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5. EXPERIMENT

5.1.2 Brand selection

O desenvolvimento desta segunda etapa da experiência tecnológica teve por objetivo a visualização da interface de navegação (digital) pela estrutura facetada da TAFNAVEGA, criada para a BDTD da ECI-UFMG. Essa segunda etapa foi desenvolvida a partir dos 407 termos indexadores, obtidos na primeira etapa que está descrita no subcapítulo 5.4, anterior.

Esse foi um trabalho conjunto com Pontes80, também integrante do grupo de pesquisa “Protótipo Mapa Hipertextual” (MHTX), realizado dentro do laboratório experimental do protótipo de mesmo nome (LIMA, 2004a), buscando desenvolver novos mecanismos a fim de melhorar a recuperação da informação na biblioteca digital experimental. Esse grupo de pesquisa é coordenado pela professora Gercina Lima, orientadora desta pesquisa.

Esta etapa da experiência foi desenvolvida em uma base de dados relacional, o Microsoft Office Access, também conhecido por MSAccess, foi criado pelo fabricante

80

Flávio Pontes é estudante de doutorado do PPGCI-ECI/UFMG e desenvolveu, em seu projeto de qualificação intitulado “Organização do conhecimento em bibliotecas digitais de teses e dissertações: uma abordagem baseada na classificação facetada”, um aplicativo para apresentar sua proposta que tem por objetivo implementar e avaliar mecanismos para a representação e organização do acervo de uma biblioteca digital de teses e dissertações, e a criação de um protótipo, com base na taxonomia facetada criada nesta presente pesquisa.

Microsoft. Ele é um software de gerenciamento de banco de dados, que está incluído no pacote do Microsoft Office Professional. É importante destacar que essa experiência se baseia no princípio de sistemas facetados apresentados por Sacco e Tzitzicas (2009), cujo modelo se fundamenta em um padrão genérico de conhecimento e em uma classificação multidimensional de objetos (itens de informação), usado para a navegação em bases de dados, com foco no acesso e nas necessidades do usuário. Dessa maneira, poderia ter sido desenvolvida em qualquer outra ferramenta ou software que permite criar uma base relacional.

O MSAccess é um programa que oferece um modelo relacional bastante simples, que consiste em diferentes tabelas, estruturadas por campos (colunas), e, em cada tabela, há distintos registros (linhas) de informação, que podem relacionar-se, através de campos-chave, com as diferentes tabelas.

No desenvolvimento dessa experiência, foram criadas tabelas diferentes para cada tipo de informação, para armazenar os dados. Os procedimentos para a estruturação do banco de dados seguiram as recomendações do fabricante, com as seguintes etapas:

1) Determinação das tabelas: foi criada uma tabela para cada uma das dez categorias fundamentais temáticas (FIG. 9);

FIGURA 9 – Tabela de categorias fundamentais

Fonte: Tela da implementação tecnológica no MSAccess.

2) Determinação dos campos necessários: foram atribuídos diferentes campos, independentes, para cada faceta encontrada (setas verdes na FIG. 10);

3) Determinação dos relacionamentos: para efeito desta experiência, todos os relacionamentos se basearam no relacionamento do tipo “é um” (setas vermelhas na FIG.

10), uma vez que, no escopo desta pesquisa, esse tipo de atribuição foi suficiente para demonstrar a experiência.

FIGURA 10 – Campos e relacionamentos entre facetas

Fonte: Tela da implementação tecnológica no MSAccess.

4) Refinamento da estrutura do banco de dados: os dados das tabelas foram inseridos aos poucos, possibilitando verificar a estabilidade e o funcionamento da estrutura que estava sendo desenvolvida, com constantes averiguações. Esse refinamento também foi conseguido a partir da extração de relatórios, que permitiram verificar a condição de cada tabela e de cada elemento dentro dela.

Em seguida, descreve-se a modelagem informacional criada e, logo depois, a visualização de uma busca através da TAFNAVEGA, por uma sequência de figuras.

FIGURA 11 – Relações entre documentos do corpus

Fonte: Adaptado de Sacco e Tzitzicas (2009, p. 22 e 32).

Observando a FIG. 11, à esquerda (n.1) tem-se a relação isolada do documento t001-2009. Isto é, o documento foi representado sob a categoria C7. Já à direita (2), tem-se a relação do documento t001-2009 com os diferentes documentos na BDTD que também foram representados sob a categoria C7 em diferentes facetas (C7.1, C7.2 e C7.3). Dessa forma, ao escolher a categoria C7, o usuário terá à disposição todos os documentos representados sob essa categoria.

Com a utilização da taxonomia facetada para a representação do teor dos documentos do corpus (listados no APÊNDICE A, p.172), esses conteúdos tornam-se interrelacionados dentro da estrutura facetada, de forma multidimensional. A FIG. 12 mostra uma interrelação hipotética entre diferentes categorias.

FIGURA 12 – Relação entre categorias

Conforme a FIG. 12, através da navegação na taxonomia facetada, o usuário pode explorar todo o conjunto de categorias. Em uma situação, por exemplo, em que o usuário selecione a categoria C3 para a busca, a FIG. 13 mostra o que o sistema apresenta como resultado para essa busca.

FIGURA 13 – Relação direta entre categorias e documentos

Fonte: Adaptado de Sacco e Tzitzicas (2009, p. 22 e 32).

A FIG. 13 mostra que a categoria C3 possui duas facetas, que estão diretamente relacionadas com os documentos t002-2009, t003-2008 e t004-2008. Entretanto, como os documentos são representados sob todas as categorias da taxonomia facetada, o resultado para o usuário é expandido, permitindo que esse usuário possa explorar um conjunto maior de temas relacionados com os documentos recuperados, como é mostrado na FIG. 14.

FIGURA 14 – Relação expandida entre categorias e documentos

Fonte: Adaptado de Sacco e Tzitzicas (2009, p. 22 e 32).

Observando a FIG. 14, nota-se que a taxonomia facetada permite que o usuário explore todas as categorias e facetas sob as quais os documentos (t002-2009, t003-2008 e t004-2008) foram representados. A FIG. 15 mostra como é apresentado o resultado ao usuário.

FIGURA 15 – Resultado das interrelações disponíveis para recuperação

Nota-se que somente é apresentado ao usuário o que efetivamente está interrelacionado e disponibilizado no banco de dados. Com isso, o usuário tem à sua disposição a possibilidade de combinar suas buscas, sem encontrar como resultado uma resposta vazia, pois somente são apresentadas a ele as opções que estão disponíveis na BDTD.

Concluída a demonstração da modelagem informacional criada, a seguir apresenta-se a visualização de uma busca através da TAFNAVEGA.

Demonstração empírica da implementação tecnológica

Abaixo se apresenta um exemplo hipotético de busca a partir da “taxonomia facetada navegacional” (TAFNAVEGA).

FIGURA 16 – Busca usando a TAFNAVEGA (1)

Fonte: Tela da implementação tecnológica no MSAccess.

Nessa busca, conforme FIG. 16, o pesquisador tem 41 documentos disponíveis, que são todo o universo referente ao corpus (1). O universo está classificado sob as 10 categorias da TAFNAVEGA (2), estabelecidas a partir da estrutura textual dos trabalhos

acadêmicos do tipo teses e dissertações. Dentre as diferentes opções, o pesquisador escolhe a categoria “tipo de pesquisa”, que lhe oferece 10 qualificações diferentes para escolha. Se o pesquisador optar pela faceta “comparativa”, o resultado será como mostra a FIG.17.

FIGURA 17 – Busca usando a TAFNAVEGA (2)

Fonte: Tela da implementação tecnológica no MSAccess.

Conforme se observa na FIG. 17, o universo (seta verde) agora são os cinco documentos que foram classificados sob a faceta “comparativa” (seta vermelha). O sistema recupera e apresenta os cinco documentos disponíveis (resultado da busca) e o pesquisador ainda pode associar sua busca a outros “tipos de pesquisa” (descritiva, qualitativa e quantitativa). Além disso, há ainda a possibilidade de escolher entre todas as opções de busca dentro da chave.

Vale ressaltar, que todas as 10 categorias deveriam oferecer pelo menos cinco opções de documentos, uma vez que é o número de documentos disponível. Entretanto,

algumas categorias apresentam opções menores (ex. ambientação, coleta de dados e métodos) devido à incompletude dos resumos informativos utilizados na extração de conceitos nesta experiência (mencionada no item 5.3.4). Contudo, numa situação real de uso deste protótipo, todos os documentos são classificados sob as 10 categorias. Com isso, é possível buscar os conteúdos dos documentos através da navegação, facilitando o acesso aos resultados detalhados das pesquisas.

Ainda no caso hipotético da busca acima, se o pesquisador quiser recuperar apenas os documentos classificados sob a faceta “comparativa”, mas somente aqueles nos quais a pesquisa tenha sido realizada em uma abordagem qualitativa, isso seria facilmente recuperado, como mostra a FIG. 18.

FIGURA 18 – Busca usando a TAFNAVEGA (3)

Fonte: Tela da implementação tecnológica no MSAccess.

Nota-se que o universo, agora, possui somente dois documentos (seta verde). Analisando o conjunto percebe-se, por exemplo, que esses dois documentos (resultado da busca) possuem “tipo de pesquisa” “comparativa”, que também são “qualitativa” (seta vermelha). Nota-se que, novamente, que o pesquisador tem à sua disposição outras opções

de busca (dentro da chave), podendo restringir sua busca (selecionando a faceta “descritiva” ou “quantitativa”) ou, ainda, associá-la com as outras categorias disponíveis.

No presente capítulo foi relatado o desenvolvimento da taxonomia facetada navegacional (TAFNAVEGA), criada com base na estrutura textual de documentos do tipo teses e dissertações. Esse relato incluiu a identificação do domínio, do usuário e de suas necessidades de informação, assim como as descrições dos procedimentos utilizados, a apresentação e a análise dos resultados, que demonstraram como esse mecanismo auxilia o usuário na busca por informações sobre os resultados das pesquisas disponibilizadas na BDTD do PPGCI-UFMG.

A seguir, será apresentado um breve relato sobre o resultado encontrado na comparação entre a aplicação da técnica da análise categorial temática (ACT) e a análise facetada (AF), discutida no Capítulo 4, subcapítulo 4.6.1, mostrando a relação existente entre as categorias fundamentais de Ranganathan, do CRG e as dez categorias fundamentais temáticas (CAFTE) determinadas pela aplicação da ACT neste Capítulo5.

5.6 Paridade entre as categorias fundamentais de Ranganathan, CRG e