5.1 Omfang av bioteknologisk FoU i næringslivet
5.1.1 Bioteknologisk FoU etter foretaksstørrelse, hovednæring og landsdel
O basquete de rua é uma das manifestações esportivas dentro da CUFA, difundida nacional e internacionalmente, e está presente em todas as bases da instituição. Nesse ponto, iremos destacar as contribuições do basquete de rua enquanto manifestação esportiva formadora de identidades, mais especificamente da população negra. Abordaremos um pouco da sua história, que, paulatinamente, vem ganhando adeptos pelo Brasil e tomando conta de alguns bairros na cidade de Fortaleza.
A literatura a respeito ainda é escassa – o que tornou difícil fazer um levantamento mais preciso, principalmente quando se fala do basquete de rua em Fortaleza. Utilizei como base alguns artigos, os sites da CUFA e da Liga Urbana de Basquete (LUB), e uma pesquisa do jornal O Povo, que ajudou a entender qual o lugar ocupado pelo basquete de rua nacional e internacionalmente.
Porém, antes de ir ao nosso ponto principal, iremos nos deter um pouco sobre a relação dos afrodescendentes e o esporte e sobre o surgimento do basquete e do basquete de rua – para compreendê-lo como um espaço construtor de identidades e de referências, no sentido de propiciar ações afirmativas para a população negra, dentro do esporte.
De acordo com Duarte (2010), o basquete de rua nasceu por meio da exclusão de jovens negros que não tinham oportunidade de praticar o basquete tradicional8, porém conquistaram novas formas de se jogar e de se conscientizar a juventude negra, que via o esporte como uma das ferramentas de socialização e inclusão. Ainda para esse autor, o basquete de rua é uma manifestação esportiva de resistência social, cultural e racial que se desenvolve dentro das periferias e favelas. Trata-se de uma nova forma de pensar, em conjunto com a música, a dança e o grafite, que se propõe a contribuir com um novo olhar e consciência sobre o mundo, para seus praticantes. Nesse sentido, o esporte passa a ser entendido como uma das formas encontradas, principalmente pela juventude negra, como lugar de afirmação, tornando-se visíveis perante a sociedade. É um esporte, portanto, que intenta fugir dos moldes tradicionais, questionando e adaptando a realidade social e cultural dos alunos, e que resulta numa atividade ressignificada, em um novo olhar, para quem participa. Duarte (2010) afirma que o basquete de rua é uma construção da humanidade de relevância e de resistência, que vai contribuir na formação do sujeito e da identidade enquanto ser negro.
É importante salientar que a relação dos afrodescendentes com o esporte é um paradoxo, ora como um campo esportivo em que eles são predestinados, diante do pensamento eurocêntrico, ora como um local menos privilegiado em relação a outras modalidades (DEMO, 2010). É como se o negro tivesse lugar marcado dentro de determinado esporte, como, por exemplo, no futebol e no atletismo, e como se essa “predisposição” não fosse a mesma para o polo aquático, tênis ou natação. Essa suposta naturalização do negro para as práticas esportivas não retira o caráter preconceituoso e racista que existe no interior do esporte.
Segundo Demo (2010), os fatores genéticos, somados aos sociais e geográficos, influenciam no desempenho esportivo. Para tanto, torna-se tendencioso fazer uma ligação da naturalização do corpo do atleta negro com determinadas manifestações esportivas.
Partindo dessa perspectiva biológica e genética em torno dos atletas afrodescendentes, Demo (2010) aponta para um ressurgimento de certos aspectos do discurso eugênico; ou seja, os negros são colocados como aptos em determinados esportes devido à sua predisposição
8 É uma manifestação esportiva com regras e gestos técnicos aguçados, o que ressalta o número de pontos e a
genética, o que desperta o racismo, quando se trata de um específico esporte e a população negra.
Porém, essa ideia acaba empobrecendo a compreensão do fenômeno esportivo, pois se pode cair na mesma armadilha em que os critérios exclusivamente biológicos irão determinar e garimpar os talentos esportivos (DEMO, 2010). De acordo com Duarte (2010), o esporte deve ressaltar o coletivo para que os sujeitos percebam a importância do trabalho em grupo. Ele tem um caráter social muito importante, mas não salvacionista – como acham os que o veem como solucionador de todas as mazelas sociais. É preciso compreendê-lo como um fenômeno bem mais complexo e maior e entendê-lo como formador de opiniões, de identidades, de sujeitos críticos e reflexivos, a fim de analisar a sociedade em que vivemos.
Pressupõe-se, portanto, ser necessário entender o esporte enquanto um fenômeno social e como uma das manifestações da cultura corporal9, onde é preciso questionar suas regras, suas adaptações, a realidade cultural, social e racial de quem pratica, cria e recria (DUARTE, 2010).
Diz-se, ainda, que o esporte, na perspectiva crítica, possui uma grande relevância e compromisso social, e sua ressignificação parte das massas que o pratica em todos os espaços. O basquete de rua é resultado de novo sentido e significado dado ao basquete tradicional, reinventando-o, o que Duarte (2010) chamou de cultura corporal “étnica”. Logo, o basquete de rua, no viés da cultura corporal, proporciona uma gama de estudos e reflexões nas relações das manifestações culturais, do esporte e das ações afirmativas, em busca da transformação social.
Conforma afirma Duarte (2010), é preciso tratar o basquete de rua na sua dimensão histórica, social, política e cultural, ampliando o pensamento do que acontece nas massas. Na sociedade atual, com a globalização e a mercantilização das manifestações e da cultura popular, acaba-se deixando de fora o povo que cria e recria tais ações; ou seja, a história da luta da população negra nesse espaço também acaba caindo no esquecimento.
9 Cultura corporal está configurada com temas ou formas de atividades, praticamente corporais, como: jogo,
esporte, ginástica, dança, lutas ou outras, que constituirão seu conteúdo. O estudo desse conhecimento visa a apreender a expressão corporal como linguagem. Expressam sentido/significados onde se interpelam, dialeticamente, a intencionalidade/objetivos do homem e as intenções/sentidos da sociedade. Tratar desse sentido/significado abrange a compreensão das relações de interdependência que jogo, esporte, ginástica e dança têm com os grandes problemas sociopolíticos atuais: ecologia, saúde pública, preconceito e discriminação racial, dentre outros (Coletivo de autores, 1992, p. 62-63).
É importante ressaltar que o basquete de rua é uma das formas de ressignificação de se jogar basquete, e que, aos poucos, está se construindo como espaço de referência e afirmação da população negra. Duarte (2010) destaca a importância dessa manifestação esportiva, no sentido de proporcionar ações afirmativas e a inserção do negro nas práticas esportivas além do futebol e da capoeira. Para ele, o esporte é um dos veículos para a construção e formação crítica do sujeito e da identidade, na busca da transformação social, cultural e racial.
Nessa perspectiva crítica e superadora, o basquete de rua assume um papel de compromisso, de ascensão e de empoderamento. Isso ocorre, principalmente, no caso da juventude negra, que, como sujeitos de direitos, lutam para ter direito ao esporte de qualidade, mesmo fora dos padrões instituídos, na busca da afirmação de identidades por meio do esporte.
Em seguida, apresentam-se as discussões e análises no que concerne ao basquete de rua e a CUFA, alvo principal em nosso trabalho.