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Bløtbunnundersøkelse – Prøvetaking og analyser

A abordagem qualitativa conferida na pesquisa apresenta enfoque etnográfico. Utilizado por antropólogos e sociólogos, o enfoque etnográfico procura tratar a descrição da cultura de grupos e sociedades; acerca da educação “[...] se volta mais para as experiências de vivências dos indivíduos que participam e constroem o cotidiano escolar” (ANDRÉ, 2001). Wolcott (1975, 1998) assinala que, para ser classificada como etnográfica, a pesquisa deve ser realizada em campo, as hipóteses podem ser reformuladas e as questões iniciais podem ser reexaminadas ao longo do processo.

Para a análise dos dados, identificamos que a Análise Textual Discursiva (ATD) de Moraes e Galliazzi (2011), seria a rota mais adequada ao contexto do problema da pesquisa. A ATD permite um processo constante de compreensões do fenômeno investigado, fazendo emergir significados no “processo analítico, atingindo novas ordens por meio do caos e da desordem” (MORAES e GALIAZZI, 2011).

De acordo com Moraes (2003), a Análise Textual Discursiva:

(...) pode ser compreendida como um processo auto-organizado de construção de compreensão em que novos entendimentos emergem de uma sequência recursiva de três componentes: a unitarização – desconstrução dos textos do corpus; a categorização – estabelecimento de relações entre os elementos unitários; e por último o captar de um novo emergente em que a nova compreensão é comunicada e validada” (MORAES, 2003, p. 192).

As etapas de análise ficam explícitas para uma compreensão sistematizada de todo o processo.

Segundo Moraes (2003) primeiramente deve-se realizar a desmontagem dos textos (corpus), processo também chamado de unitarização com objetivos de atingir unidades constituintes. O corpus é o conjunto de informações sistematizadas na forma de textos, imagens ou outras formas de representações gráficas

correspondendo a uma multiplicidade de sentidos. A definição e delimitação do

corpus é função do pesquisador, que assim inicia o processo de análise, pela

desconstrução dos textos.

A desconstrução é a etapa de derivação do corpus em elementos textuais significativos, caracterizando-os de forma a buscar uma compreensão ampla das possibilidades de sentidos. Dessa fase emergem as unidades de análise que são balizadas em função dos objetivos da pesquisa (MORAES e GALIAZZI, 2011).

O processo que constitui uma ATD pode ser realizado sob a perspectiva de categorias emergentes ou “a priori”, (às vezes, as categorias podem ser mistas, pois são pensadas a priori e também emergem dos dados) onde o sujeito faz sua análise com base em categorias pré-existentes, oriundas de uma teoria a qual se relaciona, ou melhor, explica o fenômeno investigado (MORAES e GALIAZZI, 2011).

Para identificar as possíveis inteligências manifestadas pelos alunos para a realização das atividades propostas, foi realizada a ATD com categorias a priori, pois entende-se que a teoria das IM estabelece fortemente as categorias em relação às múltiplas inteligências dos alunos. Nesse caso, as categorias utilizadas foram as inteligências propostas por Gardner na teoria das IM.

Posteriormente realiza-se o processo de categorização, este se constitui inicialmente em um processo de entropia textual, que tende a estabelecer articulações entre as unidades de análise para a elaboração de uma nova ordenação, de forma a ampliar o entendimento sobre a investigação analítica dos fenômenos em questão. Essas categorias, extraídas da análise dos dados, possibilitam a emergência de uma nova compreensão renovada do todo, que é comunicada e validada, resultando o metatexto, que se apresenta como produto de uma nova combinação dos elementos construídos ao longo dessas etapas. Esse procedimento deve ser recursivo para a lapidação das categorias e se processa através dos mecanismos sensoriais de dedução, indução e intuição do pesquisador, que concomitantemente permeiam o processo de investigação analítica. Segundo Moraes (2003) a análise qualitativa opera com significados construídos a partir de um conjunto de textos e o material analisado constitui um conjunto de significantes, onde a emergência e comunicação desses novos sentidos e significados são o objetivo da análise.

Segundo Moraes (2003) a descrição da análise textual qualitativa concretiza- se a partir das categorias construídas durante o processo analítico. Descrever é apresentar as categorias fundamentando e validando essas descrições a partir de interlocuções empíricas ou ancoragem dos argumentos em informações retiradas dos textos. Uma descrição densa, recheada de citações dos textos analisados, sempre selecionados com critério e perspicácia, é capaz de dar aos leitores uma imagem mais fiel dos fenômenos que descreve (MORAES, 2003).

A figura 2 é uma representação gráfica da metodologia onde as etapas de análise ficam explícitas para uma compreensão sistematizada de todo o processo.

Figura 2 – Sistematização do Processo de Análise Textual Discursiva

Fonte: Elaborado pelo autor.

A fase em que existe a desorganização e desconstrução dos documentos analisados, no qual o pesquisador lança seu olhar sobre as categorias por ele organizadas, é entendida por Moraes e Galiazzi (2007), como um “processo que produz desordem a partir de um conjunto de textos ordenados. Torna caótico o que era ordenado”. E o limite do caos aponta que:

(...) uma nova ordem pode constituir-se à custa da desordem. O estabelecimento de novas relações entre os elementos unitários de base possibilita a construção de uma nova ordem, representando uma nova compreensão em relação aos fenômenos investigados (MORAES e GALIAZZI, 2007, p.21).

Como já estabelecido, das categorias organizadas se obterá o metatexto. Moraes e Galiazzi (2007) o descrevem como: “Expressão por meio da linguagem das principais ideias emergentes das análises e apresentação dos argumentos

construídos pelo pesquisador em sua investigação, capaz de comunicar a outros as novas compreensões atingidas” (MORAES e GALIAZZI, 2007).

O trabalho é de campo, exploratório-descritivo, pois consiste na observação assistemática uma vez que o pesquisador participa do grupo observado e atua com um papel dentro do mesmo na orientação da professora e dos estudantes acerca das atividades propostas para a coleta de informações sobre fatos e impressões, tal como ocorrem espontaneamente, durante 16 aulas de 50 minutos, objetivando conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de como a teoria das IM pode contribuir na aprendizagem do conteúdo Reações Químicas, possibilitando ainda, elucidar novos fenômenos e suas inter-relações, procurando descrevê-los através de acumulações de informações detalhadas obtidas por intermédio das observações (MARCONI e LAKATOS, 2002).

Os dados da pesquisa assumem o perfil descritivo à medida que se constituem de análises de observações, transcrições das aulas filmadas e gravadas e apreciações das narrativas. De acordo com o conteúdo do material coletado, observações diretas e a ATD, espera-se perceber como a metodologia atenda às expectativas e anseios dos alunos e permita desenvolver a aprendizagem ressaltando a individualidade e a multiplicidade de competências e habilidades. Posto que o processo é de fundamental importância, o produto das aulas também é destacado uma vez que a nova forma de abordagem do conteúdo deva refletir na eficácia dessa aprendizagem.

Por fim, as abstrações necessárias para esta pesquisa desenvolveram-se “numa interação entre os referenciais teóricos e os dados obtidos” (CARVALHO, 2006, p.27, grifo do autor) e não somente da inspeção dos dados.