7. KONSEKVENSER AV VINDKRAFTANLEGGET
7.6. Biologisk mangfold
“Face às forças centrífugas da desintegração, valorizar uma lógica de projeto é tentar recriar o tecido social, voltar a dar vida a grupos homogéneos.” (Boutinet, 1996, p.163)
O conceito de projeto mantém-se em análise e é alvo de reflexão por ser um termo ambíguo e polissémico. Boutinet (1996) dedicou espaço a esta análise, começando por verificar a sua génese no campo da linguagem, viajando pelas principais línguas atuais e pelas línguas que lhes deram origem. Refletiu, também, sobre as metamorfoses operadas no conceito e à espécie de magia verbal existente quando se enuncia a palavra projeto.
Na sua língua materna, Boutinet (1996, p.31) encontrou como sinónimos de
projeto: “desígnio, intenção, finalidade, objetivos, golos, ação de visar, planificação e
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língua Portuguesa, encontramos a seguinte definição de projeto: “s.m., plano para a realização de um ato; esboço, representação gráfica e escrita, acompanhada de um orçamento que torne viável a realização de uma obra; cometimento; empresa; desígnio; tenção; (fil.) na filosofia existencial, aquilo para que o homem tende e é constitutivo do seu ser verdadeiro (cf. Psicanálise existencial) ” (Costa e Melo, 1994, p.1462).
Efetivamente, à palavra projeto encontra-se alocado um conjunto de outras palavras que podem contribuir para a compreensão e, inclusivamente, caracterização do conceito como sejam: a polarização da ação, de forma planeada, para o alcance de um fim; remetendo-nos também para o conceito de processo, implicando dinamismo; à análise dos custos (em termos de recursos humanos e materiais); também frequente é a expressão realização de uma obra, associando-se a termos como criação, iniciativa e
inovação. Na sociedade atual, projeto é moda.
Guerra (2006) refere-se a uma civilização de projetos, a que Boutinet (1996) designa por sociedade de acumulação de projetos, ouvindo-se com frequência expressões como: projeto arquitetónico, projeto educativo, projeto cultural, projeto social, projeto de saúde, projeto de vida, que nos conduzem a conteúdos distintos, muitas vezes utilizados indevidamente, não se (re)conhecendo a complexidade que poderá estar implícita ao seu uso.
Na tentativa de compreender os motivos pelos quais a modernidade elege o projeto como forma de expressão privilegiada, Boutinet (1996, p.24) identifica
“duas derivações constitutivas desta modernidade, expressas em duas utilizações contrastantes do projeto: uma derivação racionalizante, que permitiu a lenta afirmação das condutas de antecipação sempre preocupadas em melhor dominar o futuro, uma derivação mais existencial, feita de interrogação sobre o sentido de uma evolução individual e coletiva e o tipo de finalidade que encarna, exprimindo por aí a pesquisa inquieta de um ideal inacessível”.
O que nos leva a pensar em projeto, nesta perspetiva, com responsabilidades e controlo relativamente ao futuro e, por outro, na incessante busca de um tal ideal
inacessível. Numa outra perspetiva, outros autores como Brand (1992, p.20),
acrescentam a projeto uma dimensão relacional uma vez que este propícia uma “complexa estrutura de relações pessoais onde se inserem muitos interesses diversos, em alguns casos contrapostos, díspares ou com diferentes pontos de vista (…) ” acrescentando que, ainda assim, “todos são necessários e têm algo a dar ao projeto, mas conseguir que a sua contribuição seja positiva, convergente e subordinada é uma tarefa
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de grande dificuldade”, o que justifica a necessária capacidade de liderança e gestão de interesses/negociação no seio de um projeto.
Depois desta breve descrição sobre a discussão, ainda atual, em redor do conceito de projeto, adotámos neste estudo a proposta de Boutinet (1996, p.91) que o define como “uma antecipação operatória, individual ou coletiva, de um futuro desejado”, acrescentando a necessidade de fixar-se um certo horizonte temporal. Uma vez que da análise do termo emerge a polarização da ação e esta estar inscrita no âmbito do projeto FREI(A), entendemos por projeto de ação, “a imagem antecipadora e finalizante de sequência ordenada de operações suscetíveis de conduzir a um novo estado da realidade-objeto da ação” (Barbier, 1993, p.66), implicando, assim, mudança(s). Considerámos ainda que na operacionalização das atividades que envolvem um projeto é fundamental a identificação dos recursos e dos custos a eles associados (Rafael, 1993), assim como a identificação dos objetivos finais, necessários à condução de um projeto de ação. Barbier (1993) conclui que se pode falar de projeto de ação quando nos encontramos na presença de representações não apenas do estado final de uma realidade que se procura transformar, mas também de todo o processo que possibilita o alcance desse estado.
Quando nos interrogamos relativamente às características das ações que impulsionam as práticas de planificação de condução das ações, Barbier (1993) partilha com o leitor três constatações: as ações novas socialmente inéditas, das quais sublinhamos o caso da pedagogia e da formação; ações que implicam a intervenção de
vários atores, caracterizando-se pelo processo de consultas ou negociações entre os
atores envolvidos, do qual a redação do projeto se torna o elemento-chave desse processo. Sublinhe-se que “a existência de diferentes motivos e apostas em jogo se revela fonte de desenvolvimento” (Barbier, 1993, p.99) e ainda as ações que se inserem
no quadro de outras ações mais amplas, tendo como exemplo a conceção de um projeto
de certa amplitude que compele “uma série de «subplanificações» respeitantes às diversas sequências de atividades que compõem a ação principal e suscetíveis de serem autonomizadas” (idem, p.100).
No campo da formação podemos exemplificar as anteriores características da ação, fazendo recurso ao projeto pedagógico. Neste, porque as ações são construídas à
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procura estimular a motivação dos aprendizes negociando aprendizagens concretas e significativas (Boutinet, 1996).
Associados ao tópico do projeto, surgem igualmente os termos plano e
programa, conceitos que importa igualmente esclarecer. Esta foi uma das questões que
emergiu neste estudo, ainda numa fase inicial. Havendo necessidade de aprofundar e explorar os mesmos, não quisemos correr o risco de nos desviarmos do nosso estudo. Contudo, gostaríamos de partilhar o que nos dizem a esse respeito alguns autores. Rafael (1993) refere que a ideia comum é de que correspondem a níveis hierárquicos sucessivos, entendendo-se como programa um conjunto de projetos e como plano um conjunto de programas. Alerta ainda que, nesta diferenciação, podemos incluir diferenças ao nível do horizonte temporal envolvido e o grau de determinação e decomposição das ações inscritas. Deste modo, podemos então entender como plano “um conjunto de programas e projetos que têm em vista atingir objetivos socioeconómicos pré-definidos num espaço de tempo considerável (médio/longo prazo) ” e programa “como conjunto de projetos relacionados que dizem respeito a um mesmo sector ou a uma mesma região. São frequentemente complementares, partilhando os mesmos objetivos e os mesmos recursos para um mesmo horizonte temporal (curto/ médio prazo) ” (idem, p.12). Relativamente à distinção entre programa e projeto, Guerra (2006, p. 173) diz-nos que “ [os] projetos decorrem num período de tempo mais delimitado do que um programa e podem ser definidos em termos de um problema, um objetivo, uma zona territorial, etc.”, distinguindo-se assim os planos dos programas e projetos se estes assumem um caracter mais macro, num período temporal dilatado ou, se por outro lado assumem um caracter mais micro, num período de tempo limitado.
Para Boutinet (1996), cada projeto inscrito num programa deverá responder a uma missão da coletividade, reagrupando um conjunto de tarefas coerentes num determinado contexto espácio-temporal.
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