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CHAPITRE 5 L’ESPACE DES STEREOTYPES : LA VILLE FANTOME

II.2 Black-out sur l’Ouest

Como apresentado, a qualidade da água de uma bacia hidrográfica está diretamente relacionada com as atividades que são desenvolvidas nesse território. Impactos de origem antrópica como falta de saneamento básico, disposição inadequada de esgotos industriais, ausência de matas ciliares, ocupações desordenadas e outros, são os principais fatores apontados em estudos como prejudiciais a qualidade da água em bacias urbanas; enquanto que na porção

rural, a piora na qualidade da água vem sendo vinculada às atividades agrícolas e pecuárias que, mal planejadas, têm resultado em erosão dos solos e contaminação das águas superficiais por metais e outros elementos.

Ao realizar o levantamento de estudos de monitoramento da qualidade da água realizados na bacia hidrográfica do Rio Doce nos últimos dez anos, o presente estudo objetivou conhecer as principais pressões antrópicas identificadas ao longo da bacia, e percebeu-se que pressões distintas e majoritariamente de origem antrópica têm contribuído fortemente para a queda da qualidade das águas dos principais tributários e rios nas sub-bacias do Rio Doce.

Goulart (2008) estudou a porção superior do rio Piranga e seus tributários, e embora não tenha realizado a determinação da qualidade biológica da água e sedimento no estudo, apontou que vários elementos incorporados ao esgoto doméstico e industrial estavam sendo despejados nas águas dos rios sem qualquer tratamento prévio, influenciando sua qualidade.

Lima (2009) monitorou a bacia hidrográfica do Rio Piracicaba e concluiu que a qualidade das águas sofre influência de atividades antrópicas como a produção de eucalipto, a siderurgia, a mineração de ferro, o lançamento de esgotos sanitários e garimpos, além da influência da formação litológica do local, onde elementos químicos disponíveis ao meio hídrico estavam entre as principais causas de problemas ambientais. Silva (2010b), ao estudar a parte média e inferior da mesma bacia, verificou que para a recuperação da mata ciliar, maiores cuidados com a criação de animais e tratamento de esgotos sanitários compreendiam medidas necessárias para a proteção do corpo hídrico em questão. Concluiu ainda que a composição das águas era fortemente influenciada pelo intemperismo e erosão de rochas arenosas e pela litologia, e que os altos níveis de coliformes fecais inviabilizavam o uso de contato primário de vários dos corpos d’água estudados, apontando no fim a necessidade de tomada de medidas mais restritivas de utilização nestas áreas.

Nascimento et al. (2018) também realizou um estudo na bacia hidrográfica do Rio Piracicaba, uma análise ambiental da bacia hidrográfica do rio do Peixe – Quadrilátero Ferrífero (MG), onde caracterizou o uso e ocupação do solo e analisou as matrizes ambientais de água e sedimento de fundo. Os resultados levaram a autora a concluir que além da influência litológica nas concentrações obtidas para a maioria dos pontos, fatores como exposição dos substratos litológicos por atividades minerárias, lançamento de esgotos in natura, resíduos de atividade industriais e agropecuárias, têm contribuído para disponibilização de metais nos sedimentos da bacia.

Lacerda & Roeser (2014) observou ao longo das margens do Rio Oratórios a substituição das matas ciliares por monoculturas e áreas desmatadas. Em diversos pontos das margens notou

também a ocorrência de processos erosivos. Segundo o autor, ao longo de todo o curso d’água foi observado a monocultura, a pecuária e a suinocultura. Acerca dos problemas ambientais das zonas urbanas apontou principalmente para aqueles causados em razão da falta de saneamento básico (problema comum também às regiões rurais). Por fim, os resultados das análises evidenciaram a contaminação do Rio Oratórios por efluentes sanitários e, possivelmente, por agrotóxicos.

Glória (2014), analisou o Rio Casca e apontou que a maioria das variáveis avaliadas estavam diretamente relacionadas com a litologia e vegetação da região, e que tais condições eram respostas diretas da variação sazonal e da pressão das atividades antrópicas locais. Ressaltou ainda que as concentrações significativas de coliformes Totais e Termotolerantes obtidas ao longo desse corpo hídrico eram respostas da influência antrópica sobre as águas do Rio Casca.

Reis et al. (2017), ao estudar a bacia hidrográfica do Rio Matipó, constatou a influência que a qualidade das águas dessa bacia sofria por diversas atividades, dentre as quais destacou a agricultura, a mineração, a pecuária e a urbanização. Essa última, marcada por ocupações desordenadas e sem planejamento, onde cerca de 90% dos municípios não utilizavam de nenhum tipo de tratamento para suas águas residuárias.

Oliveira (2016) analisou empiricamente a paisagem na bacia hidrográfica do Rio Piranga e percebeu que a ausência de vegetação nativa e contradições no uso e ocupação de solo resultaram em exposição do solo em alguns pontos. Diagnosticou também a predominância de monoculturas no interior da bacia e grandes extensões de áreas para pastagem, o que acreditou ter acentuado a degradação ambiental na região. Ponderou que o impacto da atividade agropecuária somado ao uso inadequado dos solos refletiu diretamente nas análises que resultaram em altos valores para as variáveis analisadas, comprometendo os usos indicados para rios classe 2. A avaliação levou o autor a concluir que as variáveis que obtiveram valores elevados eram as diretamente relacionadas à ausência de mata ciliar e de tratamento de esgoto, tanto doméstico quanto industrial, e o consequente lançamento desses in natura nos corpos d’água.

Marques (2016) estudou a bacia do Rio Santa Bárbara e em sua pesquisa levantou os principais fatores de pressão observados na bacia, associando-os a possíveis indicadores de degradação. Concluiu que a sazonalidade era um fator importante a ser considerado em função das variações de concentrações dos elementos e/ou variáveis analisadas. Dentre as quais destaca como mais significativas a E. coli, que prevaleceu como variável que não atendeu a legislação,

indicando assim, que a contaminação dos corpos d’água dessa bacia principalmente pelo lançamento de esgotos sanitários.

Silva (2017), realizou um Diagnóstico Ambiental na bacia do rio Manhuaçu, concluiu que os impactos observados na bacia estão associados principalmente a poluição por atividades urbanas e de agricultura, ainda que essa última caracterize por familiar e de pequeno porte. Diagnosticou também que a bacia possui atividades industriais inexpressivas e, por fim, ao comparar os resultados obtidos no ponto localizado no Rio Doce com os dos demais pontos amostrados na bacia, verificou que Rio Manhuaçu apresentava qualidade de suas águas melhor que a observada após a confluência desse com o Rio Doce.

Ainda no tocante às pressões ambientais, que contribuem para a piora da qualidade ambiental da bacia do Rio Doce, em novembro de 2015 com o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão pertencente a mineradora SAMARCO S/A, o Rio Gualaxo do Norte recebeu toneladas de rejeitos que avançou até o Rio Doce. Santos (2018) realizou o monitoramento da bacia do Rio Gualaxo do Norte durante um ciclo hidrológico e concluiu que para a parte da bacia afetada pela lama, mesmo passados dois anos do rompimento da barragem as variáveis turbidez e sólidos totais ainda apresentavam valores elevados. Já em relação à parte não afetada, suas observações muito se assemelharam às feitas para outras sub-bacias do Rio Doce apresentadas anteriormente. A autora apontou como as possíveis fontes de degradação da qualidade da água as descargas de efluentes sanitários sem tratamento prévio e a poluição difusa advinda de área onde ocorrem atividades agrícolas.

Os estudos apresentados nessa seção permitem observar que as principais pressões ambientais identificadas ao longo da bacia do Rio Doce são oriundas principalmente de atividades antrópicas, como agrícolas, pecuárias e industriais. Além dessas, a ocupação desordenada do uso do solo com a decorrente ocupação das margens de corpos hídricos somadas às condições precárias e/ou inexistentes de saneamento básico, também têm contribuído para um aporte cada vez maior de cargas poluidoras aos rios, comprometendo a qualidade da água e o consequente uso futuro do recurso, cuja qualidade atual se apresenta em desacordo ao que é preconizado pela legislação vigente.

Cabe ressaltar que os estudos apresentados acima chegaram aos resultados demostrados pelo emprego de métodos tradicionais de monitoramento, com a realização de trabalhos de campo que tem como base a coleta de amostras e análises de propriedades físicas, químicas e biológicas das mesmas. Apenas a análise realizada por Oliveira (2016) no Rio Piranga consistiu numa abordagem que buscou avaliar a paisagem do entorno. Nos demais estudos, embora os

autores tenham destacado uma ou outra característica local, o foco era a análise das variáveis físicas, químicas e biológicas da água.