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5. Analysis and findings

5.1. Brand history of Telenor

A observação em pesquisa qualitativa, segundo Pinheiro, Kakehashi e Ângelo (2005, p. 718), “não é só olhar, significa um olhar específico sobre o

fenômeno que se quer conhecer”, é observar o que não se apreende com a fala e a escrita: o ambiente, os comportamentos individuais e coletivos, a linguagem não- verbal, a sequência, a temporalidade.

A observação permite identificar comportamentos não intencionais ou inconscientes; permite o registro do comportamento do sujeito no momento em que acontece (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSENAJDER, 1999).

A observação teve o intuito de compreender como a humanização da assistência e os processos inerentes a ela se organizam na prática; como ocorrem as relações entre os profissionais e entre esses com os pacientes no quotidiano da sala de emergência.

Na busca da compreensão do que ocorre na sala de emergência, usei as ideias de Goffman (2007), pois elas são aplicáveis a pequenos grupos, nos quais se pode, como no teatro, observar os atores, a plateia, os bastidores e todas as situações que envolvem a encenação, sendo, portanto usadas algumas de suas ideias para a construção de um roteiro de observação da sala de emergência do Pronto-Socorro (APÊNDICE B).

O roteiro construído tinha muitas questões para serem observadas e foi necessária uma nova leitura de Erving Goffman buscando aprender melhor o roteiro e familiarizar-me com ele. Fiz uma observação para testar o roteiro em outro setor para avaliar a sua adequação.

No diário de campo, identifiquei o cabeçalho com: número da cena, data, tempo de duração da observação e deixei um espaço para “impressões da pesquisadora”.

Quando comecei as observações, fiz visitas no pronto-socorro e na sala de emergência para “me ambientar” com o lugar, conhecer e ser conhecida pelas pessoas. A todos expliquei que, apesar de ser enfermeira, a minha posição era de pesquisadora e até o meu crachá me ajudava a incorporar essa ideia, pois trazia logo abaixo do meu nome a identificação de “Pesquisadora”.

As observações aconteciam nos turnos da manhã e tarde e duravam em média quatro horas. As cenas escolhidas para relato eram as que envolviam o atendimento a uma pessoa criticamente doente, com mobilização de um número maior de profissionais na assistência a ela.

Após realizar as observações, permanecia no hospital e me dirigia para a sala de estudos, quando escrevia as observações do dia e as minhas impressões.

Nesses momentos, buscava relembrar desde o momento em que saía do carro no estacionamento até ir para a sala de estudos do hospital.

As anotações referentes às observações realizadas consumiam em média 60 a 120 minutos do tempo, pois as fazia na forma manuscrita. No mesmo dia, “passava tudo a limpo”, era o momento para relembrar de algo e checar se não havia esquecido algum dado. Posteriormente, essas anotações eram digitadas, o que acontecia antes da próxima observação

Ao ler o que havia escrito, por várias vezes percebi que os relatos pareciam muito com as minhas “evoluções de enfermagem” na época em que trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva. Descobri que não estava conseguindo separar o ser enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva com o papel que agora vivia de pesquisadora. Vivia um grande dilema em ver os meus colegas ou os pacientes precisarem de uma ajuda e eu “simplesmente” observando. A sensação que tinha é que não estava “fazendo nada” e que atrapalhava os meus colegas.

O grande detalhe é que naquele instante não mais me sentia um “estrangeiro” no grupo: sentia já fazer parte porque fiquei um bom tempo com eles e sabia o quanto o cuidado a pacientes graves requer atenção, perícia, conhecimentos e isso eu tinha um pouco. Aos poucos, fui mudando o meu olhar para o que havia me levado para a sala de emergência, pois os prazos tinham que ser cumpridos.

Um dia andava pelo corredor com o meu bloco fazendo anotações e uma acompanhante de paciente me perguntou:

“Você é pesquisadora?” Parei e ela apontou para o meu crachá e acenei afirmativamente com a cabeça. Aí ela me disse: “Então escreve aí no seu papel: a minha mãe não tomou banho até agora porque não tem cadeiras de rodas para levá-la até o banheiro. Como vou fazer?” Perguntei o nome da mãe dela e em qual leito estava e fui até a Observação. Comuniquei o fato à enfermeira que estava de plantão. Ela me explicou que tinha muitos pacientes que necessitavam da cadeira de rodas para ir ao banho, e os pacientes e acompanhantes tinham se organizado em uma espécie de “fila” e não havia possibilidade de “passar” alguém na frente. Retornei e disse isso à acompanhante e ela me informou que já sabia, mas achou que falando comigo, a cadeira chegaria mais rapidamente.

Continuei andando pelos corredores e as pessoas começaram a me solicitar outras coisas: notícias, orientações, reclamações. Resolvia o que conseguia e anotava as queixas para depois passar para o responsável. Achei melhor retornar

para a sala e somente fazer anotações dentro dela ou na sala de estudo, pois os pacientes ficavam ansiosos comigo e eu com eles sem poder ajudar muito.

Ao mesmo tempo, ficava pensando que com a dinâmica do pronto- socorro e o volume de atendimento, muitas vezes, é impossível parar e prestar atenção nos acompanhantes e eles ficam fragilizados, sem orientação nesses momentos, o que, aliado com o adoecimento do paciente ou amigo, parece deixá-los ansiosos, sem esperanças e até mesmo agressivos.

Assim foram transcorrendo as observações. Um dia cheguei à sala de emergência e ela tinha nove pacientes no seu interior– a sua capacidade é de seis macas- e quatro estavam sendo atendidos no corredor. Os nove pacientes que estavam na sala, apresentavam estado grave. Olhei em volta e como os profissionais estavam muito ocupados nos cuidados aos pacientes, resolvi nesse dia calçar as luvas de procedimento e ajudar, estava de costas ajudando uma técnica de enfermagem e alguém falou atrás de mim: “Quem falou que ia apenas observar?”

Nesse dia, assumi o “ser enfermeira” e ajudei-os com a minha experiência de mais de 20 anos de atendimento a pacientes graves. Depois de quatro horas, fui embora com a sensação de “dever cumprido” por ter ajudado as pessoas doentes e os profissionais da sala de emergência. Mas a pesquisa... ficou para outro dia.