Os participantes da pesquisa foram: a diretora, a coordenadora pedagógica e duas professoras que atuam na educação infantil, com crianças do Maternal II e Jardim II.
Para a escolha das professoras participantes desse estudo, foi feita a apresentação da pesquisa à equipe pedagógica da instituição. Nesse momento, contamos com a presença das professoras, da diretora e da coordenadora pedagógica em uma reunião previamente agendada com a direção da instituição.
13 O funcionamento da coordenação pedagógica está explicitado na página 121 onde é abordada a rotina da instituição.
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Nesta reunião, discutimos a importância da pesquisa e a relevância da participação das pessoas envolvidas no contexto investigado. Para tanto, apresentamos o tema, o problema, os objetivos, e justificamos os motivos que nos impulsionaram para o estudo da qualidade e dos processos avaliativos no contexto da educação infantil. Nesse tempo, apresentamos ainda os critérios utilizados para a escolha da instituição, assim como os instrumentos que seriam utilizados nesse percurso.
Depois desse momento de diálogo com a equipe em torno do processo de desenvolvimento desta pesquisa, entregamos para cada uma das professoras o questionário constante do Anexo I,cujo objetivo foi a seleção das professoras participantes.
As professoras que disseram ter interesse em participar da pesquisa, e trabalhavam com crianças de 2 até 5 anos de idade foram as participantes desse processo investigativo.
A identificação profissional das participantes desta pesquisa está posta a seguir:
a) diretora era graduada em Pedagogia com habilitação em Administração Escolar e Magistério das Matérias Pedagógicas do Segundo Grau, com especialização em Metodologia do Ensino Superior e Psicopedagogia e aluna do Programa de Pós-Graduação da Universidade de Brasília – UnB, da linha de Aprendizagem e Trabalho Pedagógico, pesquisando no eixo de Qualidade e Educação Infantil. Trabalhava há mais de 40 anos no magistério, dos quais 17 na área da Educação Infantil. Atuava como voluntária nesta instituição, desde o ano de 1990;
b) A coordenadora pedagógica, aqui denominada Ana Júlia14 , tinha 27 anos e formou-se no curso de pedagogia com habilitação para o magistério das séries iniciais em 2006. Estava na instituição investigada há três anos, onde iniciou como estagiária, tendo sido contratada no início de 2006 para o cargo de coordenadora pedagógica. Em entrevista, Ana Júlia afirmou que até aquele momento não tinha atuado na educação infantil, sublinhando também que
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Os nomes atribuídos às participantes são fictícios para preservar a sua identidade, conforme acordado com elas no início dessa investigação.
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coordenava tanto as professoras da educação infantil, quanto as do programa sócio-educativo15 desenvolvido pela instituição em análise, totalizando onze professoras e professores.
c) A professora Clara tinha 28 anos . Concluiu o curso de Pedagogia no primeiro semestre de 2006 com habilitação em Administração Escolar em uma faculdade privada do Distrito Federal onde estava cursando Lato Sensu em Psicopedagogia.
Atuava na docência há três anos, todos eles dedicados à instituição em análise, onde iniciou como estagiária nas turmas de Jardim I e Jardim III, tendo sido contratada pela instituição após o término do estágio.
Clara então passou a trabalhar no projeto de reforço escolar16 do programa sócio-educativo da instituição pesquisada e, posteriormente, assumiu a função de professora em uma das turmas do Maternal II onde atuava há dois anos e meio.
Fora do seu horário de trabalho na instituição, ela desenvolvia há seis anos uma atividade voluntária com crianças pequenas e suas famílias, que, segundo suas palavras, lhe dava muito prazer.
Ser professora, para ela, era um sonho de infância. Após o término do ensino médio esse sonho gerou certo conflito relacionado às muitas possibilidades de profissionalizar-se considerando o tempo de duração dos cursos e a remuneração referente a estes. Isso pôde ser observado em uma de suas falas quando diz que:
(...) Muita gente aí, é advogado e ganha muito, mais que um professor. Então você fica assim com medo: será que é isso mesmo que eu quero para o meu futuro? Igual médico. Estuda tanto e ganha mais e Pedagogia não. É pouco tempo, são dez semestres. É tão pouco tempo, se forma e ganha pouco.
Apesar dos conflitos referentes à relação entre a formação e remuneração profissional, o sonho de criança prevaleceu, e atuar na educação
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Este programa oferecia às crianças da comunidade e também às abrigadas, com idades entre 7 e 14 anos, atividades extra-escolares no período contrário ao freqüentado por elas nas escolas. Estas atividades envolviam reforço escolar, aulas de capoeira dentre outros.
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Este trabalho tinha por objetivo acompanhar e auxiliar as crianças e adolescentes da instituição e da comunidade, na realização das tarefas escolares.
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infantil foi uma opção para a professora Clara que disse gostar muito de trabalhar com as quatorze crianças que compõem a turma do maternal II.
Em relação à participar dessa pesquisa, ela mostrou-se interessada desde a apresentação da mesma e foi receptiva à nossa presença mostrando- se sempre disponível para colaborar nos momentos em que foi solicitada.
A professora Maria Fernanda tinha 26 anos. Concluiu o curso técnico de magistério em 1999, e em 2003, formou-se no curso de Geografia pela Universidade do estado de Goiás-UEG.
Na docência, ela atuava há cinco anos, tendo trabalhado nas turmas de 3ª, 5ª e 8ª séries do ensino fundamental e em todas do ensino médio. Maria Fernanda estava na instituição há apenas três meses, e era sua primeira experiência com a educação infantil.
Sua situação funcional naquela instituição era de contratada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal que mantém convênio com a instituição em questão cedendo professoras para as turmas de Jardins I, II e III.
O sonho de infância; ser professora, também fez com que Maria Fernanda buscasse o magistério. Porém, trabalhar na educação infantil não foi uma opção. Ela se inscreveu para a seleção simplificada de contratação temporária, que é realizada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal17.
Até o mês de setembro de 2006, Maria Fernanda estava trabalhando em uma outra instituição educativa também da Secretaria de Educação do Distrito Federal e, por permuta com outra professora que atuava na instituição investigada, no mês de setembro daquele ano foi designada para trabalhar com as 24 crianças que compunham a turma do jardim II.
A professora deixou claro em alguns momentos que, atuar na educação infantil não foi uma opção e que o seu perfil era para trabalhar com crianças maiores. Esse fato pôde ser confirmado na entrevista realizada com ela quando
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Esse processo objetiva a contratação de professores e professoras para cobrir carências de professores efetivos que estejam afastados da sala de aula por diversos motivos.Nessa situação, os professores e professoras ficam sujeitos a trabalharem por vezes pouco tempo em uma determinada instituição educativa e são encaminhados para outra, tão logo os profissionais afastados retornem ao trabalho.
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lhe perguntamos se estava encontrando alguma dificuldade para desenvolver o seu trabalho com as crianças. São dela as palavras:
Agora que eu já tava pegando o ritmo, eu já encontrei uma direção; vamos dizer assim, estou mais norteada. Mas muito no início, no início de tudo, até porque quando você começa...Eu não sabia como trabalhar a educação infantil. Eu realmente não sabia, então tudo era difícil, tudo...tudo...tudo era muito difícil, porque tinha que conciliar...amarrar sapato, e...ensinar...era muito difícil. Eu trabalho independente , meu perfil é de professor para pelo menos de 5ª a 8ª.
A seguir, descrevemos os procedimentos de realização da pesquisa para evidenciar como as informações foram construídas com estas participantes no contexto do trabalho pedagógico nesta instituição.