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Nos anos 70, explicam Spada e Lightbown (2008), uma nova pedagogia de ensino comunicativo de línguas e uma nova visão teórica de aquisição de segunda língua enfatizou a importância do desenvolvimento da competência linguístico-comunicativa44 na língua que acontece enquanto os aprendizes estão engajados em atividades que focam o sentido45. Ainda segundo essas autoras, um tipo de ensino comunicativo de línguas que se tornou

especialmente conhecido é a instrução baseada em conteúdos – content-based instruction (CBI) – na qual a nova língua é um veículo para a aprendizagem de um assunto que seja de interesse e relevância para o aprendiz46(Spada e Lightbown, op. Cit.).

Brinton e Snow (2008) caracterizam brevemente CBI como a integração de conteúdo

selecionado com os objetivos de ensino de língua47 e, na mesma ocasião, fazem uso da definição de Brinton, Snow, e Wesche (2003, p. 2), a qual também foi utilizada por Brown (2001) em estudo no qual discute abordagens, métodos e técnicas no ensino de línguas.

As referidas autoras, Brinton e Snow (op. Cit.), também definem CBI como a integração de um conteúdo específico com o objetivo de ensinar línguas, e explicam que o currículo linguístico é baseado diretamente nas necessidades acadêmicas dos estudantes e geralmente a sequência é determinada pelo conteúdo da disciplina ao lidar com os problemas relacionados à língua com os quais os alunos se deparam. O foco dos estudantes é a aquisição

44 Competência Linguístico-Comunicativa do Aprendiz é Capacidade de interação do aprendente numa (nova)

língua sob a influência de certas atitudes e materializada por um conjunto de habilidades que colaboram para o uso real correto e adequado da língua. Esta competência se revela freqüentemente por meio de uma estimativa de PROFICIÊNCIA avaliada ou apenas aferida em índices ou faixas. Um indicador físico de proficiência, e de competência lingüístico-comunicativa antes dela, é a FLUÊNCIA. (Glossário de termos da linguística aplicada, 2009).

“In the 1970’s, a new pedagogy of communicative language teaching (CLT) and a new theoretical view of second language acquisition (SLA) emphasized the importance of language development that takes place while learners are engaged in meaning-focused activities.”

%“One type of CLT that has become especially wide-spread is content-based instruction (CBI) in which the new

language is a vehicle for learning subject matter that is of interest and value to the learner.”

de informações por meio da segunda língua e, nesse processo, há o desenvolvimento das habilidades linguísticas48.

Em estudos desenvolvidos no Brasil, que discutem esse tipo de ensino, encontramos definições semelhantes como, por exemplo, aquela apresentada por Donadio (2007), o qual também considera que o ensino de línguas com base em conteúdos se dá ao unirmos esses dois objetivos, como apresentamos a seguir, utilizando-nos das palavras desse autor.

(...) o objetivo pressuposto para a CBI é: trazer conteúdo significativo para o ensino de línguas; organizar os cursos de línguas em redor do conteúdo, que define o que deve ser ensinado; ensinar a língua e o conteúdo concomitantemente para promover a aquisição da língua estrangeira.

Algumas premissas básicas, assim intituladas e descritas por Brinton e Snow (op. Cit.), foram apresentadas durante as discussões feitas pelas referidas autoras, as quais comentaremos a seguir devido à necessidade de melhor aclarar nosso entendimento sobre o CBI49.

A primeira premissa descreve o objetivo do CBI, ou seja, providenciar um contexto significativo para que o ensino de língua ocorra, sendo que esse contexto é provido pelo tema ou pelo conteúdo acadêmico que é selecionado como princípio organizador – segunda premissa.

O conteúdo direciona o currículo como, por exemplo, sendo o ponto de início para decisões sobre a seleção e a sequência linguística; essa é a descrição da terceira premissa.

48 “(…) we define content-based instruction as the integration of particular content with language-teaching aims.

(…) The language curriculum is based directly on the academic needs of the students and generally follows the sequence determined by a particular subject matter in dealing with the language problems which students encounter. The focus for students is on acquiring information via the second language and, in the process, developing their academic language skills.”

49 “Some basic CBI premises: 1. The goal of CBI is to provide a meaningful context for language teaching to

occur. 2. This context is provided through the theme or academic content that is selected as the organizing principle. 3. Content drives the curriculum, i.e., it is the starting point for decisions about language selection and sequencing. 4. Language and content are taught concurrently. 5. Comprehensible input, provided through the content materials, fosters language acquisition. 6. Overt attention to language and skill instruction complements the input students receive via the content materials; this focus on form leads to comprehensible output.”

Em suas quarta e quinta premissas, as autoras mencionadas ponderam que língua e conteúdo são ensinados concomitantemente e que o insumo compreensível fornecido por meio do conteúdo auxilia na aquisição da língua.

A atenção explícita à língua e as instruções das habilidades complementam o insumo que os estudantes recebem via conteúdo; este foco na forma leva à produção compreensível.

Ainda pautando-nos nas discussões de Brinton e Snow (op. Cit.) apontamos uma referência ao estudo de Mohan (1986), o qual apresenta argumentos favoráveis ao ensino baseado em conteúdos com os quais concordamos: 1. a língua não deveria e não poderia ser

ensinada isoladamente do contexto e 2. o conteúdo autêntico forneceu o contexto mais rico e natural para que o ensino de língua ocorresse50.

Considerando todas essas características e nossa prática pedagógica, a qual é pautada nos fundamentos teórico-práticos do ensino comunicativo e que o intuito é engajar os alunos- participantes desta pesquisa, parece-nos coerente seguir essa perspectiva. Contudo, o objetivo principal não é o ensino de um conteúdo específico, mas proporcionar aos alunos um contexto verossímil visando à aprendizagem de língua.

Dessa maneira, podemos caracterizar o curso por nós oferecido como um curso baseado em temas – theme-based course – sendo que esse tipo de ensino é encontrado como uma subdivisão do CBI.

Segundo Brinton, Snow, e Wesche (2003, apud Brinton, 2008), o ensino baseado em temas refere-se ao ensino que tem seu foco voltado para temas específicos, os quais devem ser de interesse dos aprendizes e também relevantes para os mesmos. Os temas fornecem o ponto de partida para o ensino com foco na língua e nas habilidades. Esses temas criam o princípio

de organização do curso. Tipicamente, os temas são estendidos por várias semanas e

50 “CBI is often traced to the appearance of Mohan’s Language and Content. In this text, Mohan claimed that…

1. language should and could not be taught in isolation from content; 2. authentic content provided the richest and most natural context for language teaching to occur.”

fornecem um insumo rico que permite aos aprendizes adquirir a segunda língua51 (Brinton, Snow, e Wesche, 2003, apud Brinton, 2008).

O curso por nós proposto, como explicaremos mais detalhadamente no próximo capítulo, possui essas características, ou seja, foi pautado em temas (4) os quais podem ser caracterizados como de interesse dos alunos, pois eles próprios os escolheram antes do início do curso, e são também relevantes, assim por nós considerados, pois envolvem discussões no âmbito cultural e social. Além disso, esses temas serviram de ponto de partida para a organização do curso e para o desenvolvimento de atividades que contemplassem as habilidades e permitissem que os aprendizes adquirissem novas estruturas linguísticas.

No estudo de Spada e Lightbown (2008) encontramos uma argumentação a favor da instrução com foco na forma integrada, sobre a qual discorremos a seguir, em contextos de ensino comunicativo e com base em conteúdos. As autoras defendem que essa união tem um

grande potencial para facilitar o desenvolvimento da fluência e da acuidade linguística52. No que tange à opção em adotar tal proposta para nosso curso, também nos pautamos nas palavras de Brinton e Snow (2008) que declara que o CBI é mais bem aproveitado com

alunos de nível intermediário, os quais já possuem uma base em língua inglesa53, tal como os alunos – participantes desta pesquisa.

As autoras Spada e Lightbown (op. Cit.), iniciando o artigo que discute o papel da instrução a qual é fornecida por meio de atividades separadas (isolada) e daquela fornecida em contextos de atividades comunicativas (integrada), declaram sobre o crescente consenso nesse tipo de ensino.

51 “Theme-based instruction refers to instruction that focuses on specific themes of interest and relevance to the

learners. The themes provide the point of departure for skill- and language- based instruction. They create the organizing principle for the course. Typically, themes extend over several weeks and provide rich input that allows learners to acquire the L2.”

“Providing integrated FFI (form-focused instruction) in CLT and CBI contexts is the instructional model that has the greatest potential for facilitating the development of fluent and accurate language that is available for use outside the classroom.”

53 “It (CBI) works best with ESL/EFL students of at least intermediate level who already have a basic foundation

(...) há um crescente consenso em relação à visão de que a instrução com foco

na forma auxilia os aprendizes inseridos em contextos de ensino comunicativo e com base em conteúdos a aprenderem aspectos da língua ensinada os quais eles provavelmente não adquiririam sem direcionamento54.

Nesse estudo as autoras apresentam os termos isolado e integrado, os quais significam, respectivamente, o ensino da forma por meio de atividades que são separadas do uso comunicativo da língua, mas ocorre como parte de um programa que também inclui CLT (Communicative Language Teaching) e / ou CBI; e o ensino por meio do direcionamento da atenção dos aprendizes à estrutura linguística durante uma instrução comunicativa ou baseada em conteúdos.

A diferença entre essa discussão e aquela feita por Long (1991) é pontuada pelas próprias autoras, as quais afirmam que essa abordagem de ensino de formas isoladas é diferente daquela denominada Foco-em-formas (que se refere à instrução e prática da língua organizada com base em pontos gramaticais pré-estabelecidos em um programa estrutural), pois no ensino isolado das formas, as atividades com esse objetivo fazem parte de outra atividade, a qual é comunicativa ou com base em conteúdos.

Nessa perspectiva e considerando que no ensino de gramática como habilidade esses dois momentos de ensino são previstos: o integrado quando há o direcionamento para a conscientização e o isolado em um momento de reflexão, acreditamos ser plausível a relação entre esse estudo brevemente apresentado e discutido e a proposta de ensino que nos propusemos a investigar. Utilizamos, também, algumas considerações teóricas apresentadas em tal estudo para nos auxiliar na análise de dados.

“There is increasing consensus that form-focused instruction helps learners in communicative or content-based instruction to learn features of the target language that they may not acquire without guidance.”