6. Analysen
6.6 Boplasser og verkstedsplasser på Sjælland
No tocante às tipologias de estudos de avaliação duas observações se fazem necessárias antes de avançar na discussão proposta sobre a temática. Em primeiro lugar, há que se identificar e ter clareza do que não é considerado avaliação do que é classificado como tal.
Em segundo lugar, é necessário reconhecer que a classificação constante na literatura que trata sobre a temática varia de acordo com os critérios adotados pelo (a) pesquisador (a).
Referente ao que não pode ser considerada avaliação, Stufflebeam; Shinkfield (1987 apud AGUILAR; ANDER-EGG, 1994) referem sobre dois tipos:
i. Pseudo-avaliações: “são avaliações „dirigidas ou utilizadas sub- repticiamente para provocar um ponto de vista determinado, positivo ou negativo, sobre um objeto, independentemente da avaliação objetiva de seu valor ou mérito‟. Neste caso, a informação é distorcida e falsificada e, na melhor das hipóteses, utilizada seletivamente” (AGUILAR; ANDER- EGG, 1994, p. 37). Quando se está avaliando ou realizando uma pesquisa avaliativa é necessário assegurar os critérios de cientificidade, ou seja, a (s):
a) condução da pesquisa deve ser realizada de forma ética e com transparência. Isso pressupõe que os sujeitos pesquisados sejam
informados, de forma geral e sintética, sobre os objetivos, os motivos, os procedimentos e o uso do conteúdo das informações dadas – assinado pelos pesquisados em termo de consentimento informado livre e esclarecido –. Além disso, os dados sistematizados deverão ser devolvidos/publicizados aos envolvidos na pesquisa, seja em forma de relatório, artigos, apresentação em seminários e similares, no sentido de garantir a transparência; b) fontes e procedimentos para a coleta de informações devem ser
fidedignos e os dados precisam garantir a confiabilidade. As fontes de informações podem ser diversas, citam-se algumas: observação, história oral e história de vida, publicações avulsas (livros), publicações seriadas (revistas e jornais), teses e dissertações, documentos impressos ou eletrônicos resultantes de eventos (Congressos, Seminários, Encontros, Simpósios, dentre outros), documentos de acesso exclusivo em meio eletrônico (bases de dados, listas de discussão, site, arquivo em disco rígido, programas, mensagens eletrônicas entre outros), documentos oficiais, depoimentos, reuniões com usuários e/ou profissionais. No entanto, é preciso lembrar que as fontes e os procedimentos de coleta de dados “[...] pelas suas próprias características, apresentam uma série de vantagens, mas é limitado em vários aspectos” (LUNA, 2000, p. 59).
c) organização dos dados deve obedecer às regras básicas de sistematização, de modo a revelar e comunicar adequada informação técnica sobre o que determina o valor ou mérito do conteúdo ou objeto a ser avaliado. Importa acentuar que a linguagem deve “[...] se caracterizar por uma exposição e argumentação baseada nos preceitos jurídico-legais e conhecimentos que a sociedade já produziu [e] ser objetiva, clara, portanto, ter coerência e coesão garantindo que o comunicado será compreendido” (OLIVEIRA, 2007, p. 9, complementações entre colchetes nossa);
d) análise dos dados obtidos: “a recolha do material, ainda que bem feita, não exime o [pesquisador] de ter que realizar uma análise exaustiva dos fatos, organizá-los e reorganizá-los, descrevê-los, fazer interpretações, destrinchar os discursos, os dados, os processos, os acontecimentos históricos” (BAPTISTA, 2003, p. 64). Isso possibilita ao pesquisador construir e reconstruir diferentes momentos de síntese, reexaminar seus objetivos, procedimentos, evidências e saberes. “Nesse processo, a reflexão vai caminhando, articulada com elementos que emergem do real, sem deixar nada de fora – o aqui, o agora, o antes, o daqui a pouco –, em um movimento que articula a descrição, a interpretação, a compreensão e a explicação dos dados de realidade” (BAPTISTA, 2003, p. 64). Para que esta articulação se dê, é necessário que a busca dos significados aos dados sistematizados se apoie em conhecimentos científicos. Trata-se de produzir um conhecimento que supere o conhecimento do senso comum, “[...] quebrando a visão manipuladora, instrumental e imediata da objetividade que se põe necessariamente nas relações sociais, de conta, simultaneamente, do real sensível e das contradições nele inerentes” (BAPTISTA, 2003, p. 47).
Acrescenta-se ainda que as pseudo-avaliações podem ser classificadas em (STUFFLEBEAM; SHINKFIELD, 1987 apud AGUILAR; ANDER-EGG, 1994): a) avaliações encobertas, conhecidas por avaliações politicamente controladas e tem por finalidade obter, manter ou incrementar influência, poder ou dinheiro. Em outras palavras, omitem dados aos sujeitos beneficiários e/ou interessados nos resultados dos estudos efetuados ou emitem parcialmente as informações coletadas, divulgando apenas o que lhes interessa, constituindo-se num exercício autoritário de poder; b) estudos baseados nas relações públicas, que têm como finalidade “[...] „criar uma imagem positiva de uma instituição, um programa, um sistema e similares‟[...]” (p. 38), caracterizando-se como uma estratégia de marketing, podendo omitir os aspectos negativos ou críticos.
ii. Quase-avaliações: “trata-se de avaliações que nem sempre permitem formular um juízo valorativo, levando em conta que as questões de „valor‟
costumam ser secundárias ou tangenciais [...]” (AGUILAR; ANDER-EGG, 1994, p. 39). Podem ocorrer de duas formas, contemplando estudos baseados em objetivos e na experimentação.
a) Estudos baseados em objetivos, “[...] são eles uma forma de avaliar que se limita a „determinar se os objetivos foram alcançados e, de acordo com isto, concluir se houve ou não êxito no trabalho avaliado‟. Entretanto, poder especificar até que ponto os objetivos propostos foram alcançados não permite emitir um juízo de valor sobre um programa, plano, atividade ou serviço” (AGUILAR; ANDER-EGG, 1994, p. 39). Exemplo disso: Situação 1 – Programa Habitação para Todos do município X que tem uma população de 10 mil habitantes e comporta 2.500 famílias. Destas 2.500 famílias, 500 famílias que residiam próximas a um rio perderam suas residências com uma enchente. O objetivo do programa é construir moradias para as pessoas atingidas pela enchente. Estudo avaliativo do Programa Habitação para Todos do município X, que tem como um de seus objetivos: verificar o percentual de atendimento à população usuária do programa. Resultado: todas as famílias foram beneficiadas com o programa, ou seja, foi alcançada a meta de 100%. Conforme pode ser observado, apesar de o objetivo ter sido cumprido isso não evidencia o valor do programa, pois não é considerada: sua condição de ocupação (se a moradia tem portas, janelas, banheiro, por exemplo); a compatibilidade entre o número de cômodos do imóvel e o número de pessoas; os serviços de saneamento disponíveis (como abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo); acesso à iluminação elétrica, dentre outros.
b) Estudos baseados na experimentação “[...] nem sempre incluem questões relacionadas com os juízos de valor. Sua limitação provém do método utilizado que, embora possa dar informação sobre relações causas, nem sempre permite a formulação de um juízo de valor, o que é um aspecto substancial da avaliação. [...] só considera os problemas que podem ser estudados com o método
experimental [...]” (AGUILAR; ANDER-EGG, 1994, p. 40). Esse tipo de estudo se apóia no paradigma positivista e “[...] pretende que os conhecimentos opinativos ou intuitivos e as afirmações genéricas sejam substituídos por conhecimentos rigorosamente articulados, submetidos ao controle de verificações empíricas e comprovadas por meio de técnicas precisas de controle” (CHIZZOTTI, 2006, p. 28). Quanto ao método utilizado por este tipo de pesquisa “[...] preconiza que a ciência é uma e que os fatos humanos e sociais não diferem dos fatos das ciências da natureza. Preconiza ainda que o mesmo modelo de pesquisa das ciências naturais deve servir para legitimar as afirmações científicas das ciências do homem” (CHIZZOTTI, 2006, p. 29).
Referente ao que pode ser considerado de avaliação, a literatura que trata da temática faz menção a vários tipos, definindo-os a partir de diferentes critérios como: i) o momento em que se avalia; ii) a natureza, o papel ou função da avaliação; iii) a procedência dos avaliadores; iv) os aspectos do programa que são objeto de avaliação ou o conteúdo da avaliação. Entende-se que esse último critério deve ser abordado junto aos objetivos da avaliação (item 2.4 Objeto e Objetivos da Pesquisa Avaliativa) em vista da interconexão que possuem um em relação ao outro.
Segundo o momento em que se avalia, os autores Aguilar; Ander-Egg (1994), Cohen; Franco (1993) e Barreira (2002 e 2002a) fazem a seguinte categorização, aqui condensada no Quadro 3 que segue.