construção do simbólico.

[...] o que é historicamente específico ao novo sistema de comunicação organizado pela integração eletrônica de todos os modos de comunicação, do tipográfico ao sensorial, não é a indução à realidade virtual, mas a construção da realidade virtual. Explicarei com a ajuda do dicionário, segundo o qual “virtual é o que existe na prática, embora não escrita ou nominalmente, e real é o que existe de fato”. Portanto a realidade, como é vivida, sempre foi virtual porque sempre é percebida por intermédio de símbolos formadores da prática com algum sentido que escapa à sua rigorosa definição semântica (CASTELLS, 2006, p. 459)

Então, real e virtual coexistem, cada um com seus contextos, mas integrados. E, no mundo do digital, “a distinção do original e da cópia há muito perdeu qualquer pertinência. O ciberespaço está misturando as noções de unidade, de identidade, e de localização” (LÉVY, 1998, p. 48). Isso significa que não podemos deixar de registrar que o ambiente digital é o mundo online, que compartilha com o mundo offline uma série de ações e decisões. E os relacionamentos são exemplos desse compartilhamento a partir do momento em que os indivíduos constroem e mantem suas relações. Nas organizações esses espaços também se complementam e dão forma à novas maneiras de se pensar e fazer a comunicação.