Foi partindo das orientações do programa de Geologia (Mendes et al., 2003), que apontam no sentido de “planear e realizar pequenas investigações teoricamente enquadradas”, da importância atribuída à interação dinâmica da aprendizagem de conteúdos e processos e das potencialidades educativas que se lhe (re)conhecem (Azevedo, 2004; NSES, 2000) que se optou pela realização de atividades de cariz
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investigativo como estratégia central do processo de ensino-aprendizagem da presente prática de ensino supervisionada.
A atividade de cariz investigativo proposta aos alunos abarca diferentes trabalhos práticos: trabalho de campo, pesquisa de informação, “olhar” para paisagens geológicas na ótica de um geólogo, construção e interpretação de perfis topográficos e cálculo de declives e apresentação e discussão dos resultados obtidos (relatório técnico e apresentação oral).
3.2.1.1. Trabalho de campo
O trabalho de campo constitui, para qualquer que seja o nível de ensino, uma oportunidade por excelência para trabalhar de competências nos domínios concetuais, procedimentais, atitudinais (Moreira, Praia & Burges, 2002) e de raciocínio. Permitindo a abordagem de variados assuntos científicos e o contacto direto com o meio envolvente, permite estimular a curiosidade, a imaginação, a criatividade e o espírito crítico, assim como a aprendizagem contextualizada e integradora de saberes interdisciplinares (Galvão et al., 2006).
O trabalho de campo – trabalho realizado ao ar livre, onde os acontecimentos ocorrem geralmente de modo natural (Dourado, 2001) – é a ferramenta base de toda e qualquer atividade de um geólogo. Sem ele “… não é possível definir cabalmente o
sistema a estudar, caracterizar a sua arquitetura e extensão no espaço e no tempo, examinar as suas componentes e avaliar as condições de fronteira requeridas pelo seu desenvolvimento/estabilidade” (Mateus, 2001, p. 125). Neste contexto, a
realização da atividade de cariz investigativo não fazia sentido sem a realização de trabalho de campo.
Uma vez mais na procura de uma aproximação entre as duas ciências (“académica” e “desenvolvida pelos cientistas”) e porque os trabalhos de campo buscam a recolha de dados/informação que permita a resolução de situações- problema, também no domínio académico esta atividade pode e deve ser orientada para a resolução de situações-problema. Se assim for, pode conduzir-se os alunos a “… interpretar fenómenos, questionar certezas, formular hipóteses explicativas” etc., e em simultâneo, expor as suas ideias e propostas de solução (Moreira, Praia & Burges, 2002, p. 185-186). Este foi o objetivo central do recurso ao trabalho de campo no âmbito da atividade de cariz investigativo.
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Realizado no início da prática de ensino supervisionada (2.ª aula da intervenção), antes mesmo de lançar a atividade aos alunos, procurando que os alunos se envolvessem de igual modo nas três áreas de estudo, é através da saída de campo que se pretendem que os alunos identifiquem e observem (“olhem”) as situações-problema sobre as quais se irão debruçar.
O recurso ao trabalho de campo exigiu todo um trabalho prévio por parte da professora investigadora, auxiliado pela professora cooperante, que se traduziu:
a) Na escolha do local – arredores da escola e área de residência da maioria dos alunos -, procurando deste modo que esta fosse significativa para os alunos, conforme sugere o programa de Geologia;
b) Na escolha do dia/hora – a observação da plataforma de abrasão marinha atual na praia da Bafureira e a circulação dos alunos sobre a mesma para a visualização de alguns processos existentes na arriba da praia exigia a condição de baixa-mar, para além de contribuir para as condições de segurança dos alunos;
c) Na escolha das estações/paragens – atendendo a que as paragens a realizar visavam a identificação e caracterização das situações-problema que os alunos iriam trabalhar no âmbito da atividade de cariz investigativo, era imperativo que estas fossem representativas das problemáticas em causa. d) Na construção de um guião de campo (Apêndice 3) – construído com o
objetivo de direcionar as observações dos alunos para os aspetos considerados mais relevantes em cada uma das áreas de estudo, continha igualmente informação quanto à geologia das diferentes zonas, para além dos respetivos mapas geológicos e topográficos, para que os alunos pudessem assinalar os locais de paragem – estações de estudo –, e identificar as formações geológicas aflorantes nas mesmas.
3.2.1.2. Pesquisa de informação
Pesquisa implica a procura de informação que se desconhece ou sobre a qual se pretende aprofundar conhecimentos. Todo e qualquer trabalho investigativo envolve trabalho de pesquisa de informação, na procura do que já se conhece, na busca de
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conhecimentos mais aprofundados, na procura de argumentos/evidências que permitam a sustentação e/ou refutação de ideias, princípios, etc.
Mas a pesquisa de informação não se cinge ao ato da procura; exige recolha, seleção, análise, comparação, reflexão, validação e crítica pessoais, assim como a síntese da mesma (Cachapuz, Praia & Jorge, 2002). Numa era em que os avanços científicos e tecnológicos ocorrem em tão curtos espaços de tempo, e que a divulgação de informação via digital se torna uma prática diária, a pesquisa ganha forçosamente maior impacte no meio científico.
Atendendo a que um dos objetivos da educação em ciência visa a promoção de cidadãos cientificamente literatos, capazes de exercer uma participação ativa na sociedade (Almeida, 2004 b), a “pesquisa de informação” adquire um papel importante no seio escolar.
Foi uma vez mais na procura da aproximação entre as ciências “académica” e “desenvolvida pelos cientistas”, em simultâneo com promoção de condições para o desenvolvimento de um conjunto de competências, de entre as quais se salienta a autonomia, que o trabalho de pesquisa de informação foi integrado na atividade de cariz investigativo proposta aos alunos. Recorrendo à pesquisa, os alunos teriam de recolher, selecionar, analisar, comparar, refletir e sintetizar informação de modo a poder dar resposta à sua situação-problema.
3.2.1.3. Interpretação de fotografias na ótica de um geólogo
Em geologia, a observação é uma ferramenta essencial para a compreensão dos sistemas naturais e das suas dinâmicas, razão pela qual toda e qualquer atividade de ensino em geologia deve privilegiar a aquisição de capacidades de observação/registo de factos (Mateus, 2001). Mas a observação, ou melhor o “olhar” na ótica de um geólogo não é tão simples quanto pode parecer; “… significa
observar, caracterizar, compreender e explicar a dinâmica dos sistemas naturais, algo que exige capacidades de análise, de discussão e de avaliação crítica do conhecimento geológico adquirido, integrando […] saberes obtidos no âmbito de abordagens multi- e interdisciplinares” (Mateus, 2001, p. 121).
Através da interpretação de fotografias na ótica de um geólogo, pretendia-se, para além de promover o desenvolvimento das competências acima descritas, que os alunos salientassem, do seu ponto de vista, quais os elementos (geológicos e
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antrópicos) mais relevantes a ter em conta na análise do risco geológico presente num determinado local.
3.2.1.4. Construção e interpretação de perfis topográficos e cálculo de declives A construção e interpretação de perfis topográficos e o cálculo de declives são práticas recorrentes nos trabalhos de avaliação de riscos geológicos. Com a sua realização pretendia-se, para além de aproximar as duas ciências, que os alunos recolhessem dados que lhes permitisse avaliar alguns parâmetros da suscetibilidade (fatores predisponentes). Esta atividade traduzia-se assim numa forma de familiarizar os alunos com práticas investigativas recorrentes, conduzindo os alunos ao “meter a mão na massa”, destacando-se simultaneamente a importância do rigor.
3.2.1.5. Apresentação e discussão dos resultados obtidos
A apresentação e a discussão de resultados – divulgação de resultados-, são práticas indissociáveis da investigação científica. Procurando uma vez mais a aproximação da “ciência académica” da “ciência dos cientistas”, e seguindo a orientações do programa de Geologia, que aponta para a necessidade de desenvolver atividades que conduzam os alunos à utilização de diferentes formas de comunicação, não faria sentido que a apresentação e discussão de resultados não fizessem parte integrante da atividade de cariz investigativo proposta aos alunos.
Os alunos teriam de elaboraram um relatório técnico conclusivo (documento escrito), assim como uma apresentação oral, com duração máxima de 20 minutos, na qual todos os membros do grupo teriam de intervir. Através deste tipo de práticas, para além da promoção de competências ao nível da escrita e da oralidade, promovem-se igualmente competências ao nível da seleção da informação, da capacidade de síntese, da gestão de tempo e da argumentação.
Para terminar a caracterização da atividade de cariz investigativo proposta aos alunos falta apenas referir que esta é composta por 4 etapas (Figura 1 do Apêndice 5) – inventário, estudo da perigosidade, estudo da vulnerabilidade e estudo do risco. Em cada etapa os alunos devem realizar, sempre que possível, as tarefas nela sugeridas.
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