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5 BIDRAG FRA FORSKJELLIGE KILDEGRUPPER TIL DE MÅLTE

5.3 Biltrafikkens bidrag nær sterkt trafikkerte

Tipo de Reunião: Reunião

Local: Centro Comunitário da Apelação – Sede Teatro Ibisco Data: 09/11/2016

Horário: 17:00 às 20:00 Presentes:

Clara Vaz – Assistente Projetos AIDGlobal Eunice Rocha – Diretora Teatro Ibisco Catarina Aidos - Formadora

Elaborada por: Clara Vaz Ordem de Trabalhos:

1. Apresentação AIDGlobal e do projeto AMITIE CODE. 2. Apresentação Teatro Ibisco e seu trabalho na comunidade.

3. Dificuldades inerentes ao trabalho com migrantes e questões problemáticas na comunidade, nomeadamente no bairro Quinta da Fonte.

4. Conhecer o bairro e a comunidade e relações com autoridades locais.

5. Conversa com os alunos/atores do teatro e identificação de desafios e dificuldades inerentes ao seu estatuto e ao local onde vivem.

No Ponto Um, Clara Vaz apresentou a AIDGlobal referindo o trabalho desenvolvido pela organização. Procedeu-se à apresentação do projeto AMITIE CODE em curso, referindo o trabalho da AIDGlobal como entidade formadora e as expetativas referentes à participação de Associações de Migrantes, assim como dos próprios migrantes em relação à formação.

No Ponto Dois, Eunice Rocha apresentou o Teatro Ibisco (Teatro Inter-bairros para a Inclusão Social e Cultura do Otimismo) referindo que este começou em 2005, na forma de workshop, no Bairro Quinta do Mocho. Alcançou uma maior visibilidade através do programa Escolhas, tendo como objetivo capital trabalhar a questão da violência inter-bairros (Quinta do Mocho e Quinta da Fonte), pondo ambos os bairros a trabalharem juntos. A ideia é promover a inclusão através da arte, pois ao formar atores também formam cidadãos. Os projetos do Ibisco passam por tentativas de participação dos mais novos, entre 6 e 12 anos, (Ibiscode) assim como dos mais idosos (Ibiscota), com programas e iniciativas pensadas para estes coletivos em particular. Levam, igualmente, a cabo um projeto de apoio à empregabilidade denominado Abota, baseado no sistema de repartição de dinheiro entre as comunidades de mulheres cabo-verdianas, proporcionando formações, contato com empresas, assim como a ajuda para fazer estudos de forma a implementarem os seus próprios negócios. Participaram ativamente no “Festival o Bairro i o Mundo” criando associações e assembleias participativas para a concretização deste, ao mesmo tempo que impulsionaram ações de limpeza e pintura do bairro. O Ibisco conta com um Polidesportivo, restaurado pela associação em conjunto com a comunidade, que incluí um bar, um ginásio, uma sala de convívio, uma micro-galeria com trabalhos expostos dos alunos/atores, contando também com a realização de torneiros de futebol dinamizados pela associação. Entre os seus inúmeros espetáculos – sendo a maior parte bilingue - conta-se com o “Compaixão” – espetáculo sobre refugiados - pedido pelo Alto Comissariado das Migrações e indicado pela Comissão Europeia como um exemplo de boas práticas para o acolhimento de refugiados, sendo visto por mais de 10mil pessoas. A iniciativa Fórum de Reconciliação foi criada após os conflitos

em 2008 entre os bairros Quinta da Fonte e Quinta do Mocho, pretendendo ser um espaço aberto para falar entre e com ambos bairros. No seguimento desta iniciativa foi instaurado um conselho científico e criados diversos workshops em ambos bairros com as pessoas diretamente envolvidas nos conflitos.

No Ponto Três, as maiores dificuldades referidas em relação às problemáticas dos migrantes relacionam-se com a elevada burocracia envolvida, a demora nas respostas por parte das entidades responsáveis pela documentação e a sua pouca flexibilidade no tratamento de casos, assim como

a dificuldade na obtenção de equivalências. Para Eunice Rocha o baixo nível de

empregabilidade da comunidade está diretamente relacionado com a baixa escolaridade, isto pois os jovens podem ter as capacidades e o conhecimento, no entanto não detêm certificações ou documentação, levando a situações de falta de autoestima ou desmotivações. Uma questão problemática é o facto de muitas crianças terem nascido em Portugal, no entanto não têm documentação nacional, adicionalmente as dificuldades no registo levam a que muitos recorram a uma vida criminal. A barreira linguística traz diversos problemas pois as crianças, ao apenas falarem crioulo, quando chegam a Portugal não conhecem a língua e são remetidas para anos escolares abaixo dos que realmente têm, levando a que quando chegam à idade maior são expulsos da escola sem certificações.

No Ponto Quatro, foi referido que o bairro da Quinta da Fonte é um resultado do realojamento de bairros como o Prior Velho, sublinhando o caráter de gueto que o bairro adquiriu, em parte devido à sua distância territorial. A população é na sua maioria composta por uma comunidade imigrante e outra cigana, que vivem atualmente em considerável estado de paz. Existem duas igrejas - a angolana e a Filadélfia da comunidade cigana - no entanto existem mais religiões, apesar de não muito expressivas – como a muçulmana. Eunice Rocha afirma que deveria de haver mais controlo pois há muitos casos de pessoas que não têm água nem luz em casa, sublinhando a problemática de haver um esgoto a céu aberto em pleno bairro que não é tratado pelas autoridades, causando sérias questões de higiene, segurança e de mosquitos. Foi, igualmente, referido o caso dos subalugueres de casas que não estão ocupadas. Quanto à relação com as autoridades locais, Eunice Rocha, afirmou que a Câmara Municipal de Loures é bastante ativa, prestando uma boa ação social e estando sempre disponível para formar parcerias.

No Ponto Cinco, os alunos/atores do teatro Ibisco referiram que as maiores dificuldades que lhes são apresentadas referem-se ao acesso à educação. O fato de não existirem equivalências leva a atrasos em relação aos anos efetivos de estudo, fazendo com que quando os alunos/atores chegam à idade maior já não têm oportunidade para escolher o curso que querem frequentar. Igualmente, podem ser redirecionados para cursos à noite, não sendo estimulante e difícil de concretizar por questões de transporte. Os transportes foram identificados como outro desafio pois não existe financiamento para poder pagar os passes. O fato de as escolas estarem longe e o passe ser caro leva a que nos meses que não se pode pagar o passe não seja possível ir à escola, acabando por poder chumbar. Os alunos/atores sublinharam a importância de se construírem programas adaptados aos bairros, referindo que se a escola está no bairro esta tem de se adaptar a tal realidade, seja através do currículo ou horário escolar, ou das próprias instalações e serviços. O reagrupamento urbano foi igualmente referenciado como sendo um grande problema pois “as pessoas que já viviam com problemas foram juntas a outras pessoas com problemas”. Todos os alunos/atores concordaram que deveria ser dada mais atenção à questão escolar, pois todos querem estudar o que lhes interessa e aquilo em que têm paixão, sendo-lhes muitas vezes impossibilitada tal opção. Todos os participantes concordaram na necessidade de uma Política de Inclusão Efetiva, onde o “Estado tenha predisposição para incluir e acolher”.

E nada mais havendo a tratar, foi dada por encerrada esta reunião, da qual se lavrou esta ata, dada a ler aos presentes para sua aprovação.

14/11/2016

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