2 Theoretical and empirical foundation
2.1 Bilingual learners and some of the many terms for this group
Para dialogarmos com os professores usamos como instrumentos a entrevista semiestruturada, gravada em áudio, e o diário de campo, por compreendemos que dessa forma poderíamos estabelecer uma relação mais pessoal com os pesquisados. No entendimento de Ludke e André (1986), mais do que outros instrumentos de pesquisa, especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, em que não há a imposição de uma ordem rígida de questões, a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Além disso, no nosso caso, sua utilização se constituiu como uma importante tática de interrogação aos professores sobre os saberes que dominam sobre a literatura.
Nesse caso, Bogdan e Biklen (1991, p. 134) afirmam que a entrevista pode se constituir como estratégia dominante para a recolha de dados. É utilizada para coletar elementos descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo.
Assim, alimentadas por essas considerações, após os primeiros contatos, elaboramos inicialmente, um documento (ver apêndice A), solicitando informações como idade, sexo, estado civil, escolaridade, dados da formação e jornada de trabalho. Essa ficha foi entregue aos professores, algumas preenchidas de imediato, outras devolvidas em outro momento. Na oportunidade, aproveitamos e mostramos o termo de ciência (ver apêndice B), no qual os professores autorizaram a participação na pesquisa e, posteriormente, a gravação das entrevistas. Dentre as ressalvas desse documento está a garantia de não revelarmos a identidade do pesquisado, tampouco o local onde trabalham.
Após essa primeira fase, junto com os professores, os coordenadores e por vezes com os gestores, elaboramos um calendário de entrevistas. Tivemos o cuidado de não interferir na rotina de sala de aula, para tanto, procuramos seguir os dias de planejamento das escolas. Apesar desse cuidado, por várias vezes nos deparamos com situações que nos impediam de seguir com a entrevista: falta de água na escola, professor que faltou e deixou de comunica à escola, assembleias no sindicato etc., foram apenas alguns dos entraves que tivemos que driblar para concluir essa etapa da investigação. Vale salientar que essa situação prolongou o
cronograma que estabelecemos. A princípio, estimamos um mês para concluir as entrevistas, no entanto, ficamos de junho a agosto de dois mil e treze para fecharmos nosso planejamento. Foram vinte e dois dias de visita às escolas com intervalos entre uma escola e outra, visto que seguíamos de acordo com os dias de planejamento dos professores. Tivemos ainda nesse período o recesso das escolas entre junho e julho. Dessa forma, a conclusão das entrevistas só ocorreu dia quinze de agosto.
Para a realização das entrevistas elaboramos um roteiro no qual procuramos evidenciar quatro aspectos considerados relevantes para nosso estudo os quais organizamos em blocos: saberes sobre a literatura provenientes das experiências pessoais (família, ambiente de vida etc.); Saberes sobre a literatura provenientes da formação escolar inicial (Educação Básica); Saberes sobre a literatura provenientes da formação profissional para a docência e Saberes sobre a literatura provenientes da experiência como docente. Além disso, acrescentamos um bloco de perguntas extras, em que pretendíamos identificar alguns conceitos presentes nas concepções dos professores.
Assim nosso guião de entrevistas se constituiu por cinco blocos de perguntas. (ver apêndice C).
Segundo Ludke e André (1986), a necessidade de um roteiro que guie a entrevista se dá geralmente frente à uma entrevista longa, dada a necessidade do tipo de informação e de diálogo que o pesquisador pretende estabelecer. Nessa perspectiva, tínhamos a certeza de que ao adentrarmos na história de leitura dos professores não havia como não ser longa nossa conversa. Para tanto, deixamos nossos entrevistados cientes do que pretendíamos e, embora alguns tenham preferido responder seguindo o roteiro, a maioria ficou bastante à vontade frente ao direcionamento proposto.
Todas as entrevistas foram realizadas nas escolas e seguiram de acordo com o calendário preestabelecido. Apenas dois professores, a princípio, quando souberam que iríamos gravar suas falas, ficaram um pouco apreensivos, mas diante da naturalidade com que encaramos a recusa, voltaram atrás. Como prevíamos, a maioria dos entrevistados se prolongou bastante em seus relatos, chegando à média de trinta minutos à uma hora de registro gravado. Esse fato nos fez refletir sobre a necessidade de ser ouvido e sobre a importância de ouvir. O professor mesmo atuando em um ambiente em que as interações sociais o colocam em constante diálogo com outros pares é solitário em sua tarefa. E em se tratando do relato de vida, entram em jogo mais do que o simples falar. São resgates de memórias afetivas, de pessoas ou situações que em muitos casos foram elas que colocaram o indivíduo no caminho da docência.
Aguiar (2000) ao fazer a apresentação da publicação do trabalho dissertativo de Betencourt (2000), intitulado A leitura na vida do professor, menciona a metodologia privilegiada pela pesquisadora que, ao voltar seu olhar para a história leitora dos professores das séries iniciais fez emergir a voz e a vida desses profissionais, fato que, segundo ela, redunda também num ato educativo em sentido amplo, pois, quando reconstitui sua história de leitura, cada professor conscientiza-se da própria situação como leitor, passando a limpo experiências até então esquecidas ou não-valorizadas.
As entrevistas possibilitaram aos professores entrevistados a partilha de experiências e memórias de vida. Conhecer as lembranças das leituras, do percurso da formação leitora desses profissionais deram-nos encaminhamentos para traçar o perfil leitor, como se formaram e se constituíram leitores, ou não, bem como suas dificuldades e anseios.
No decorrer dessa etapa da investigação, procuramos nos manter atentas aos gestos, expressões, entonações, hesitações, visto compreendermos a importância de captarmos essa comunicação não-verbal para, depois, confrontarmos com outras informações da pesquisa e os dados sobre o informante. Por vezes observarmos a emoção com que os professores relembravam suas memórias leitoras. Por isso, após o término do trabalho procurávamos ficar um pouco mais com o entrevistado que solicitava nossa atenção. Além disso, ouvíamos a entrevista juntos, oportunidade em que tecíamos alguns comentários. Na prática, evidenciamos o que Ludke e André (1986, p. 37, 38) dizem:
[...] é importante que o entrevistador disponha de tempo, logo depois de finda a entrevista, para preencher os claros deixados nas anotações, enquanto a memória ainda está quente. Se deixar passar muito tempo, certamente será traído por ela, perdendo aspectos importantes da entrevista que lhe custou tanto esforço.
De fato, após desligarmos o gravador ficávamos conversando com o professor e esse momento era muito significativo, pois procurávamos ouvir a entrevista com o entrevistado que, por vezes, acrescentava algo a mais. Os comentários pós-entrevista suscitavam reflexões acerca da profissão docente, daí a importância do registro desses momentos no diário de campo.
Concluídas as entrevistas combinamos com os professores uma data para o envio das transcrições. Eles preferiram que fossem enviadas por e-mail, o que tivemos o cuidado de fazer. Quando não conseguíamos telefonávamos para comunicar o ocorrido. Essa
preocupação surgiu das conversas iniciais que tivemos com os pesquisados, em que professores e diretores reclamaram o feedback após o pesquisador obter os dados para seu trabalho. Dessa forma, procuramos esclarecer, desde os primeiros contatos, “quais os benefícios do estudo e o que iríamos fazer com os resultados na tentativa de manter aberta essa via de diálogo” (BODGAN; BIKLEN, 1991). Essa atitude nos deu confiança para seguirmos com o nosso propósito e da parte dos gestores, coordenadores e professores observarmos uma maior aproximação e respeito pelo trabalho.