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6   MILJØ OG RESSURSVERN

6.2   Kulturlandskapet

6.2.2   Biologisk mangfold

A manutenção do equilíbrio ambiental é fundamental para o desenvolvimento sustentável, pois respeitar a capacidade de suporte do ambiente fornece subsídio para o crescimento socioeconômico e para a conservação dos recursos naturais. Os recursos hídricos são bens indispensáveis à humanidade, pois a escassez de água acaba por condicionar entraves ao desenvolvimento econômico, que acaba limitando o desenvolvimento social de regiões semi-áridas do país.

A metodologia aplicada permitiu a realização de uma síntese da realidade ambiental, destacando os principais problemas e potencialidades dos recursos hídricos na sub-bacia do rio Poti na cidade de Crateús - CE. Neste sentido, as situações verificadas nos setores da bacia remetem à necessidade de uma intervenção planejada que privilegie práticas adequadas ao desenvolvimento sustentável, como o planejamento ambiental.

A sub-bacia do rio Poti apresenta um quadro de ocupação desordenada bastante preocupante. A área apresenta rede coletora de esgoto deficiente, gerando contaminação que deteriora a qualidade da água do rio. Outro problema comum é a deposição de lixo nas margens dos corpos hídricos, que contribuem para a poluição e a descaracterização de todo esse ecossistema.

De acordo com os resultados obtidos para água subterrânea, dos 04 poços analisados apenas um (AS 01) apresenta água de boa qualidade, onde quase todos os parâmetros analisados estavam de acordo com os limites de potabilidade da portaria do Ministério da Saúde 2914/11, apenas a turbidez e o ferro estavam em desacordo, mas nada que impeça o seu uso. Os demais poços analisados apresentavam águas salobras ricas em cloreto e com alta dureza. Com relação ao parâmetro nitrato, no período de estiagem os valores determinados se mostram bem próximo do valor máximo permitido pelo MS e no período chuvoso ultrapassam esse valor, limitando o seu uso para consumo humano.

O contexto hidrogeológico da área deve ser motivo de pesquisa mais detalhada para subsidiar providências no sentido de controlar a exploração dos raros poços que captam águas de boa qualidade, de forma a evitar a contaminação desses poços pelas águas subterrâneas salobras e ricas em nitrato. Em intensos períodos de estiagem, como o que ocorreu no ano de 2012 e se prolonga para o ano de 2013, as águas subterrâneas surgem como uma alternativa para a subsistência humana. A

122 prefeitura de Crateús está perfurando mais poços na cidade e nos distritos, onde estão sendo instalados dessalinizadores para a remoção de sais, no entanto, é essencial uma pesquisa mais detalhada dos compostos nitrogenados para a verificação da potabilidade dessa água.

De acordo com as análises físico-químicas, constatou-se que este recurso oferece condições de uso nos dois primeiros pontos analisados (RP 01 e RP 02) e nos demais apresenta uma água salobra, pois o aumento da salinidade ao longo do rio confirma a escassez de água, que, através do processo evaporativo, deixa a água estagnada, elevando a concentração de sais. Nos pontos que apresentam água salobra para atender os requisitos de abastecimento, seria necessário um tratamento que demandaria mais recursos, para a execução do seu processo de tratamento.

De um modo geral, ficou evidenciado nas análises bacteriológicas, que o rio apresenta valores aceitáveis de E. coli, pois apenas um ponto (RP 04) apresentou valor em desacordo com a CONAMA 357/05, mas para os usos múltiplos do rio se deve levar em consideração os outros parâmetros analisados.

O Índice de Qualidade da Água do rio Poti demonstra que o rio está enquadrado na categoria boa, mas, como foi dito anteriormente, apresenta alguns pontos com água salobra (de RP 03 a RP 06) de qualidade regular, sendo recomendados para o abastecimento público apenas os dois primeiros pontos (RP 01 e RP 02).

Outro agravante na qualidade da água do rio Poti é o intenso processo de eutrofização, configurado pela alta concentração de nutrientes, favorecendo o crescimento excessivo de fitoplâncton e plantas aquáticas. As macrófitas aquáticas dominam o espelho d’água, sendo o rio classificado, quanto ao Índice de Estado Trófico, em hipereutrófico. Os pontos (RP 01 e RP 02) apresentaram IET que variou de oligotrófico a supereutrófico, assim como demonstrado para os outros parâmetros analisados, foram os pontos com melhor qualidade da água.

Com relação à comunidade fitoplanctônica, encontram-se organismos dominantes que no decorrer do rio variavam de Chlorophyceae a Cyanophyceae, sendo as cianobactérias um problema de saúde pública devido à produção de toxinas prejudiciais à saúde humana. Do ponto de vista ambiental e da saúde pública, é importante sempre manter atualizados os dados referentes à contaminação dos recursos hídricos, para direcionar políticas públicas eficazes na solução destes problemas.

A matriz de impacto ambiental aponta falhas de gestão, planejamento, fiscalização e ausência de programas de Educação Ambiental, que são apontadas como

123 os principais responsáveis pela maioria dos impactos adversos no meio ambiente. Com isto, há uma necessidade de desenvolver programas de educação ambiental nas comunidades, visando orientar a população quanto à preservação dos recursos hídricos existentes na área. Para implementação de programas de Educação Ambiental, deve-se buscar, ainda, o apoio principalmente na comunidade escolar local, priorizando o envolvimento social, pois só uma população consciente de seus direitos e deveres, poderá ser um eficiente instrumento capaz de transformar a realidade local.

Em suma, a gestão dos recursos hídricos deve considerar as peculiaridades locais, já que os sistemas socioambientais diferem de uma região para outra. Cada região necessita avaliar as implicações concretas de suas políticas, enfocando, no entanto, objetivos comuns como a qualidade de vida e ambiental. Para tanto, deve-se priorizar medidas que visem o desenvolvimento sustentável, tais como, ampliação do sistema de esgotamento sanitário, retirada das populações que ocupam Áreas de Preservação Permanente, reflorestamento das margens e conscientização da população local através de programas de Educação Ambiental.

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