KAPITTEL 4 KOSTRA
4.2 Studier av KOSTRA
4.2.1 Brede kartlegginger av kommunenes bruk av KOSTRA
Outro aspecto que merece destaque em relação à questão de gênero e de poder que envolvem as relações nesse contexto escolar, refere-se ao cargo de coordenadora pedagógica.
Considerei que a escolha do cargo de coordenadora pedagógica poderia representar uma análise importante devido ao fato de que tal escolha é feita pela diretora. Neste ano, a escolhida foi uma professora em substituição ao professor que ocupou o mesmo cargo no ano anterior.
Durante as observações em conversa com o professor pedi para ler seu semanário com o intuito de analisá-lo. Notei que, por diversas vezes, após a descrição das atividades, a coordenadora fazia anotações de estímulo, como ótimo, lindo, muito
bem. A impressão que tive foi de que os recados deixados pela coordenadora para o
professor após a descrição das atividades se assemelhavam aos de uma professora corrigindo o caderno de seu aluno. Perguntei a ele se essa atitude da coordenadora o incomodava e obtive como resposta que não, mas que em sua opinião a função da coordenadora deveria ser a de aliar a teoria e prática, o que não era o que esta coordenadora estava fazendo, na opinião dele.
Para o professor, quando foi o coordenador, sua atitude era de auxiliar as professoras em suas práticas pedagógicas, o que, para ele, não era feito agora pela coordenadora. (CAMPO, 2009).
Mediante esta afirmação procurei saber por meio da entrevista o que pensava a coordenadora a respeito de sua atuação e das relações que tinham se estabelecido após receber a indicação da diretora.
Para a coordenadora a indicação de seu nome foi feita pela diretora devido ao fato de que se entende bem com todos na escola e, ao mencionar sua atuação, a coordenadora destaca que se preocupa com o fato de não conseguir passar para as professoras e o professor os aspectos importantes que são discutidos nas reuniões que participa com outras coordenadoras na Secretaria Municipal de Educação. De acordo com a coordenadora, por exemplo, foram solicitadas algumas modificações nos semanários por parte da Secretaria da Educação, que acabaram sendo menos problemáticas devido à troca de informações com outras coordenadoras.
Quando questionei a coordenadora se a sua relação com as professoras e o professor sofreu alguma alteração com a indicação de seu cargo, ela afirmou que sim. Ela explicou que foi e ainda é vítima de chacotas por parte dos colegas. Ela exemplificou [...] agora ela é coordenadora, ai não senta aí que é a mesa da coordenadora [...] eles estavam conversando e eu chegava, pára que a coordenadora chegou [...]. Esse tipo de comentário a incomodou, segundo sua afirmação, mas quando a diretora a chamou e perguntou se gostaria que os chamasse para conversar, ela preferiu que não, pois considerou que as brincadeiras cessariam em breve, no entanto, não foi o que ocorreu.
O fato de o professor ter criticado a atuação da coordenadora, enfatizando que anteriormente teria ocupado este cargo e atuado com maior eficiência, demonstrou que existem problemas nesta escola em relação à hierarquia, evidenciando que essa relação de poder com a coordenadora aparentemente o incomoda.
Contudo, a coordenadora também parece fazer questão de demonstrar sua autoridade durante a entrevista ao mencionar a atuação do professor. Pergunto se ele costuma pedir a ela sugestões de como atuar, ela afirma que de vez em quando eles costumam trocar idéias,
[...] mas como é que você está trabalhando, ele me explica tudo aí eu falo, tá legal por que você não tenta fazer assim também complementando, não assim que ele esteja fazendo alguma coisa errada, mas assim complementando sugestão pra ele trabalhar de vez em quando, quando ele está fazendo alguma atividade legal ele me chama lá na sala para ver [...] (COORDENADORA, 2009).
De acordo com a justificativa da coordenadora sobre sua atuação com relação ao professor é possível notar que ela tenta destacar a importância de sua atuação para a prática dele.
Neste caso, o professor que como homem está relacionado ao poder na visão patriarcal e tradicional, nesta relação hierárquica, precisa se submeter à coordenadora. Este fato permite compreender que as relações de gênero não são estáveis, mas que sofrem alterações de acordo com o contexto e com as relações de poder envolvidas.
Segundo Foucault (2007, p. 183), o poder é exercido em uma rede e, portanto, Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles.
A coordenadora também sofre com as atitudes dos colegas que expressam a resistência à sua autoridade fazendo piadas em relação ao exercício de seu poder. Entretanto, os colegas também agem assim porque sabem que é característica de sua personalidade ser passiva e se dar bem com todos, de acordo com a sua própria afirmação esse foi o motivo que fez com que a diretora a escolhesse.
É preciso considerar também que, além da passividade na postura da coordenadora, se encontram as características afetuosas dela que defende o carinho como atributo para sua profissão. (COORDENADORA, 2009).
Essa posição é reiterada na entrevista quando ela fala sobre vocação,
[...] eu acho que tem que gostar sabe, tem que fazer assim com carinho, com amor, não falar vou fazer desse jeito, vou ser professora porque eu sou muito amorosa e sou carinhosa, eu sou [...]. (COORDENADORA, 2009).
Possivelmente, essa associação da docência com o carinho e dedicação esteja na relação com a maternidade tão amplamente difundida que será brevemente discutida no item a seguir.