2.4 Ditch magnets
2.4.1 Block ditch magnets
Em tempos em que as tecnologias alteram significativamente as relações sociais e a produtividade, é imprescindível repensar a informação e conhecimento no ciberespaço. A disseminação da informação tem aflorado e marcado a essa era. Entretanto, na contramão dessa velocidade há a lentidão da comunicação, pois é cada vez mais evidente elementos que proporcionam a incomunicação. Um paradoxo se considerar que há mais facilidades para transmitir e muito mais dificuldades em comunicar e tornar a informação absorvida. A sociedade líquido-moderna é movida pela velocidade e o tempo efêmero. Essa lógica também é presente na produção da informação. Portanto, a instantaneidade é responsável pela cobertura e abordagem precária das informações.
A internet evidencia bem esse contexto. A obesidade informacional é o cenário da informação na sociedade líquida. A miséria informacional é o resultado da busca incessante pelo novo em detrimento da construção da informação contextualizada, historicizada e até mesmo multimídia. Essas características evidenciam a potencialidade da internet no sentido de permitir a comunicação, o conhecimento e a inteligência coletiva.
As informações são produzidas em surpreendentes escalas e bombardeadas no ciberespaço entre consumidores ávidos pelo novo e pelo imediato. É certo de que essa é a tendência da sociedade. É preciso demonstrar a importância de compreender a tendência da vida social, hábitos e mudanças como também problematizar a relação entre informação e conhecimento em um ambiente tão propício à reflexão, discussão, liberdade, mas que ainda é permeado pelo fascínio da velocidade que reduz o tempo de estar, ser e fazer.
A demanda e o público estão fortemente relacionados a este cenário. E jornalismo também vivencia essa efemeridade. As notícias se adaptaram e hoje, elas são representadas por regras que a tornam uma isca fácil para o perfil dos internautas. O portal Infonet assume essa postura ao produzir uma quantidade de notícias em um tempo já estipulado. O que se observa é que os textos não esgotam as expressões culturais abordadas e nem produzem um conteúdo da internet, cujas ferramentas potencializam o texto e podem até gerar o conhecimento.
A pesquisa optou por analisar os textos por meio dos elementos que caracterizam a internet e que permitem o compartilhamento das informações, estimulam a reflexão, o conhecimento e a inteligência coletiva. A maioria dos textos ainda herda elementos tradicionais dos outros meios, a exemplo do lead, do texto limitado pelo espaço e a utilização de imagens. Os
três meses analisados não apresentam um conteúdo com formato de internet. Fale-se em inovações, mas a trajetória da dimensão da informação da internet não é proporcional às possibilidades de construção do conhecimento. Tempo e espaço sinalizam uma tendência fluida em que não mínimas as negociações de sentidos que são estabelecidos nos textos publicados.
Além do texto aprofundado, os elementos empíricos coletados por meio da pesquisa identificam a necessidade de um estudo e implementação de novos produtos e formatos (áudio, vídeo,texto, infográfico, fotografia, entre outros). Certamente essa tarefa e investimento precisam de suporte e de uma equipe multidisciplinar, mas isso acontece em qualquer inovação.
O ciberespaço precisa conquistar sua autonomia e legitimidade. As limitações operacionais não devem limitar e mutilar um ambiente com potencial expressivo. É certo que a internet hoje incorpora funções bem diferentes das que assumiu inicialmente. Na Guerra Fria, a invenção da internet foi resultado da necessidade de armazenar informações e depois, por medida de segurança, envia-las para outros centros. Então se pode afirmar que ela está passando por uma fase, pois se acredita que ele pode executar e possibilitar muito mais do que se faz hoje. Provavelmente amanhã, ela se legitime e permita de fato o compartilhamento do saber, a construção do conhecimento, até então previsto e especulado.
O jornalismo sofre a lógica econômica, a concorrência e peca pela fragilidade da informação e pasteurização de textos de assessorias. Nesse sentido, o excesso de informação provoca a banalização da mesma. Não há verdade, legitimidade e nem credibilidade no que é produzido na internet. É preciso cuidado para não considerarem a informação-circo. As pessoas podem não ver mais sentido na quantidade de informação que é produzida. O acessível nem sempre é compreensível. É preciso outros elementos para dar sentido à informação. E esse elemento, certamente não é excesso de textos.
Essa enxurrada informacional fascina muitos usuários. Mas a tendência é que esse encanto se transforme no inverso. Os gêneros podem e precisam ser explorados mais profundamente. A construção da narrativa jornalística da internet a partir das características do meio precisa ser repensada. Além disso, o ciberespaço precisa trilhar novos caminhos e desenvolver conteúdos que prendam o internauta por mais tempo.
As expressões culturais foram o recorte escolhido para essa pesquisa com a finalidade de contrapor o cenário da produção da informação marcado pela velocidade e efemeridade. Possivelmente, seria oportuno abordar política e economia aqui tendo em vista que são assuntos
factuais e justificaria a necessidade de publicar o quanto antes, mesmo sem o tempo necessário para contextualizar e desdobrar os assuntos. Entretanto, o canal dedicado à Cultura no Portal Infonet valoriza o presente, explora a noticiabilidade e divulgação de eventos e abre mão de elementos como memória, hipertextualidade, entre outros necessários para a produção do jornalismo cultural de qualidade.
Os indivíduos da sociedade líquido-moderna precisam reavaliar eticamente as formas de produção de conhecimentos e informação, pois a fé absoluta na ideologia tecnológica causa problemas para a condição humana. O receio da defasagem precisa ser transformado em desejo de compartilhar e construir saberes, culturas, conhecimentos e compreensão.
Considerando que o conhecimento é um sistema aberto, essa dissertação também está inacabada e apta a sofrer alterações por parte de quem a ler a qualquer tempo e contexto. A proposta foi discutir a informação e o conhecimento em uma sociedade que ainda não se deu conta das conseqüências da miséria informacional acelerada pela velocidade proposta pela sociedade líquida. A certeza que se tem que a incerteza sempre vai pairar não somente no âmbito desta pesquisa, mas nos aspectos sociais, biológicos, culturais, entre outros.
“Quanto mais conhece e compreende, mais é capaz, reconhecendo justamente as sujeições que pesam sobre a busca do verdadeiro, de dedicar-se à sua procura, e através disso de relativamente emancipar-se das suas condições de formação” (MORIN, 2008, p.33). O conhecimento é norteado pela lógica do inacabado porque se supõe que o indivíduo deve estar sempre em busca de elucidar e dar sentido ao mundo.
O conhecimento emancipa, perturba e modifica. Por isso, os indivíduos precisam ser computantes, cogitantes e capazes de conceber. “O conhecimento pode relativamente emancipar- se numa vida humana, mas não conseguiria libertar-se da vida: conhece-se para viver; depois, quando o conhecimento se emancipa, vive-se para conhecer”. (MORIN, 2008, p.225) É tempo de agir. Morin já afirmou que o atraso foi diagnosticado, mas “a possibilidade de futuro baseia-se no que representa o nosso presente” (MORIN, 2008, p.261). Portanto, não adianta uma cabeça cheia se ela não for bem feita.