• No results found

Biological Interactions Between Types of Mariculture and other Coastal Zone Uses

In document CM_1994_F_03.pdf (38.04Mb) (sider 10-13)

A assistência as aulas começou por ser feita aos nossos colegas estagiários de forma informal. Durante as observações que realizámos aos nossos colegas, trocávamos impressões e opiniões com a orientadora de forma a aprender com os seus comportamentos e desempenhos, fossem eles bons ou menos bons, pois ao observarmos os procedimentos dos nossos colegas, contribuímos para uma melhoria na nossa prática letiva, mais especificamente no processo pedagógico e didático.

Hernández e Molina (2002, citados por Prudente, Garganta & Anguera 2004, p.51), afirmam que “no âmbito desportivo estamos perante uma situação social em mudança permanente, pelo que os procedimentos estáticos de análise não são suficientes, antes requerem uma

48

perspetiva dinâmica das condutas, o que coloca a metodologia observacional como ferramenta mais adequada”. Então, a utilização de sistemas de observação visa uma análise de comportamentos de ensino (Sarmento, 2004), ou seja, “a metodologia observacional constitui uma das opções de estudo científico do comportamento humano que reúne especiais características no seu perfil básico” (Anguera, Blanco, Lopéz, & Hermández, 2000, p. 1). Assim, a observação permite-nos recolher dados e/ou acontecimentos e registá-los instantaneamente, de acordo com os objetivos pré-definidos e posteriormente analisa-los e melhorar a nossa intervenção pedagógica.

Esta recolha de informação permite-nos uma reflexão sobre os comportamentos adotados pelo professor observado, orientando as nossas práticas letivas com o intuito de melhorar o nosso processo ensino-aprendizagem, identificando os problemas e criando estratégias para a sua solução. Como tal, é importante ter em conta que “observar é mais do que olhar, é colher significados diferentes com um sentido particular” (Sarmento, 2004). Deste modo, focámos a nossa observação na análise do comportamento do professor estagiário e do professor experiente, para o efeito utilizámos uma ficha de registo de ocorrências.

O sistema de observação do comportamento do professor constitui um instrumento de observação utilizado nas aulas de educação física, com o objetivo de estudar o seu comportamento, traçando um perfil das suas características mais frequentes (Sarmento, Rosado, Rodrigues, Veiga, & Ferreira, 1990). O sistema de observação, por nós utilizado foi composto por 7 categorias de análise, que representam os comportamentos mais comuns dos professores, as quais passamos a citar (Sarmento, Rosado, Rodrigues, Veiga, & Ferreira, 1990; Piéron, 1998, citado por Sarmento et al., 1998):

Instruções (I) – são as intervenções do professor, claras e objetivas, relativas à matéria de ensino ou à forma de realização do exercício (critérios de êxito);

Feedback (FB) – é toda a reação verbal ou não verbal do professor à prestação motora dos alunos com diferentes possibilidades de objetivo e com um momento de observação da indução desse feedback;

Organização (O) - intervenções do professor que regulam as condições materiais da

turma, tais como: deslocamentos dos alunos, transições, indicações relativas à colocação de materiais, formação de grupos, etc;

49

Afetividade aprovativa (Ap) – o professor elogia, encoraja, recompensa, incita ao esforço ou apresenta um aluno como exemplo a seguir, criando um clima positivo na aula;

Afetividade desaprovativa (An) - o professor crítica, acusa, ironiza, ameaça, castiga,

etc;

Intervenções verbais dos alunos (Iva): período durante o qual o professor ouve os

alunos. O aluno fala por sua iniciativa ou responde a uma questão posta pelo professor;

Observações (Ob): períodos durante os quais não ocorre nenhuma intervenção verbal

do professor ou do aluno. O professor mostra-se interessado no que está a acontecer na aula, observando-a;

Outros comportamentos (Oc): outros não especificados.

As regras de registo apresentadas por Sarmento et al. (1990, p.3) implicam uma “amostragem temporal: com 5 períodos de 3 minutos distribuídos uniformemente pela sessão”. Relativamente ao método de registo, originalmente, este centra-se no registo de ocorrências que vão surgindo em intervalos de 5 segundos. Caso se verifique a ocorrência de 2 comportamentos no mesmo intervalo, o observador deverá registar o comportamento mais marcante ou mais importante, tendo em conta que as categorias se encontram hierarquicamente organizadas da mais para a menos importante (Sarmento et al. 1990).

A dinâmica por nós utilizada consistiu em períodos de observação de 3 min. No entanto, como o sistema afirma que deverão ser 5 períodos, optámos por dividir o tempo de aula por intervalos de 15 minutos e observar sempre os últimos 3minutos. Quanto ao registo, optámos por marcar todas as ocorrências em cada minuto, com um traço dentro da categoria verificada, facilitando assim o processo de apontamento e obtendo maior número de informação.

Neste processo de observação estiveram implicados dois momentos distintos. Um primeiro mais informal e um segundo apoiado pelo sistema de observação já identificado.

No primeiro momento de observações, que decorreu durante todo o 1º período letivo e parte do 2º, observamos as aulas dos colegas estagiários. Desta forma, conseguimos identificar diferentes dificuldades no decorrer das mesmas e posteriormente analisar e discutir as formas de intervenção do professor que melhor se adequam a cada situação. Esta discussão e análise foram feitas no decorrer da aula e no fim da mesma, junto do orientador cooperante e com o

50

núcleo de estágio presente. Assim, alcançámos uma melhoria progressiva, relativamente às nossas intervenções e consequentemente no processo individual de ensino-aprendizagem.

No segundo momento, ao longo do 3º período, utilizámos uma metodologia observacional, com o instrumento adequado ao sistema de observação do comportamento do professor. Como tal, realizámos as observações como sugerem as linhas orientadoras de estágio: estagiário-estagiário e estagiário-professor experiente. O foco da observação a estes últimos prendeu-se com o querer adquirir mais conhecimento no decorrer do processo, no que respeita aos seus comportamentos enquanto professores experientes; a compreensão dos comportamentos de ensino em geral; retirar dados passíveis de serem comparados connosco, enquanto professores estagiários e verificar se existiam diferenças significativas entre ambos (estagiário e professor experiente).

Através da assistência às aulas dos professores estagiários e dos professores experientes, foi possível verificar que ambos apresentam maior número de comportamentos relacionados com a instrução, feedback e organização. No sistema de observação utilizado, estas estão no topo da hierarquia, exatamente pela mesma ordem, o que significa que, em geral, todos os professores observados estarão a dar ênfase a estas categorias. Analisando mais ao pormenor, concluímos que quer na instrução quer na organização, os estagiários mantêm valores mais altos de ocorrência. Possivelmente, a experiência dos outros professores permite-lhes manter a turma organizada durante mais tempo ou planear menos transições entre exercícios, diminuindo a necessidade de intervir.

Relativamente ao feedback, os professores experientes mantêm-se mais expressivos que os estagiários. Aqui seria interessante ter observado cirurgicamente o feedback e compará-lo entre os dois tipos de professores. Ou seja, utilizar o sistema de observação do feedback e perceber que tipo de feedback é mais utilizado, de que forma é normalmente atribuído, a quem é dirigido e se é dado de forma positiva ou negativa. No entanto esta análise não nos foi possível, uma vez que estas observações aconteceram no 3º período.

A utilização destes instrumentos de observação contribuiu para analisar, embora que quantitativamente, os comportamentos de um professor e verificar, sistemática e consistentemente, que tipo de intervenção é mais frequente num mesmo professor. Para tal, também teria sido interessante, embora exaustivo, ter observado os professores estagiários ao

51

longo de todo o ano letivo, ou pelo menos, um número de vezes significativo em cada período, procurando traçar o seu perfil ou detetar se o perfil se alterou ao longo da sua prática letiva. Sabemos que algumas limitações se colocaram ao longo deste processo metodológico observacional, principalmente por questões temporais. No entanto, contribuiu para o desenvolvimento de competências enriquecedoras à nossa função de professor, tornando a nossa intervenção mais conscienciosa, eficaz e eficiente.

53

4. ATIVIDADES DE NATUREZA CIENTÍFICO-PEDAGÓGICA

In document CM_1994_F_03.pdf (38.04Mb) (sider 10-13)