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In document FylkesROS 2022 (sider 102-111)

A abordagem ao ambiente nos EB tem sido feita com base numa lista de preocupações e problemas ambientais predefinidas, sem questionar o próprio conceito, ou seja, sem perguntar livremente aos inquiridos

o que é para eles o ambiente? Esta foi precisamente uma das questões iniciais

do inquérito nacional do Observa «Os Portugueses o Ambiente», apli- cado em 1997, que revelou, de forma evidente, a polissemia do termo, sobretudo por se tratar metodologicamente de uma questão aberta (Lima, Coimbra e Figueiredo 2000).

Desde 2008, a pergunta está também presente nos Eurobarómetros, ainda que de forma fechada – «quando se fala de ‘ambiente’, dos seguin- tes temas, em que é que pensa em primeiro lugar?». Entre a opinião pú- blica portuguesa, as respostas apontam para a presença de duas grandes categorias: a poluição urbana e a proteção da natureza. Seguem-se as cate- gorias mais mediáticas, nomeadamente as alterações climáticas que em 2008 estavam «em alta» (ver nota 4), os desastres antrópicos e ainda os desastres naturais, isto é, assuntos ambientais que têm feito notícia. Com percentagens menores surge a associação de ambiente a paisagens verdes e agradáveis, ao estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar, à exploração de recursos naturais e à qualidade de vida do sítio onde vive. Entre 2008 e 2011, mantêm-se as tendências de resposta, ganhando re- levo a categoria sismos, cheias e outros desastres naturais, tendo em conta al- gumas ocorrências com maior impacto (por exemplo, as trágicas cheias na ilha da Madeira, em 2010).

Em 2011, a média da UE27 aponta para uma maior diversidade de respostas em comparação com Portugal, predominando a associação de ambiente à ideia de proteger a natureza. Em segundo lugar surge o es-

tado do ambiente que os nossos filhos vão herdar, o que contrasta com visão

de mais curto prazo que as respostas dos portugueses manifestam. As paisagens verdes e agradáveis e a qualidade de vida do sítio onde se vive também apresentam valores mais elevados entre o conjunto dos europeus, expressando uma maior associação do ambiente a uma vi- vência local e quotidiana e ao usufruto de uma envolvente natural agra- dável. De uma forma global, os portugueses revelam uma conceção mais desqualificada e dramatizada do ambiente, que se manifesta na sua maior associação a poluição urbana, alterações climáticas, desastres antrópicos, desastres naturais e exploração de recursos naturais, cate- gorias que correspondem a 58% do total das respostas, contra 47% da média UE27.

Do ponto de vista sociodemográfico, na amostra nacional verifica-se que os homens privilegiam a associação à proteção da natureza e alterações climáticas, enquanto as mulheres enfatizam a poluição urbana e o estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar (figura 1.6).

Os jovens dos 15-24 anos indicam, mais do que os outros grupos etários, as alterações climáticas, a exploração de recursos naturais e ainda proteger a natureza. O grupo etário dos 25-39 anos salienta o estado do ambiente

Quadro 1.1 – Quando se fala de «ambiente», dos seguintes temas, em que é que pensa em primeiro lugar? (2008 e 2011) (%)

Portugal UE27 2008 2011 2011 Poluição urbana 27 20 13 Proteger a natureza 18 20 17 Alterações climáticas 13 11 13 Desastres antrópicos (marés negras e acidentes

industriais, etc.) 10 11 9 Sismos, cheias e outros desastres naturais 5 10 6 Paisagens verdes e agradáveis 9 7 10 O estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar 7 7 14 Exploração de recursos naturais 2 6 6 A qualidade de vida do sítio onde vive 6 5 9 Fonte: EB68.2 (2008) e EB 75.2 (2011).

Figura 1.6 – Temas que associa a ambiente, segundo o género, 2011, Portugal (%)

Fonte: EB 75.2 (2011).

Poluição

urbana Proteger anatureza Alteraçõesclimáticas antrópicosDesastres (marés negras e acidentes industriais, etc.) Sismos, cheias e outros desastres naturais Paisagens verdes e agradáveis O estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar Exploração de recursos naturais A qualidade de vida do sítio onde vive Homens Mulheres

que os nossos filhos vão herdar, poluição urbana e desastres antrópicos. Quanto ao grupo etário entre os 40-54 anos é o que mais associa ambiente a proteger a natureza, paisagens verdes e agradáveis e exploração de re- cursos naturais. Por fim, os indivíduos com mais de 55 anos são os que mais associam ambiente a sismos, cheias e outros desastres naturais e à qualidade de vida do sítio onde vive.

Tendo em consideração a variável escolaridade, os estudantes identifi- cam o ambiente essencialmente com proteger a natureza, poluição ur- bana e exploração de recursos naturais. Por seu turno, os que saíram da escola mais cedo (antes dos 15 anos), ou seja, os menos escolarizados, são os que mais peso atribuem a desastres antrópicos e sismos, cheias e outros desastres naturais. Os portugueses que frequentaram a escola até aos 16-19 anos enfatizam as alterações climáticas e paisagens verdes e agradáveis e ainda, tal como os indivíduos que permaneceram no ensino para além dos 20 anos, o estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar. Na análise desta variável, de salientar que, quanto maior o nú- mero de anos de escolaridade, maior é a associação de ambiente à explo- ração dos recursos naturais e às alterações climáticas (figura 1.7).

O nível de informação dos inquiridos apresenta alguma influência sobre a associação do ambiente a diferentes categorias. Assim, quem se consi- dera mais informado identifica sobretudo proteger a natureza, alterações climáticas e paisagens verdes e agradáveis. Por seu turno, os que se au- toavaliam como menos informados, associam ambiente sobretudo a sis- mos, cheias e outros desastres naturais e poluição urbana (figura 1.8).

Em suma, ao solicitar-se que identifiquem o que associam ao termo

ambiente, os portugueses referem sobretudo a natureza e a poluição, enfa-

tizando também a temática das catástrofes naturais e antrópicas. Este último aspeto assume maior impacto na mediatização dos problemas ambientais e é referido sobretudo pelos mais velhos e menos escolarizados. Em geral, sublinha-se por parte dos portugueses uma visão menos moderna, preo- cupada ainda com os problemas de primeira geração e mais «desligada» da sustentabilidade do que a média dos europeus. Uma diferença impor- tante prende-se com a escolaridade e a idade, manifestando os mais es- colarizados e os mais jovens uma visão mais próxima da média europeia, ao relacionarem o ambiente com as alterações climáticas e a exploração dos

Figura 1.7 – Temas que associa a ambiente, segundo a idade de saída da escola, 2011, Portugal (%)

Fonte: EB 75.2 (2011).

Figura 1.8 – Temas que associa a ambiente, segundo a autoavaliação do grau de informação, 2011, Portugal (%)

Fonte: EB 75.2 (2011).

Poluição

urbana Proteger anatureza Alteraçõesclimáticas antrópicosDesastres (marés negras e acidentes industriais, etc.) Sismos, cheias e outros desastres naturais Paisagens verdes e agradáveis O estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar Exploração de recursos naturais A qualidade de vida do sítio onde vive –15 16-19 +20 Estudantes Poluição

urbana Proteger anatureza Alteraçõesclimáticas antrópicosDesastres (marés negras e acidentes industriais, etc.) Sismos, cheias e outros desastres naturais Paisagens verdes e agradáveis O estado do ambiente que os nossos filhos vão herdar Exploração de recursos naturais A qualidade de vida do sítio onde vive

Preocupações ambientais, variações

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