• No results found

Bli med på afterwork?

3.3 Metamorfose

4.1.2 Bli med på afterwork?

Em 1996 foi criada, no Minho, a Associação da Criança (Oliveira-Formosinho & Formosinho, 2001), fórum do desenvolvimento do modelo pedagógico Pedagogia-em- Participação, cujo núcleo principal é a democracia. Como referem Oliveira-Formosinho e Formosinho (2011a),

a democracia está no coração das crenças, valores e princípios da Pedagogia-em-Participação. Assim, os centros de educação de infância deverão ser organizados para que a democracia seja, simultaneamente, um fim e um meio, isto é, esteja sempre presente tanto no âmbito das grandes finalidades educativas como no âmbito do quotidiano participativo vivido por todos os atores (p.101)

A democracia está, então, patente na forma como a Pedagogia-em-Participação olha para a organização do espaço, defendendo que este deve ser “um lugar que acolhe diferentes ritmos, identidades e culturas. Um espaço de escuta de cada um e do grupo” (Oliveira-Formosinho & Andrade, 2011, p.11). Para este modelo pedagógico a organização inicial do espaço é uma das primeiras intervenções do educador de infância e deve ser uma tarefa realizada após muita reflexão para que sejam criados espaços flexíveis e promotores de múltiplas aprendizagens, espaços que reflitam “a crença na competência participativa da criança e criar múltiplas oportunidades para o seu bem- estar, aprendizagem e desenvolvimento” (Araújo & Oliveira-Formosinho, 2013, p.93). O papel da reflexão do educador de infância sustenta-se na conceção de que as decisões tomadas influenciam as interações entre todos os intervenientes, possibilitando (ou não) que a criança seja autónoma e cooperativa, limitando (ou não) a “imaginação pedagógica” (Oliveira-Formosinho & Andrade, 2011, p.12).

O espaço pedagógico para a Pedagogia-em-Participação divide-se em sete áreas diferenciadas de atividades: a mesa de trabalho; a área da expressão plástica; a área do jogo simbólico (quarto e cozinha); a área dos jogos e a área da mediateca (biblioteca e multimédia). De acordo com Oliveira-Formosinho e Formosinho (2011b), esta organização da sala de atividades e a escolha de materiais específicos de cada área promove a “coconstrução de aprendizagens significativas” (p.28). Contudo, como afirmam os autores, a organização do espaço deve ser flexível, sofrendo alterações porque para este modelo pedagógico “as áreas são territórios plurais de vida,

30

experiência e aprendizagem, a organização do espaço não é permanente: deve adaptar- se ao desenvolvimento das atividades e dos projetos ao longo do ano, devendo incorporar materiais produzidos pelas crianças” (ibidem, p.28).

Também os instrumentos de gestão do quotidiano e a sua construção têm, na sua essência, a democracia e são, “a manifestação de uma imagem de criança ativa, competente, com direitos, que pode participar na construção, utilização e análise dos meios de regulação social, interpessoal e intrapessoal no âmbito do grupo” (Oliveira- Formosinho & Andrade, 2011, p.26).

Assim, o quadro de presenças, o quadro do tempo, o quadro dos aniversários, o diário, o quadro das regras da sala e outros instrumentos de gestão do quotidiano que sejam criados são, para a Pedagogia-em-Participação, indispensáveis no fluir democrático. Oliveira-Formosinho e Andrade (2011), defendem que a existência de instrumentos de gestão do quotidiano apresenta uma série de vantagens,

criar colaborativamente os instrumentos, usá-los nas vivências do grupo, é uma expressão de construção conhecimento social e de iniciação à democracia. A análise do conteúdo desses instrumentos não só contribui para a tomada de consciência do conhecimento social construído como é uma ocasião pregnante de possibilidade para a integração de outras aprendizagens no âmbito da emergência da matemática, dos processos colaborativos de análise, da linguagem como instrumento de comunicação (p.29)

No que se refere ao quadro de presenças, este consiste numa tabela de dupla entrada em que é colocado um P (presença) a cor azul ou F (falta) a vermelho. De acordo com as autoras supracitadas, a sua existência numa sala de atividades permite: (i) a corresponsabilização na presença diária na escola; (ii) emergir a ideia de compromisso com o grupo a que se pertence; (iii) a tomada de consciência da sequência dos dias da semana e dos dias do mês; (iv) a realização de contagens em contexto significativo. Para as mesmas autoras,

o manuseamento do quadro humaniza e constrói aprendizagens. Por exemplo, o quadro em que os nomes deixam de ser uma mera listagem. Nas fases iniciais de entrada das crianças no grupo, o quadro pode ser uma forma de ajudar a reconhecer identidades (p.30).

Em contexto de Creche, este modelo pedagógico aponta cinco pontos fundamentais que devem ser tidos em consideração no momento de organizar o espaço e os materiais. Assim, de acordo com Araújo e Oliveira-Formosinho (2013), o primeiro ponto diz

31

respeito à saúde e segurança, ou seja, deve ser criado um ambiente saudável e seguro que responda às “necessidades de bem-estar físico e emocional de crianças e adultos, bem como à aprendizagem ativa das crianças” (p.94). O segundo ponto refere-se à

organização e flexibilidade do espaço, isto é, uma sala de atividades onde os espaços de

cuidados e de jogos sejam separados e diferenciados, sendo que os espaços de jogos devem ter identidade própria – um espaço deve ser sempre alvo de observação, reflexão e remodelação de acordo com os interesses e necessidades da criança e do grupo. Quanto ao terceiro ponto, conforto e a natureza ideográfica, defende que na sala de atividades devem existir, por exemplo, fotografias de cada uma das crianças e respetivas famílias. A sala de atividades deve ser composta por “espaços macios, com superfícies, texturas e cores suaves, luz natural, mobiliário e equipamento adaptado ao tamanho de crianças e adultos” (ibidem, p.94). O quarto ponto é referente ao respeito pela

abordagem sensoriomotora da criança. A sala de atividade e respetivos materiais

devem dar resposta à necessidade da criança de explorar o mundo que a rodeia com os todos os seus sentidos, permitindo-lhe experimentar “em continuidade, em interação, em comunicação, em liberdade de escolha, sentindo-se intrinsecamente competente e participante” (ibidem, p.94). Por fim, o quinto ponto remete para a valorização da

abertura à natureza e à cultura, ou seja, a sala de atividades deve ser um espaço ligado

ao mundo físico exterior, onde as diferentes identidades culturais e pessoais estão representadas e valorizadas.

Valorizando a Creche enquanto espaço promotor de interações entre pares e reconhecendo que a criança, desde tenra idade, é um ser ativo na procura de interações com outras crianças apresento, em seguida, a metodologia seguida neste ensaio investigativo.