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Biskop Finn Wagles tale ved fredsmarsjen i Trondheim 15

Neste subcapítulo considerou-se relevante começar por questionar os/as utentes sobre as suas preferências em relação ao sexo dos/as enfermeiros/as que os/as atendem nas consultas de PF e SM (tabela 39).

Tabela 39: Preferência dos/as utentes pelo sexo dos/as enfermeiros/as nas consultas de PF e SM Utentes (N=12)

Total Saúde Materna (n=7) Planeamento Familiar (n=5)

M H Total M H Total

SM1 SM5 SM6 SM2 SM3 SM4 SM7 PF2 PF4 PF5 PF1 PF3

É indiferente o sexo do/a enfermeiro/a      5     4 9

Prefere enfermeira   2  1 3

Nove dos/as participantes referiram ser indiferente o sexo do/a enfermeiro/a que o/a atende nas consultas de PF e de SM: “É igual. Eu acho que aí, uma pessoa não tem complexos. Acho eu. [risos] Não deve ter ou não deve sequer pensar nisso. Acho que deve estar normal” (Ent. SM1). Por outro lado, três utentes são a favor das consultas de enfermagem em SSR serem levadas a cabo por enfermeiras:

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Para mim, tanto me vale, mas eu acho que uma enfermeira, na minha opinião, é mais… acho que tem mais… mais calma, para falar assim, para a minha esposa, não é, para as mamãs […] Nunca teve essa experiência [de ser atendida por um enfermeiro], mas eu acho que ela está mais à vontade com uma enfermeira a falar, por ser mulher, por ser mulher” (Ent. SM7).

Seguidamente, os/as utentes foram questionados/as sobre a participação de homens e mulhe- res na consulta de PF (tabela 40). Muitos dos/as participantes consideram que é importante que o casal participe sempre em conjunto nas consultas de PF (cinco utentes em doze) ou, pelo menos, que o homem deve participar sempre que tenha disponibilidade (três utentes).

Tabela 40: Participação do homem e da mulher nas consultas de PF

Utentes (N=12) Total

Saúde Materna (n=7) Planeamento Familiar (n=5)

M H Total M H Total

SM1 SM5 SM6 SM2 SM3 SM4 SM7 PF2 PF4 PF5 PF1 PF3 O homem deve participar sempre

que tenha disponibilidade   2    3 5

É importante participarem sempre

os dois   2  1 3

Não sente necessidade de partici- par/que o marido participe na consulta de PF

   3 3

De vez em quando o homem deve

participar  1 1

O número de respostas de homens e mulheres, é o mesmo, e ilustra-se nos extractos seguintes:

Acho que o homem também deve participar… no planeamento… (…) não pode ser só o que faz, também tem que ser o que decide (…) E a relação sexual é muito mais do que propriamente o sexo (…) (Ent. PF1). Se pudesse ser, era bom. Só que, infelizmente, os salários não dão mesmo para isso. Mas, até ele próprio gosta- ria muito de vir. Ainda hoje, veio, só que ele não entrou. Não podem entrar, acho eu (Ent. PF2).

O entrevistado SM7 afirma, inicialmente, que não tem opinião formada sobre o assunto; ainda assim, acaba por referir que era importante que o casal tivesse oportunidade de ir, em conjunto, à consulta de PF:

Não sei se ela gostava que eu fosse com ela, ou se a enfermeira gostava também… Não sei… Só falando… Não sei. Não faço a mínima ideia […] [se o homem fosse às consultas] aprendia mais coisas e via como é que eles faziam (Ent. SM7).

Um dos entrevistados defende que o homem deve participar de vez em quando na consulta de PF. No entanto, o entrevistado SM3 afirmou não sentir necessidade de participar na consulta de PF, assim como as entrevistadas SM5 e SM6 não consideram importante a participação dos maridos na mesma:

Eu, na minha situação, sinceramente, acho que não vejo, digamos, motivo para vir assim a uma consulta dessas, porque eu vejo que na minha situação está tudo bem, pelo menos, aparentemente (Ent. SM3).

Os/as utentes foram questionados/as acerca da sua opinião sobre o papel atribuído pelos/as enfermeiros/as ao homem e à mulher nas consultas de PF e SM (tabela 41). Mais de metade dos/as entrevistados/as (seis mulheres e um homem) consideram que os/as enfermeiros/as concedem a mesma atenção ao homem e à mulher nas consultas. Provavelmente, estas mulheres partilharam desta opinião, porque elas estão sempre presentes neste tipo de consulta e sentem-se o centro da atenção principal.

Tabela 41: Papel atribuído pelos/as enfermeiros/as ao homem e à mulher nas consultas de PF e SM Utentes (n=12)

Total Saúde Materna (n=7) Planeamento Familiar (n=5)

M H Total M H Total

SM1 SM5 SM6 SM2 SM3 SM4 SM7 PF2 PF4 PF5 PF1 PF3

Dão a mesma atenção aos dois    3     4 7

Dão mais importância à mulher    3  1 4

Têm uma prática correcta    3 3

O homem não está presente  1 1

Sem opinião formada  1 1

Quatro dos homens entrevistados acham que os/as enfermeiros/as dão mais importância à mulher, no entanto, três dos participantes concordam que esta é a atitude correcta:

Dão mais importância à mulher… Nós é… quase um acompanhante, mas pronto… Fazem algumas pergun- tas, mas poucas, pouquíssimas. É mais à mãe, à mulher… É só para a mulher estar… estar à vontade. Estar uma pessoa ao lado, que é o pai do filho dela […] Está correcto, porque o que é importante é o que está dentro da barriga… (Ent. SM2).

O entrevistado PF1 opina que os/as enfermeiros/as não podem dar atenção aos homens, uma vez que eles não participam na consulta: “Claro, se eles não estão lá, os enfermeiros não lhes podem dar atenção… Isso é lógico!!!” (Ent. PF1). O entrevistado SM4 não tem, assumidamente, opinião for- mada acerca do assunto.

Uma questão que se insurge perante estas afirmações é a aplicação equitativa de cuidados de saúde por parte dos/as enfermeiros/as, quando se verifica incongruência entre os objectivos preconi- zados face aos/às destinatários/as destas consultas e os modelos de registo existentes (aplicativo informático SAPE, o Boletim de Saúde da Grávida e o Boletim de PF/Saúde Reprodutiva), uma vez que os objectivos são traçados do ponto de vista do casal e nos impressos existentes da Imprensa Nacional da Casa da Moeda, não tem espaço destinado ao registo das intervenções previstas, con- templando apenas os registos relativos à saúde da mulher. Estes resultados mostram que nestas

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consultas não tem havido espaço para os aspectos relacionais de género defendidos por Prazeres (2002; 2003) e Gómez (2001).

Por último, os/as utentes foram incentivados/as a expressarem a sua opinião sobre as estraté- gias que consideram que deviam existir no Centro de Saúde para promover a equidade de género na promoção da SSR (tabela 42).

Tabela 42: Estratégias que os/as utentes consideram que devem existir no Centro de Saúde para promover a equi- dade de género na promoção da SSR

Utentes (n=12)

Total Saúde Materna (n=7) Planeamento Familiar (n=5)

M H Total M H Total

SM1 SM5 SM6 SM2 SM3 SM4 SM7 PF2 PF4 PF5 PF1 PF3 Mais divulgação sobre o papel do

homem no PF     4     4 8

Intervenção mais pró-activa do CS     4 4

Flexibilidade de horário   2  1 3

Cumprimento de horários   2 2

Legislação que proteja os homens

para acompanhar as mulheres  1 1

Confiança nos/as profissionais de

saúde  1 1

Garantir cuidados de enfermagem

especializados  1 1

Possibilidade de escolher o/a

médico/a para consulta de PF  1 1

Existir consulta de medicina fami- liar com carácter preventi- vo/promotor da SSR

 1 1

Existência de ecógrafos  1 1

Maior celeridade no atendimento  1 1

Não refere  1 1

Uma grande parte dos entrevistados/as (oito em doze) considera de grande importância o desenvolvimento de mais fontes de informação sobre o papel do homem no PF e quatro utentes refe- rem o envolvimento do Centro de Saúde, numa intervenção mais pró-activa:

A divulgação… acho eu que é importante […] Cativar as pessoas a entrar nesse planeamento, é importante […] Afixar! Afixar e lá está… também é importante porque a maior publicidade é… chama-se aqui, “boca a boca” (Ent. SM2). Há pessoas que não [estão informadas] e mesmo eu acho que não sei totalmente os direitos, ninguém está totalmente informado (Ent. SM5).

Esta sugestão vem ao encontro das medidas propostas pelo ICN para a promoção da saúde no masculino, das quais se salientam: “criar grupos de consciencialização dos homens acerca da sua saúde; […] organizar campanhas que fomentem o contacto dos homens com os serviços de saúde” (s. d. a, s. p.)

O entrevistado PF1 advoga uma solução aproximada da anterior, que passa pelos próprios recursos do Centro de Saúde:

Incentivando… as consultas com os dois progenitores, as consultas para o casal… não só na vertente do médico, mas em todas as outras valências, e promover mesmo as consultas de despiste para o casal, não só quando as pessoas vêm procurar, mas o Centro de Saúde propor aos casais a sua participação (Ent. PF1).

A flexibilidade de horário foi outra das sugestões apontadas para melhoria do atendimento no Centro de Saúde: “Ao fim da tarde era capaz de haver mais casais a virem juntos” (Ent. SM4); “Devia haver outros horários, sem ser estes… sei lá… hora de almoço…” (Ent. PF2). Outro dos aspectos valo- rizados pelos/as utentes foi o cumprimento de horários: “Atrasa sempre um bocadinho, não é. Em termos de horário, acho que havia de cumprir mais com o horário, não é” (Ent. SM7).

Foram ainda apontadas outras sugestões isoladas, como a criação de legislação que proteja os homens, no sentido de poderem acompanhar as companheiras às consultas/ecografias; motivos para ter confiança nos/as profissionais de saúde; garantia de cuidados de enfermagem especializados na consulta de SM e puerpério; possibilidade de escolha do/a médico/a para a realização da consulta de PF; existência de consulta de medicina familiar de carácter preventivo/promotor da SSR; existência de ecógrafos na consulta e maior celeridade no atendimento.

Estas sugestões vão de encontro ao que Prazeres (2003) refere acerca dos homens. Este autor afirma que os homens gostariam de se aproximar de serviços de saúde se estes lhes oferecessem as características às quais as mulheres têm acesso: “acessibilidade, pessoas com quem possam identifi- car-se e que estejam abertas às suas necessidades, privacidade, confidencialidade, possibilidade de colocar questões, pouco tempo de espera, qualidade no serviço e gratuitidade” (Prazeres, 2003, p. 33).

A entrevistada SM1 não aponta sugestões de mudança centrados no Centro de Saúde ou nos profissionais, mas responsabiliza mais os/as utentes pela procura de informação de importância rele- vante para a manutenção/obtenção do bem-estar: ”Eu acho que se nós procurarmos saber, estamos mais bem informados; se não procurarmos, também não nos vão levar a informação a casa [risos], não é? Acho que nós é que temos de fazer por isso, tentar colaborar” (Ent. SM1). Esta postura enquadra-se, assim, no paradigma de educação para a saúde democrático, defendido por Jensen (1995), onde a educação para a saúde deve visar o envolvimento activo dos indivíduos na construção do seu próprio conhecimento e da sua competência de acção.

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Tendo sido analisados os resultados obtidos das entrevistas aos/às utentes das consultas de PF e SM, no próximo subcapítulo, analisar-se-ão os dados referentes às respostas dadas pelos/as enfer- meiros/as e realizar-se-á, sempre que possível, o paralelo com as respostas dos/as utentes.

4.3. Conhecimentos, atitudes e valores dos/as Enfermeiros/as sobre a