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Boligpriser og gjeld

In document Finanspolitikk i en oljeøkonomi NOU (sider 145-148)

Del II Analyse

8.2 Noen viktige trekk ved

8.2.3 Boligpriser og gjeld

Não é propósito deste trabalho fazer a história da kizomba, no entanto há questões identitárias associadas à origem da dança, que entram, por vezes, em contacto com questões de representação e de legitimidade na construção de um ofício artístico múltiplo, emergindo como importantes no nosso objeto, pelo fato dos não consensos referentes ao percurso histórico, serem geradores de tensões perante as quais os atores têm necessidade de efetuar um trabalho de posicionamento e de identificação.

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Durante este trabalho afastamo-nos da designação da kizomba como dança

africana. Ao fazê-lo, não estamos a querer remover esta prática de dança das suas origens identitárias, mas antes a tentar afastar-nos de generalizações que podem agrupar realidades muito dispares entre si.

Na obra L'Enseignement de Danses du Monde et des Danses Traditionnelles (Apprill et al., 2013: 142), tomamos conhecimento de que a primeira dança do mundo praticada em França, de acordo com os cursos identificados, é «a» dança africana, «que é também talvez aquela que concentra mais juízos a priori». Sendo referido no ponto

Danses Africaines que falar «das» danças africanas ou de «a» dança africana, não nos direciona para um conjunto homogéneo sobre o território africano», mas antes coloca- nos perante uma multitude de tradições dançadas, em que, por exemplo, as danças da África Ocidental são diferentes das da região do Magreb.

Segundo um entrevistado mobilizado na obra de Apprill et al. (2013: 142): Para mim, dança africana, não me quer dizer nada, é como se nós disséssemos dança europeia, quando há diferenças enormes entre as danças dos diferentes países da Europa… Mas tornou-se uma denominação incontornável para ser-se identificado como professor.

Segundo Maria Pinto no seu trabalho Danças africanas e interculturalidade (2014: 31), «as pessoas referem-se à “África” como se se referissem a um único país», num olhar estereotipado do Ocidente; numa visão de uma «África de há 500 anos», evitando-se conhecer a «África de hoje», havendo um etnocentrismo dos ocidentais, mas igualmente, uma «persistência dos africanos nessa mesma imagem, na tentativa de corresponder às expectativas do ex-colono».

Maria Pinto (2004: 32) evita a terminologia utilizada em Portugal de «dança africana» no singular, tendo detetado as «influências de danças de diversos lugares», mobiliza neste contexto Morin (1996 in Pinto 2004: 31) e a sua perspetiva de que se deve evitar a «simplificação semântica» que tende a uma «homogeneização cultural», optando antes pela noção de «danças africanas» no plural, de forma a…

sublinhar o mosaico de etnias, povos, costumes e religiões, no fundo, o conjunto de diferentes realidades culturais, políticas e econômicas presentes no continente africano, em que diversidade é sinónimo de partilha de identidades e de fronteiras permeáveis.

Mas mesmo assim, segundo Pinto (2004), a noção de «danças africanas» no plural, presta-se a generalizações, ilustradas com a perspetiva de Tércio (2010 in Pinto

23 2004: 32) de o termo ter um «pressuposto eurocêntrico», nunca tendo ouvido Tércio (idem) «falar em danças europeias», levando a designação de «danças africanas» a uma uniformização de um Continente. A autora acrescenta (Pinto 2004: 32) como exemplo, que «nunca se diz “dança espanhola”, diz-se flamenco, ou diz-se sevilhanas».

Afastamo-nos, desta forma, da qualificação da kizomba como dança africana, por concordarmos que, tal como não faz sentido a designação de danças europeias, não o faz também generalizar para o Continente Africano que, como é referido na obra coordenada por Apprill (et al., 2013: 142), contém no seu interior uma multiplicidade de «realidades étnicas e sociais».

Outro motivo que nos leva a evitar a qualificação da kizomba como dança

africana, é que na consulta de literatura para este trabalho, esta designação nos encaminhou para trabalhos da etnologia do estudo dos “primitivos”, ou para trabalhos sobre danças africanas performativas a solo de tipo etnográfico praticadas na Europa, que nada têm a ver com a realidade da dança social de par kizomba ensinada pelos nossos entrevistados. Não se deseja igualmente que haja equívocos entre a realidade que procuramos compreender melhor e a realidade de outros trabalhos sobre objetos bem díspares, por estes ficarem associados sob uma designação demasiado abrangente.

Oyebade na sua obra Culture and Costums of Angola (2007: 156), no ponto sobre a kizomba e a tarraxinha, faz uma descrição que tem em conta várias abordagens que detetamos em imersão nos discursos de vários atores. Para Oyebade, a kizomba e a tarraxinha são formas de dança similares, mais íntimas, sensuais e lentas que o semba. Como o semba, a kizomba é normalmente dançada com um par em leve abraço. Não havendo segundo o autor, consenso sobre as origens da kizomba. Para uns a origem é Angolana com a influência de outros países Lusófonos, já outros perspetivam a origem nas ilhas de Cabo-Verde. Autor que associa a kizomba à África Lusófona e a Portugal, em particular às comunidades imigrantes desta origem nos subúrbios de Lisboa, algo que vai no sentido do expresso pelo nosso entrevistado Gabriel, introdutor do ensino formal da prática em ofício no Algarve, referindo o entrevistado, que a kizomba terá sido “destilada” em Lisboa, a partir «dos indivíduos dos PALOPs ao fazerem as suas festas» numa mescla de várias influências musicais, como do semba (Angola) e do

funana (Cabo-Verde), e da introdução de sonoridades de teclados e de um ritmo mais lento.

Hélio Santos e Guilherme Mendonça (2016) apontam no seu ensaio a dificuldade em encontrar fontes académicas específicas sobre a dança kizomba, notando

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a falta de investigação sobre a mesma, não havendo estudos nem consenso sobre as origens da kizomba. Os autores detetam a existência de quatro hipóteses: a de ter origem angolana, a de ter origem cabo-verdiana; a de ter uma origem mista angolana e cabo-verdiana; e por fim uma origem mista angolana e antilhana.

Não iremos generalizar a kizomba como dança africana, preferindo-se perspetivar a dança kizomba como associável à África Lusófona e respetiva diáspora, emergindo fruto de várias influências.

Para procura de uma melhor compreensão da dança kizomba, das trajetórias e identidades dos nossos entrevistados e dos respetivos espaços em que trabalham, parece-nos pertinente a definição da dança já expressa neste trabalho de Hanna (1970: 19 e 20 in Apprill, 2005: 28). Já sob a tutela desta conceptualização de dança, consideraremos a kizomba como uma dança de par enlaçada (ou fechada), sublinhando-se a dualidade homem/mulher (Badiou, 1993, in Apprill 2005: 70), num enlaçamento que coloca os bustos face a face, por vezes em contato (Apprill, 2005) - julgando nós que no caso da kizomba este contacto pode ocorrer mais frequentemente do que em outras danças de par - devendo cada um aceitar o outro na sua esfera pessoal (Apprill, 2005). Predominantemente é uma prática social de dança em «improvisação a dois» (Warnod, 1922 in Apprill, 2005: 70), apesar de a sua popularização ter incrementado alguma vertente performativa desta dança. Enquanto prática de ensino, tendencialmente destina-se a públicos que não efetuaram a sua «aprendizagem por imersão» (Apprill: 2012: 184), públicos que não foram socializados nesta prática de dança. Ainda enquanto prática de ensino, entendemos que em geral destina-se a públicos consumidores de danças “exóticas” conforme abordámos no ponto anterior deste trabalho.

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