As metodologias para sistematização das informações sobre impactos, vulnerabilidades e medidas de adaptação para o tema Cidades são as mesmas descritas no item 4.1.7 desse relatório.
A seguir é apresentada a sistematização dessas informações para o tema Cidades (Quadro 4.5.8).
Quadro 4.5.8 - Dimensões das avaliações de vulnerabilidades e impactos para o tema Cidades VULNERABILIDADE
Sistema Vulnerável
Grupo populacional: Maior vulnerabilidade incide sobre populações de baixa renda localizadas em áreas de riscos como assentamentos irregulares em encostas e várzeas.
Áreas urbanas vulneráveis: cidades nordestinas, do noroeste de Minas Gerais e das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Manaus.
Perigos (fatores de estresse)
Perda da biodiversidade;
Aumento no nível do mar (para cidades em áreas litorâneas) e eventos correlacionados; Mudança nos índices de precipitação;
Aumento da frequência de eventos extremos que causam desastres naturais, como: Enchentes, inundações e alagamentos: hidrológico e súbito;
Escorregamentos de encostas: geológico e súbito; Erosão costeira: geológico e súbito;
Secas: climatológico e gradual;
Tempestades e vendavais: meteorológico e súbito;
Temperaturas extremas (ondas de calor e frio): meteorológico e súbito;
Epidemias: biológico e somação de efeitos parciais.
Atributo(s) valorizado(s) ou variáveis de interesse
Bem-estar, saúde e segurança de população urbana; Sustentabilidade ambiental urbana;
Desenvolvimento econômico de centros urbanos; Lazer e turismo.
Horizonte temporal
Os horizontes temporais utilizados são: 2030, 2050 e período de trinta anos (longo prazo).
IMPACTO
Efeitos decorrentes das mudanças climáticas Região Metropolitana de São Paulo (RMSP):
Impactos Biofísicos
Aumento do número de dias com fortes chuvas até 2100, resultando numa maior incidência de eventos climáticos extremos e desastres naturais correlacionados;
Uma parcela significativa da população se tornará cada vez mais exposta ao risco de doenças respiratórias e por contaminação através da água;
Inundações de extensas áreas urbanizadas da planície fluvial dos principais cursos d’água da Bacia do Alto Tietê;
Enxurradas com alta energia de arraste e alagamentos em áreas populosas; Lixo lançado nos cursos d’água; escorregamentos em taludes de corte e aterros; Escorregamentos em encostas naturais com moradias;
Aumento do número de doenças infecciosas de veiculação hídrica causadas pelo contado com água contaminada;
Aumento das doenças respiratórias;
Aumento das doenças vetoriais (dengue, febre amarela e malária).
Impactos Socioeconômicos
Aumento da mortalidade em dias mais quentes e em períodos de ondas de calor, principalmente em crianças, idosos e pessoas mais pobres.
Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ): Impactos Biofísicos
Períodos de secas mais prolongados e eventos de tempestades com ventos mais fortes e chuvas de maior intensidade atingindo a população vulnerável nas cidades;
Possível mudança nas direções de propagação das ondas;
Aumento do nível do mar atingindo as moradias na faixa costeira;
Instabilização de encostas, alagamento de áreas de baixada, enchentes e devastação da infraestrutura urbana;
Crescimento de casos de dengue e leptospirose e mortes ocasionadas pela intensificação das chuvas;
Aumento da erosão costeira de acordo com o grau de exposição às ondas;
Impactos nas praias oceânicas urbanas com as projeções de aumento do nível do mar, devido à sua fixação com muros;
Elevação do nível freático, na inundação das zonas baixas e consequentemente no bloqueio do escoamento de canais e rios das baixadas.
Demais regiões metropolitanas: Impactos Biofísicos e Socioeconômicos
Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador, etc.: Impactos das mudanças climáticas deverão atingir, primeiramente, as populações localizadas em áreas de riscos como encostas e várzeas. Devido ao aglomerado humano nessas regiões, os riscos são ainda maiores;
Ondas de calor, precipitação intensa, períodos de seca mais extensos, entre outros, deverão causar enorme impacto na população, com altos custos monetários causados por danos materiais e, em muitos casos, perdas de vidas humanas.
Biodiversidade e serviços ecossistêmicos: efeitos de impacto imediato (como fornecimento de água, produção de alimentos e microclima); problemas de médio e longo prazo, como a menor capacidade de adaptação às mudanças climáticas em curso;
Migração do Nordeste para outras regiões do País nas próximas décadas.
Indicadores de ocorrência e/ou magnitude de impactos
Desnutrição infantil;
Doença de veiculação hídrica;
Doença de veiculação vetorial (dengue, malária, febre amarela); Mortalidade Infantil;
Mortalidade materna; Mortalidade de idosos;
Mortalidade por doenças do aparelho respiratório; Mortalidade por desastres socioambientais; Indicadores adicionais para Cidades Costeiras:
o Nível médio do mar e de ambientes costeiros;
o Transformações sofridas pelas ondas por efeito batimétrico; o Erosão induzida por marés meteorológicas;
o Espraiamento das ondas (alcance das ondas em situação de ressaca); o Efeito dinâmico das ondas sobre o nível médio do mar;
o Galgamento das ondas em estruturas costeiras; o Altura das ondas.
ADAPTAÇÃO Medidas de adaptação
Planejamento ambiental urbano: Zoneamento Ecológico-Econômico, Plano Diretor Municipal, Plano de Bacia Hidrográfica, Plano Ambiental Municipal, Agenda 21 Local, Plano de Gestão Integrada da Orla;
Agricultura metropolitana;
Plano Diretor Estratégico Municipal (PDE); Programa Cidades Sustentáveis;
Programa Minha Casa Minha Vida;
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); Parques Lineares.
Indicadores relacionados a medidas de adaptação
Mapeamento das zonas de risco ao longo da costa; Mapeamento das dunas frontais;
Número de projeto e de avaliação das estruturas costeiras; Centros de monitoramento de desastres naturais;
Centros de monitoramento climáticos;
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, públicos e privados e em atividades científicas e técnicas correlatas públicas;
Capacitação e capacidade de pesquisa sobre mudanças climáticas e cidades; Abastecimento público de água potável na área urbana;
Campanhas de educação ambiental; Ciclovias exclusivas;
Coleta seletiva;
Consumo de energia produzida por fontes renováveis; Distribuição de renda;
Divisão modal de transporte;
Edifícios novos e reformados que tem certificação de sustentabilidade ambiental; Eficiência energética;
População com ensino superior completo;
Orçamento da cidade destinado a transporte público; Percentual da população urbana que reside em favelas; Pessoas com renda per capita de até ½ salário mínimo; Pessoas com renda per capita de até ¼ salário mínimo; Reciclagem de resíduos sólidos;
Rede de esgoto (domicílios com ligação com a rede de esgoto); Número de Unidades Básicas de Saúde.