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Muitas e variadas experiências foram relatadas pelos sete professores entrevistados. Para alguns, usar Power Point com tópicos da aula, plataformas virtuais como repositório de conteúdos, permitir que o aluno pesquise na web, ensinar a usar aplicativo sem relação com conteúdos são experiências que consideram significativas. Para outros, o propósito das tecnologias e dos ambientes virtuais precisam possibilitar que o aluno seja protagonista do seu aprendizado e atender às necessidades de aprendizagem individual deles e para tanto precisam criar situações nas quais os ambientes online possam ir além da distribuição de conteúdos empacotados para assimilação e repetição (SILVA, 2002). Exemplos desses usos, destacados das entrevistas, são os simuladores, programas que permitem uma observação e feedback individual dos alunos, fóruns, wikis e blogs temáticos.

O professor Matheus, assim define os usos que os professores fazem das tecnologias:

Vejo a tecnologia de duas formas: passiva e ativa. O que eu chamo de passiva: aquela que o aluno simplesmente vai comprovar alguma coisa que o professor quer. Entra no Google para ver tal coisa. A coisa já tá lá, construída; só vai usar aquilo para uma busca, trazer uma informação nova para aula. Tecnologia pela tecnologia. [...] A tecnologia te ajuda nesse momento, mas é uma coisa muito passiva, porque a informação já está construída, já está lá. [...] Para alguns momentos ela é importante, para lembrar uma data, o nome de uma pessoa, na hora que surja um assunto novo. Ela vai me ajudar. É um apoio. Ativa é aquela que o aluno, usando a tecnologia vai construir um conhecimento. Então, ele vai juntar as informações que ele pesquisou no Google para construir um mapa mental online que se conecte com uma wiki, por exemplo. Você coloca os termos que são conectados com uma wiki que são conectados com outros termos. Ele (o aluno) já está trabalhando em cima daquelas informações e construindo um conhecimento em cima daquilo. Ele passa de expectador que fica lá só puxando, baixando informações da internet. [...] É um momento em que ele vai fazer uma síntese, um mapa mental, onde ele vai

89 construir, sei lá, um prezi para fazer um sumário das aulas, vai fazer o resumo do caderno [...].

Considerando que todos os professores em questão são bons usuários das tecnologias, o que as diferencia quanto ao uso que fazem dela em ambientes de ensino-aprendizagem? Vamos pensar em um professor que tenha uma concepção tradicional de ensino: ele seleciona os conteúdos, prepara sua aula, define a metodologia e transmite para os alunos, dá sua aula. Esse professor entende que a tecnologia é importante, necessária, o auxilia e a utiliza para ilustrar conteúdos. Para ele, o ambiente virtual deve facilitar a transferência do conhecimento da maneira mais objetiva possível, aceitando a hipótese “de que todos os aprendizes usam o mesmo tipo de critério e os mesmos processos para aprender” (MAURI E ONRUBIA, 2010, p.122).

Na verdade é como se fosse um diário de sala de aula para mim: tem o conteúdo, os exercícios, atividades. [...] A gente tem um EaD, então eu já subo o conteúdo da aula na plataforma e já deixo disponível para eles. Professor Lucas

O professor Lucas conhece e usa muitos dispositivos. Quando se refere ao EAD, fala do ambiente de ensino e aprendizagem virtual Moodle27, deixando claro que conhece suas várias possibilidades. No entanto reduz seu uso a colocar suas aulas para download.

Com relação aos usos que se faz dos ambientes virtuais, Silva (2002, p. 27) traz a seguinte contribuição:

Estar on-line não significa estar incluído na cibercultura. Internet na escola não é garantia da inserção crítica das novas gerações e dos professores na cibercultura. O professor convida o aprendiz a um site, mas a aula continua sendo uma palestra para a absorção linear, passiva e individual, enquanto o professor permanece como o responsável pela produção e pela transmissão dos "conhecimentos".

Já um professor que tem uma concepção de educação onde considera a importância da participação ativa do aluno no processo de aprender, nos dá uma dimensão de como pensa e usa o ambiente virtual:

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Moodle (Modular Object Oriented Distance Learning) é um sistema gerenciamento para criação de curso online. Fonte: moodlelivre.com.br.

90 Teve outro momento em que a gente usou a wiki com outro projeto. Eles começaram trabalhando com fórum, gostaram da ideia, mas eles tinham muita coisa nova, termos e palavras para aprender. A gente foi construindo aquele conhecimento juntos, só que ai chegou um momento em que tinha muita coisa nova que se conectava. Então agora é a hora de você usar uma ferramenta diferente e o fórum é ótimo para discutir (Professor Matheus).

O professor Matheus cria possibilidades no ambiente virtual para que os alunos possam envolver-se e participar ativamente do processo. Ao agir assim, ele cria possibilidades de coprofessorar o curso com os aprendizes (SILVA, 2009). Em vários momentos da sua narrativa, Matheus deixa claro que as tecnologias devem estar a serviço da construção do conhecimento e que devem ser mediadoras de atividade mental construtiva em contexto rico e diverso de interação interpessoal e de atividades conjunta com o professor e colegas (MAURI E ONRUBIA, 2010)

71% dos entrevistados têm consciência de que alguns usos que se faz das tecnologias não contribuem para aprendizagens significativas e para que isso ocorra o ambiente virtual precisa ser usado forma crítica e inovadora, como destaca

a professora Giovanna:

Existe também uma concepção errada que usar tecnologia é projetar Power Point. Isso não muda nada. (...). Acho que há uma concepção errada de que: Ah inserir tecnologia significa usar o projetor. Não! Ou: levei meus alunos para fazer um exercício no laboratório. Continua sendo um exercício que ao invés deles escreverem no livro eles digitam no computador.

As experiências relatadas pelos professores deixa claro que as TIC podem estar centradas na dimensão tecnológica ou na construção do conhecimento (MAURI E ONRUBIA, 2010, p. 118 – 135) conforme discutido no Capítulo 3. Assim, para alguns professores as tecnologias por si só explicam a aprendizagem dos alunos enquanto para outros, são elementos mediadores da atividade construtiva dos alunos.

5.1.4 Competências para ensinar com as tecnologias

Professores têm clareza que as tecnologias fazem parte da vida dos alunos e estão presentes nas salas de aula e que ambos, professores e alunos, precisam saber lidar com elas em situação de aprendizagem. Para Silva (2009, p. 28) se a

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escola e a universidade ainda não exploram devidamente a internet na formação das novas gerações, estão na contramão da história, alheias ao espírito do tempo e, criminosamente, produzindo exclusão social e exclusão cibercultural.

O professor Matheus compartilha da opinião do autor: “A gente tem que colocar na cabeça que não adianta querer mudar isso que a tecnologia proporciona”.

Os professores têm consciência que não são os únicos responsáveis pela seleção da informação, já que, ao permitirem que os alunos usem dispositivos conectados em sala de aula, estão permitindo que busquem outras fontes de informações que não só aquela do livro ou que o professor está trazendo no momento e nesse sentido, o papel deles é orientar o aluno para que busque informações corretas, de fontes confiáveis, que aprendam a distinguir informações relevantes de informações sem referência. Para Mauri e Onrubia (2010), de oradores ou conferencistas, os professores passam a ser consultores, guias e sua competência está em utilizar, acompanhar e guiar o aluno para que use de maneira adequada as ferramentas tecnológicas.

De maneira geral, os professores lidam com essa questão de forma muito tranquila, como podemos destacar no relato da professora Giovanna:

E ai eu falo eu que eu não conheço. Vou pesquisar. Eu não sou um dicionário ambulante [...] então eu deixo muito claro para eles que eu não sei tudo também.

Ou ainda a professora Maria Eduarda:

Se eu não posso mostrar meus erros, eles não vão se sentir confortável em errar. Eles têm que ver que o professor não é infalível, ele erra!

O professor Lucas, por sua vez, acha que se um aluno questionasse sua informação, isso o deixaria numa “situação extremamente complicada ainda mais na minha matéria que é tecnologia, porque está sempre mudando”. Para que se evitem situações como essa, ele procura manter suas aulas atualizadas para evitar que isso aconteça. Para que a tecnologia auxilie Lucas nas suas práticas educativas, sua competência está em procurar eficazmente, materiais e recursos diferentes, projetá- los e integrá-los ao seu curso (Mauri e Onrubia, 2010).

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Todos os professores consideram que situações em que o aluno questiona e/ou confronta uma informação com outra encontrada na internet podem ser momentos de aprendizagem, nas quais podem orientar o aluno a questionar as fontes, buscando as confiáveis. Nesse sentido o professor Lucas retoma o que considerou ser uma “situação extremamente complicada” e diz:

Pensando bem eu até gostaria que isso acontecesse porque seria uma maneira de eu ver se eles estão pesquisando direito. Porque hoje acho que uma grande porcentagem do que a gente busca no Google não é verdade. Assim como uma grande porcentagem do que você vê no Facebook não é verdade

A professora Marcella diz o seguinte sobre a situação:

Isso acontece o tempo todo e isso não me incomoda de maneira alguma. Eles dizem: mas você falou isso, isso, isso e aqui está dizendo o contrário. E por que? Vamos analisar o por que.

Da mesma forma entende a professora Ana que aproveita a situação para falar da importância da pesquisa e da importância das fontes confiáveis no meio do emaranhado de informações encontrado na internet.

Quando o professor é questionado pelo aluno que traz uma informação de uma fonte confiável, para 86% deles, tal situação não causa desconforto. A professora Ana disse que já aconteceram várias vezes:

Eu não me importo com isso só com o uso de tecnologia, mas em outras situações também. Eu admito que não sei! Hoje mesmo um aluno me perguntou uma palavra que eu não sabia e eu pedi a ele para olhar no dicionário.

Os entrevistados consideram que as tecnologias trazem uma nova competência ao seu papel de professor. Zabala e Arnau (2010, p. 11) dizem que uma das características fundamentais das competências é a capacidade para agir em contextos e situações novas. Nos relatos dos professores, estão explícitas as competências que Mauri e Onrubia (2010) caracterizam como necessárias para um professor diante das tecnologias e das quais falamos no Capítulo 4:

 a capacidade que professores e alunos devem ter para procurar, selecionar e interpretar informações, atribuindo significado e sentido.

93 Eu falo para eles que eles precisam ter muito cuidado nesse sentido da mesma forma que eu. Às vezes vou pegar uma ideia para uma atividade e tem lá um experimento lindo feito em um vídeo encontrado no youtube, mas na hora de fazer não funciona nada”. Professora Marcella

 capacidade de gestão do aprendizado, do conhecimento: formação permanente;

Amanhã você vai ter que buscar essa informação sozinho. Professor Matheus

 aprendizagem para conviver com diversos pontos de vista, com a relatividade das teorias.

Eu preciso ajudá-los a escolherem entre milhares de quadros que eles têm, quais formariam uma exposição que seja coesa, que tenha um propósito. Professora Maria Eduarda

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