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4. Analyse og funn

4.2 Bivariat analyse

A opção pelos pobres nunca foi uma moda passageira, nem é hoje em dia. Ela é a base da Teologia da Libertação, é o que a resume, pois é a opção radical feita por Jesus de Nazaré. Jesus escolheu os pobres enquanto seguidores, colaboradores mais próximos, discípulos, amigos. Quanto mais se aprofunda na teologia do pobre, mais se aprofunda na Palavra de Deus, mais aparecem novos fundamentos e realidades que falam da veracidade da opção pelos pobres em seu triplo sentido: pastoral, teológico e bíblico. A opção pelos pobres é a essência de um cristianismo católico que pretende ser fiel ao Evangelho. Consiste na decisão voluntária de unir-se ao mundo dos pobres, assumindo com postura e estética evangélica, com realismo histórico, a causa da libertação integral. Ela deve ser realizada por todos aqueles que creem, independente da sua situação socioeconômica.

A opção pelos pobres contêm vários elementos fundamentais161:

1. Um elemento de ruptura que se expressa em “troca de lugar físico ou social”, “êxodo e desidentificação com o ‘status’ do poder”, “ruptura” com o mundo cultural próprio e com seus critérios específicos de valoração. Trata- se de uma ruptura que corresponde, logicamente, aos que, sem serem inicialmente pobres, optam por sê-lo.

2. Um elemento de personalização e identificação que se expressa em “ir à periferia”, “sair ao encontro do outro”, entrar no mundo do pobre e assumi- lo como próprio. Este momento já afeta a todos que fazem a opção, inclusive os materialmente pobres, que nem sempre tomam como seu, de coração, o mundo dos pobres. Trata-se de uma conversão inicial e tem caráter

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assintótico e vai do viver “com” os pobres (mais além de viver “para” os pobres) até o viver “como” os pobres.

3. Um elemento de assunção consciente e ativa da causa dos pobres: “solidariedade ativa com as lutas e práticas populares”, “defesa ativa dos direitos dos pobres”, “compromisso com sua libertação integral”, “afirmação incondicional da vida e rejeição incondicional da injustiça”. Nestes elementos, repousa a maior novidade da OP, enquanto que o assumir a causa dos pobres se converte em práxis histórica da libertação.

4. Um elemento de assunção do destino próprio dos pobres, que, no terceiro mundo, passa, normalmente, pela perseguição e, não raras vezes termina, historicamente, com a morte “prematura e injusta”. Este elemento se converte em critério de verificação da autenticidade da personificação no mundo dos pobres e da defesa ativa de sua causa. O martírio não é visto como algo conveniente, mas sim, como auge da perseguição e esta é vista como preparação e modo incipiente de martírio.

Jorge Pixley e Clodovis Boff162 em sua obra clássica, explicam quem são hoje os

pobres:

Tomamos “pobres” aqui num sentido “real” e não num sentido metafórico. São os que sofrem de fundamental carência econômica. São os que estão privados dos bens materiais necessários para uma existência digna.

Podemos definir os pobres hoje com três adjetivos: coletivo, conflitivo e alternativo. Os pobres constituem um fenômeno coletivo, são resultado de um processo conflitivo e demandam um projeto histórico alternativo. [...] A pobreza hoje é uma questão social, estrutural e massiva. Pobres são classes, massas, povos inteiros. [...] Os pobres constituem um fenômeno social produzido e não um fato natural. Eles são reduzidos à pobreza (em-pobre- cidos) ou nela mantidos pelas forças de um sistema de dominação. Os pobres apareceram como classes dominadas. Os pobres são pobres porque são explorados ou então rejeitados por uma organização econômica perversa, como é em nosso caso o capitalismo. Este é um sistema explorador e excludente. Por isso mesmo o pobre é um oprimido e um sofredor. Ele é mantido debaixo do sistema ou fora dele. Tal é a explicação verdadeira da pobreza dos pobres. [...] Todos eles vivem privados do necessário para suas vidas, pois se acham abaixo ou no nível apenas da linha de sobrevivência. [...] Representam um conjunto socialmente heterogêneo e politicamente inorgânico, mas junto do qual a Igreja está particularmente presente, como força de afirmação humana e aglutinação social (através das CEBs, etc.). [...] Vê-se por aí que o “pobre” na AL tem muitos rostos. Mas são todos “rostos sofredores” de Cristo, de que nos fala Puebla. [...] Hoje temos do pobre uma imagem menos romântica e mais realista. É a figura do oprimido de toda sorte que busca libertação. Essa imagem crítica e internamente diferenciada do pobre é fundamental em termos da prática concreta da OP. [...] Cada tipo de pobre necessita de uma metodologia e estratégia específicas, ainda que todas devam convergir para a libertação comum. [...] Porque a situação dos pobres tem uma raiz estrutural, sua libertação passa também pela mudança das estruturas sociais que os proíbem de crescer e se afirmar historicamente. Os pobres julgam a sociedade atual e colocam a perspectiva de sua mudança em favor de uma sociedade nova. Por isso, pobre está ligado

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indissociavelmente à ideia de revolução, no sentido preciso de mudança das bases de um sistema social. Isso no passado pertencia à área da utopia no sentido de projeto inviável, hoje passou para o âmbito das possibilidades históricas. O que era apenas um ideal, agora tornou-se um projeto concreto.

Clodovis Boff e Jorge Pixley163 afirmarão que o desenvolvimento técnico-científico e a consciência política da humanidade possibilita a criação de uma sociedade onde não haja mais privação do necessário vital e dominação de uns sobre outros. Hoje o fenômeno da pobreza não tem a mesma natureza que no passado. Pobreza hoje já não consiste mais simplesmente no atraso como ausência de desenvolvimento material. É um dado que permanece presente, mas não é o mais importante. A pobreza é o fruto de um desenvolvimento contraditório, pelo qual os ricos se tornam cada vez mais ricos, às custas dos pobres, cada vez mais pobres. Ela é interna ao sistema e produto natural do mesmo. Por isso pobreza hoje significa socialmente opressão e dependência, e eticamente justiça injustiça e pecado social.

Os pobres só existem porque existem estruturas de exploração e de exclusão. Apesar de todo o desenvolvimento social e econômico ocorrido no continente nas últimas décadas, ainda há ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres!

A pobreza em perspectiva no Brasil aparece no cenário com três indicadores164:

Extrema: é a condição social sem a garantia de uma renda mínima necessária à sobrevivência humana (consumo da alimentação). Trata-se de uma população com rendimento familiar per capita de até um quarto do salário mínimo mensal;

Menos extrema: é a condição social cuja renda recebida é insuficiente para a reprodução e sobrevivência humana (consumo da alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros). Trata-se de uma população com rendimento familiar per capita acima de um quarto e abaixo de meio salário mínimo mensal;

Absoluta: é a condição social sem o atendimento material básico à existência humana, englobando a pobreza extrema e menos extrema. Trata-se da população com rendimento familiar per capita acima de até meio salário mínimo mensal.