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5 Foretakenes egen vurdering

5.2 Bidrag til overordnede målsettinger

Para além das características do empresário e da organização, existem outros fatores que condicionam a utilização, ou não, da informação contabilística. A doutrina aponta frequentemente a forma de divulgação da informação, e o tipo de serviço de contabilidade de que as empresas dispõem, entre outros fatores, como variáveis importantes na explicação do problema.

Grande parte das PME recorrem a contratação de serviços de contabilidade via outsourcing (Gouveia et al., 2015; Husin & Ibrahim, 2014), sendo que a literatura tem revelado que existe uma diferença significativa na utilização de informação contabilística quando esta é produzida internamente, em vez de externamente, através da subcontratação de serviços de contabilidade. Desta forma, empresas que produzem a contabilidade internamente tendem a utilizar mais a informação contabilística (Holmes & Des, 1988; Serrasqueiro & Nunes, 2004). Assim, segundo Nunes & Serrasqueiro (2004), as empresas que atribuem maior importância à informação contabilística, possuem contabilidade feita na própria empresa. Da mesma forma, as empresas que atribuem menor importância, possuem contabilidade externa, sendo que quando a contabilidade da empresa é feita externamente, o nível de formação acadêmica do empresário/gestor predominante, é o básico/secundário. Tais descobertas poderão indicar dificuldades na análise e interpretação das várias demonstrações financeiras. Ainda segundo Husin & Ibrahim (2014), quando melhor a qualidade do serviço de contabilidade subcontratado, melhor a performance das PME.

Em particular no caso das empresas familiares, Hiebl (2012) concluiu através da análise de diversos artigos sobre esta matéria, que os profissionais de contabilidade destas empresas tendem a desempenhar um papel mais tradicional, focando-se apenas em processamentos contabilísticos básicos, não prestando qualquer tipo de aconselhamento de gestão à família proprietária.

Por outro lado, existem empresas que recorrem ao outsourcing e recorrem a informação financeira no apoio à gestão. No entanto, na grande maioria destes casos, a informação contabilística adicional não é solicitada ao contabilista, mas sim produzida internamente (Gouveia et al., 2015; Holmes & Des, 1988). Segundo Holmes & Des (1988), a maioria da informação solicitada pelos gestores das PME tem como finalidade o cumprimento das obrigações legais e fiscais.

Tal pode revelar falta de conhecimento por parte do empresário, acerca da informação que a contabilidade pode proporcionar aos gestores, ou que os serviços de contabilidade estão a

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falhar no fornecimento de informações às empresas. Segundo Alves (2003), existem informações contabilísticas relevantes que não são facultadas aos dirigentes. Também Marriott & Marriott (2000) concluíram que, apesar de muitos empresários não compreenderem a informação constante nas demonstrações financeiras, estes nunca reuniram com o contabilista com objetivo de analisar as contas anuais.

Pode ainda colocar-se a questão da frequência com que a informação é facultada ao empresário. Segundo Serrasqueiro & Nunes (2004), a utilização da informação contabilística é superior em empresas com regime de IVA mensal. Tal poderá dever-se à dimensão da empresa, como referido acima, mas também à necessidade de tratamento de dados e divulgação de informação com maior frequência.

Por outro lado, conforme sugerem Jawabreh et al. (2012), os gestores relevam por vezes insegurança relativamente à fiabilidade da informação proveniente dos sistemas de informação contabilística, preferindo assim produzir as suas próprias fontes de informação. Também a idade e a experiência do contabilista podem influenciar a sua participação nas decisões da empresa (Tout et al., 2014). Assim, e tendo por base os autores acima citados, formula-se a seguinte hipótese de investigação:

H 12: As PME que recorrem à subcontratação de serviços de contabilidade utilizam menos a informação contabilística.

A forma como a informação contabilística é transmitida aos gestores pode também condicionar o uso da mesma. Assim, para compreender a importância da informação contabilística na gestão, é necessário perceber primeiramente quais as formas de comunicação usadas pelos gestores (Hall, 2010).

Segundo Hales (1986), os gestores têm uma forte preferência pela comunicação verbal, dando prioridade ao contacto com pessoas em reuniões e discussões informais. Através da comunicação verbal, os gestores recolhem informação das pessoas que possuem esses conhecimentos, em vez de esperar que a informação lhes seja comunicada formalmente (McKinnon & Bruns,1992). Também Alves (2003) concluiu que os gestores recorrem geralmente a contactos informais para obtenção de informação. Assim, os gestores passam grande parte do seu tempo em comunicações verbais com outros indivíduos, através de contactos pessoais ou telefónicos (Hall, 2010).

No entanto, e apesar da importância da comunicação verbal, grande parte dos estudos sobre informação contabilística focam essencialmente a divulgação desta através das formas tradicionais, isto é, documentos escritos e relatórios (Hall, 2010). Nesta linha de investigação, Dyt & Halabi (2007) afirmam que as pequenas empresas canadianas elaboram e comunicam

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aos empresários, sobretudo o balanço e a demonstração de resultados. Também Gouveia et al. (2015), concluíram no seu estudo sobre micro empresas, que o balanço e a demonstração dos resultados são a fonte de informação contabilística mais utilizada, seguindo-se os mapas e gráficos elaborados em Excel. A demonstração dos fluxos de caixa e os rácios económico- financeiros, assim como a análise de desvios orçamentais, são recursos utlizados apenas por uma minoria das empresas.

Assim, levanta-se novamente a questão da falta de conhecimentos financeiros de muitos gestores. Relatórios contabilísticos complexos podem tornar invisíveis aos olhos do gestor pequenos problemas de que necessita de estar ao corrente (Hall, 2010). Formas de divulgação inadequadas, associadas à incompreensão, podem fazer com que a informação contabilística seja excluída do processo de tomada de decisão de muitas PME. Segundo Gouveia et al. (2015), os empresários inquiridos no seu estudo admitiram passar a utilizar a informação contabilística se esta fosse divulgada com uma linguagem e apresentação mais simples. Por último, pode apontar-se como fator condicionante da utilização da informação contabilística as obrigações legais a que as empresas estão sujeitas. Em Portugal, as empresas são obrigadas a possuírem contabilidade organizada, de forma a puderem cumprir com as obrigações fiscais, contributivas e acessórias. Desta forma, a contabilidade é muitas vezes considerada pelos empresários como “um mal necessário”, cujo principal objetivo é o cumprimento dessas obrigações, condicionando a sua utilização para fins mais amplos (Dyt & Halabi, 2007; Gouveia et al., 2015; Marcos et al., 2001; Marriott & Marriott, 2000). Por outro lado, o número de obrigações legais no nosso país tem vindo aumentar, o que poderá ter influência na qualidade da informação contabilística que é produzida. Contudo, os gestores portugueses parecem não considerar que o aumento das obrigações fiscais e acessórias tenha um impacto negativo na qualidade da informação contabilística (Gouveia et al., 2015).

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Capítulo 3