Como já referido no sub-capítulo anterior, foram aferidas algumas variáveis relaciona- das com o contexto familiar (ou de desenvolvimento) do designer. Foram inquiridos no questionário os níveis de educação e a ocupação profissional de ambos os pais, bem como o número de irmãos que tenham tido algum tipo de profissão criativa. As pergun- tas relacionadas com os pais dos inquiridos explicitam que o que se entende por "mãe" e "pai" são, respetivamente, a figura materna e a figura paterna do inquirido, independen- temente de serem ou não os seus pais biológicos. Esta, bem como outras perguntas rela- cionadas com aspetos familiares e pessoais, foram estabelecidas como sendo de resposta opcional. Nos seguintes gráficos, o universo consiste em todas as respostas válidas, ex- cluindo as respostas "Não aplicável".38
O Gráfico 6 (pág. 129) mostra a distribuição dos níveis educacionais para os pais e para as mães dos inquiridos. Note-se que as duas variáveis são independentes en- tre si, e são aqui apresentadas no mesmo gráfico apenas para fins comparativos. Neste gráfico pode-se verificar que os níveis educacionais para ambos os pais são geralmente bastante elevados, com um número notavelmente superior de mães do que de pais licen- ciados, e um número de pais doutorados duas vezes superior ao número de mães doutoradas.39
38. Utilizada para os casos em que o inquirido não tem ou não reconhece figura mater- nal ou paternal.
39. Note-se que aqui não se aplica o rácio de 1.2 em favor do género feminino. O núme- ro de respostas a esta pergunta foi, respetivamente, para mães e pais, de 476 e 482, que resulta num rácio de 1.01 a favor dos pais.
Gráfico 6: Distribuições dos níveis de educação de pais e mães dos inquiridos
No que diz respeito à ocupação dos pais, aproximadamente 20% dos inquiridos afirmam que pelo menos um dos pais tem uma das ocupações criativas enumeradas. A maioria dos inquiridos (80%) afirma que nenhum dos pais tem uma ocupação profissio- nal criativa. Apesar de não haver dados concretos para cada um dos países dos inquiri- dos sobre as percentagens de profissionais enquadrados nas ocupações criativas listadas, existem dados mais genéricos para os dois países de onde provem a maioria dos casos da amostra, Portugal e Polónia. Os dados estatísticos oficiais mais recentes (correspon- dentes a 2013) mostram que em Portugal o conjunto de todas as atividades profissionais em áreas artísticas, criativas e culturais (incluindo as profissões relacionadas com des- porto e lazer) perfazem 1,7% dos postos de trabalho existentes no País (INE, 2014). Na Polónia, os dados oficiais mais recentes (correspondentes ao recenseamento de 2014) mostram que o mesmo tipo de profissões constitui 1,8% dos postos de trabalho (CSO, 2015). Estes números sugerem que, apesar de um número não negligenciável de desig- ners (20%), terem pais com profissões criativas (em percentagem muito superior à veri-
ficada para a população nacional), para a maioria dos designers a escolha de seguir a profissão não tem qualquer relação com a profissão dos pais.
Gráfico 7: Distribuições de ocupações criativas de pais e mães dos inquiridos
Para aqueles casos em que um ou ambos os pais têm uma ocupação criativa, há que salientar em primeiro lugar que o equilíbrio entre géneros continua a verificar-se na distribuição de ocupações criativas dos pais dos inquiridos, com um rácio mães/pais de 52/50. Verifica-se que as principais ocupações criativas reportadas se distribuem por Pintura/Ilustração, Arquitetura, Design Industrial e de Produto, e Design Gráfico. Há aqui uma notória discrepância entre pais e mãe, sendo que para as mães a ocupação mais frequente é Pintura/Ilustração e para os pais é Arquitetura. Note-se que a análise destes resultados deve tomar em linha de conta que estes dados em particular são um subconjunto reduzido de uma amostra não aleatória, logo sujeitos a enviesamentos. Note-se ainda que os resultados dos anuários estatísticos acima citados resultam de esti- mativas obtidas através da agregação de dados provenientes de diferentes amostras. Se- ria interessante comparar os resultados deste inquérito com os resultados de inquéritos
semelhantes aplicados a outras áreas profissionais e com dados estatísticos nacionais mais precisos relativos às diferentes profissões.
Gráfico 8: Distribuição da percentagem de irmãos com ocupações artísticas
Aos inquiridos com pelo menos um irmão,40foi perguntado quantos deles segui-
ram carreiras no domínio das artes ou do design. A percentagem de casos com irmãos corresponde a 80% da amostra. Destes, 65% não tem nenhum irmão que tenha seguido carreira no domínio das artes ou do design. O Gráfico 8 mostra a distribuição da percen- tagem de irmãos que seguiu carreira no domínio das artes ou do design. Neste gráfico é visível que para a maioria dos casos a percentagem é 0%, mas a segunda percentagem mais frequente é 50%. Isto significa que, se por um lado não é muito comum os irmãos de um designer seguirem também profissões em áreas próximas, por outro lado, quando isso acontece, a maioria dos irmãos (50%, mais o próprio inquirido) segue efetivamente profissões relacionadas com as artes ou com o design.41
40. Ou irmã: não foi feita neste ponto qualquer distinção entre géneros.
O que estes resultados parecem sublinhar é que há realmente casos em que no contexto familiar do futuro designer se partilha a apetência por ocupações profissionais no domínio das artes ou do design, tanto pela parte dos seus pais como pela parte dos seus irmãos, mas para a maioria dos designers não existe relação entre a sua escolha de carreira e as profissões dos seus pais e irmãos. Não obstante, 38% dos inquiridos afirma que a escolha da profissão foi de alguma forma por influência familiar.
Gráfico 9: Influência de um membro da família na escolha da profissão
esboçar uma normal, o número de casos para a coluna dos 100% é extraordinariamente elevado.