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2. Materials and methods

2.11. Bioinformatics

Criada em agosto de 1958, com sua primeira série laboratorial associada ao CRPE-SP (Centro Regional de Pesquisas Educacionais Prof. Queiroz Filho, em São Paulo), a Escola de Aplicação foi integrada às Escolas de Demonstração em 1962. Tal projeto, em parceria com a UNESCO, objetivava um ensino público diferenciado, por intermédio de experiências inovadoras.

Com a extinção do CRPE-SP, a Escola de Aplicação ficou vinculada à Universidade de São Paulo a partir de 1973, passando a denominar-se Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. A princípio, a escola oferecia apenas o ensino de 1º grau; só em 1985 é que o ensino de 2º grau foi implantado.

O ensino de arte esteve presente no currículo da Escola de Aplicação, desde a sua criação, em uma diversidade de nomenclaturas, tais como: Artes Industriais (remanescente da concepção tecnicista do ensino de arte), Iniciação Musical, Artes Plásticas, Expressão Musical, Arte Dramática, Educação Artística, Teatro, Arte Cênica, entre outras − corroborando a complexidade das concepções do ensino de arte no país.

Curiosamente, em 1970, encontramos um Plano de Atividades para Arte Dramática de 1ª a 4ª séries. Nos anos que seguem, percebe-se uma ausência do ensino de teatro, que reaparece no Plano de Curso de 1992 com a denominação Arte Cênica. A partir de 1990, o ensino de arte passa a integrar o currículo do 1º e 2º graus na Escola de Aplicação. Os Planos de Ensino por área de conhecimento (inclusive a área de arte: Música, Teatro e Artes Visuais) integram os Planos de Atividades do ano de 1995.

Os anos 1990 foram marcados por mudanças significativas no ensino da arte no país, resultantes dos esforços ocorridos nos anos 1980, quando se constituiu o movimento de arte- educação que possibilitou ampliar as discussões sobre a importância e valorização do ensino de arte no Brasil. Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 20 de dezembro de 1996 (LDB 9.394/96), o ensino de arte tornou-se obrigatório nas escolas de educação básica. A lei inseriu a arte como área de conhecimento, em igualdade com as demais disciplinas do currículo escolar. No artigo 26 parágrafo 2º, lê-se “O ensino de arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (PCN, 1997, p.30).

Estas conquistas decorrem de inúmeras ações afirmativas nos anos 1980, atribuindo novos direcionamentos ao ensino de arte nas escolas de educação básica do país. Diversos encontros de arte-educadores da FAEB (Federação dos Arte-Educadores do Brasil) integraram diferentes universidades do país; assim como da ANPAP – Associação de Pesquisadores em Artes Plásticas, da Abem – Associação Brasileira de Educação Musical e da ABRACE – Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, que também colaboraram para a atualização de novas abordagens metodológicas no ensino de arte. Esses encontros possibilitaram, ainda, a compreensão das relações transversais da arte com outras áreas − e seu papel específico como mediadora de modos culturais na construção do conhecimento. (Orientações Curriculares do Ensino Médio - OCNEM, 2008)

Somam-se a essas ações a criação de uma linha de pesquisa em arte-educação no Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Assim, a área de artes se fortalece como campo de pesquisa, tornando possível a realização de novos direcionamentos da arte no contexto educacional. As concepções do ensino de arte foram inseridas no campo cognitivo, bem como a sistematização de diferentes metodologias, nos diversos âmbitos do ensino e da aprendizagem de arte (OCNEM, 2008, pp.174-175).

Dentre as inúmeras contribuições, nos PCNs/Arte divulgou-se uma nova concepção metodológica do ensino da arte, ancorada em três ações de aprendizagens significativas: o

fazer artístico, a apreciação e a contextualização histórica. Esta proposição valoriza a acuidade, pelo percurso da criação artística, sua fruição estética e o saber para contextualizar obras de artes (visuais, cênicas, musicais, ou de dança). A leitura estética, contextualizada, da obra de arte possibilita o desenvolvimento de uma formação artística, o exercício da autonomia para apreciar a arte e, dessa forma, contribui para a valorização de bens culturais. Em um processo progressivo, a partir dos PCNs, os alunos são orientados a apreciar, desfrutar, valorizar e julgar os bens artísticos de distintos povos e culturas produzidos ao longo da história e na contemporaneidade.

O ensino de arte e suas linguagens (música, teatro, dança e artes visuais) inserem-se como área de conhecimento em escolas de educação básica, exigindo formação adequada e atualização constante dos professores. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (1997) orientam os currículos do Ensino Fundamental I e II e do Ensino Médio (PCNEM - 1998), assim como os demais segmentos da educação básica Infantil e de Educação de Jovens e Adultos. As orientações de saberes e competências a serem aprendidos no decorrer da experiência escolar estão explícitas nos documentos para as linguagens artísticas, bem como o detalhamento de objetivos, estratégias, avaliações e a proposição de temas transversais a serem trabalhados nas áreas de conhecimento. Este viés traz concepções e ações pedagógicas para que o ensino de arte esteja em consonância com as questões da arte contemporânea.

Tal exigência é uma das prerrogativas do PCN/Arte (1998), afirmando a necessidade de competências que possibilitem ao aluno estar em contato com a “diversidade das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional, nacional e internacional: produções, reproduções e suas histórias” (PCN, 1998, p.57).

Estas mudanças reverberaram diretamente nas concepções do ensino de arte, tornando este período merecedor de destaque pelas alterações nos regimentos da Escola e em seu projeto político-pedagógico e pela realização estrutural da área de arte.

Somam-se às práticas do ensino de arte na Escola de Aplicação a implantação dos ateliês de arte, em 1992, oferecendo três linguagens artísticas (música, teatro e artes visuais), com professores especialistas nas referidas linguagens. Esta característica foi um dos maiores diferenciais do ensino de arte na instituição. Ela ofereceu oportunidade do aluno se aprimorar na linguagem de maior afinidade, no decorrer do ensino médio. Os espaços privilegiados dos ateliês de arte da Escola de Aplicação possibilitavam uma diversidade de práticas artísticas, tais como: a formação de conjuntos musicais, exposições de artes visuais, apresentações de processos de criação teatral, entre outras experimentações. Ressalta-se o contato com a arte contemporânea em projetos de visitas a museus, teatros, galerias, cinemas e bienais de São Paulo.

Foi neste contexto da área de arte que ingressei na Escola de Aplicação (EA), em 1997, ministrando as aulas de teatro para o Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, até o ano de 2010. As condições oferecidas pelos ateliês e a liberdade para trabalhar com os alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio, tornaram possível a instauração das experiências teatrais em diversas abordagens, privilegiando concepções contemporâneas em procedimentos teatrais conduzidos por jogos e improvisações.

Atualmente a EA oferece sessenta vagas anuais para o 1º. ano do Ensino Básico, por intermédio de sorteio, sendo que 1/3 é destinado aos filhos de funcionários e professores da Escola de Aplicação e da Faculdade de Educação da USP; 1/3 aos filhos de funcionários e professores da USP e 1/3 para a comunidade externa. Portanto, não existe exame de seleção, prática exercida em várias Escolas de Aplicação do país. Deste modo, o perfil dos discentes distingue-se pela heterogeneidade, sendo uma das características do alunado da EA, pois advindos de classes socioeconômicas bastante distintas, exige estratégias singulares da instituição para garantir a formação dos alunos, principalmente no que diz respeito ao exercício convivial.

Dentre os principais objetivos da Escola de Aplicação, destacamos o empenho na execução de pesquisas, visando o aperfeiçoamento, ampliação e divulgação de processos educativos e de formação de professores, com prioridade para estágios de aperfeiçoamento oferecidos a graduandos da Faculdade de Educação e de outras unidades da USP e de outras Instituições Superiores fora do âmbito da Universidade.

Abaixo os objetivos da E.A. (Projeto Pedagógico, 2009, p.11):

Constituem-se objetivos da Escola de Aplicação de acordo com o Regimento Escolar:

Sediar e executar pesquisas de interesse próprio ou da Faculdade de Educação, de seus cursos e docentes, que visem ao aperfeiçoamento do processo educativo e de formação docente.

Oferecer oportunidades de estágio a alunos da Faculdade de Educação e a outras unidades da Universidade de São Paulo.

Oferecer subsídios à Faculdade de Educação da USP ou outras agências públicas de formação do educador.

Divulgar experiências e contribuições resultantes de suas ações, prioritariamente para a rede pública de ensino.

Assegurar aos educandos a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e o usufruto do trabalho (…).