1. Introduction
1.3 Brief historical background
Os resultados aqui demonstrados permitiram a análise da qualidade de vida de idosos, segundo a perspectiva do trabalho. Observou-se que quando se avalia a qualidade de vida (QV) de uma determinada população, o trabalho se configura como um dos aspectos relevantes especialmente entre os idosos, que cada vez mais tem se mantido ativos e retornando a atividade laboral mesmo após a aposentadoria.
Por ser um conceito amplo, complexo e subjetivo propôs-se com este estudo analisar a qualidade de vida através de diferentes enfoques de modo a apreender de forma mais abrangente os significados da Qualidade de vida para os idosos pesquisados.
De maneira geral, a Qualidade de Vida foi evidenciada de forma positiva entre os domínios do WHOQOL-BREF e facetas do WHOQOL-OLD, já que todas as médias aproximaram-se de 100% nos dois grupos, principalmente entre o grupo de idosos que trabalha. Identificou-se no grupo de idosos que trabalha maiores escores nos domínios Físico, Psicológico e Relações sociais, assim como na faceta Habilidades Sensoriais e Morte e Morrer.
No que tange a relação entre Qualidade de vida e trabalho, as representações sociais acerca da qualidade de vida se apresentaram distintas para idosos que trabalham ou não. Observa-se que as Dimensões da QV e Condições que proporcionam QV foram valorizados por idosos que trabalham, sendo a qualidade de vida associada a oportunidades de lazer e
educação, ao apoio e suporte da família, e a bens materiais, enquanto que os idosos que não
trabalham contribuíram para a formação das classes Posicionamento frente a QV e Interação em grupo, nestas a qualidade de vida foi relacionada a questões emocionais, a sentimentos positivos e as interações sociais desenvolvidas a partir da convivência em
grupos.
Ao associar os resultados obtidos no primeiro e segundo artigo, observa-se que há uma relação entre as representações sociais atribuídas pelos idosos sobre Qualidade de Vida e os resultados obtidos na análise dos domínios do WHOQOL-BREF e das facetas do WHOQOL- OLD.
Observou-se a partir da formação das classes, diferenças entre as representações sociais referidas sobre qualidade de vida entre a classe Dimensões da QV e a classe Condições que proporcionam QV. A variável trabalho participou na formação de ambas as classes, apresentando, no entanto, ancoragens diferentes. Na primeira, a qualidade de vida parece estar
ancorada no sentido do trabalho enquanto satisfação pessoal em permanecer ativo, útil, capaz. Já na segunda classe, o trabalho remete ao sentido da subsistência, da necessidade financeira de continuar trabalhando para que se tenha melhores condições de alimentação, moradia e conforto. Em ambas o trabalho parece conferir aos idosos independência e autonomia diante da família e da sociedade. Tais representações podem estar associadas ao menor escore na faceta Autonomia para o grupo que não trabalha, devido ao fato de que não trabalhar pode diminuir a capacidade do idoso de tomar suas próprias decisões, circunstância que compromete a sua qualidade de vida. A classe Dimensões da QV composta por idosos mais jovens (60 a 64 anos) e que trabalham pode estar associada aos maiores escores nos domínios Físico e Psicológico e na faceta Habilidades Sensoriais.
Além disso, na classe Condições que proporcionam QV as representações sociais associadas a dinheiro, alimentação, conforto e moradia destacam a relação destas com a qualidade de vida. Muitas vezes, a aposentadoria e seus baixos valores podem prejudicar a condição financeira do idoso levando-o a algumas privações nestes âmbitos, o que pode estar relacionado ao baixo escore médio para QV no domínio Ambiental nos dois grupos.
Nas classes denominadas Posicionamento frente a QV e Interação em grupo as representações sociais mais evidenciadas respectivamente foram (Tranquilidade, felicidade, fé, amor e respeito) e (atividade, conversa e alegria) o que demonstra relação com os maiores escores atingidos nos domínios Psicológico (que contempla entre outros aspectos os sentimentos positivos, a espiritualidade e religiosidade) e Relações sociais que abrange as relações pessoais e o suporte social. Um enfoque que merece destaque está na possível associação entre a classe Participação no grupo e o baixo domínio na faceta Participação
Social. Nesta classe composta por idosos mais velhos (70-74 anos) e que não trabalham, fica
evidenciada a valorização que os idosos atribuem ao convívio social, a participação em atividades e a alegria destes momentos, destacando a insatisfação com o seu nível de atividades cotidianas, junto às próprias famílias, buscando nos grupos de convivência o suporte e o apoio para suprir estas necessidades.
Apesar do aumento do número de idosos no mercado de trabalho ser uma realidade que atinge a sociedade brasileira, a reinserção no trabalho que poderia ser vislumbrada como importante estratégia para manutenção da qualidade de vida ainda é pouco contemplada nas políticas para o idoso, limitando-se em sua maior parte às ações que envolvam os cuidados com a saúde. Deixa-se de perceber o idoso como um ser de potencialidades, que pode contribuir e favorecer a dinâmica social com sua experiência.
Tal problemática foi observada nas poucas publicações referentes a esta temática durante a construção do referencial teórico desta pesquisa. Além disso, a maior parte das pesquisas encontradas foi realizada em capitais ou regiões metropolitanas, não sendo encontradas no período de busca, aquelas que contemplassem municípios de pequeno porte, principalmente em regiões sertanejas nas quais existem características sociais e econômicas específicas, onde a problemática em enfoque precisa ser discutida.
Diante disso, espera-se que este estudo possa contribuir para uma melhor compreensão da qualidade de vida dos idosos no contexto do trabalho, de modo a fornecer subsídios para mobilizar práticas sociais de intervenções adequadas a este público, que favoreçam a qualidade de vida e os auxiliem no exercício do seu papel de cidadãos e atores sociais, na sociedade contemporânea.
Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de novas pesquisas que venham a aprofundar as dimensões subjetivas da QV para os idosos, mobilizando reflexões que conduzam a concretização de ações que venham a reinserir o idoso no contexto do trabalho, promovendo assim um envelhecimento aliado a uma boa qualidade de vida.
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