Ao nos propormos adotar o método marxista para concretizar os embasamentos teórico-metodológicos para materialização deste trabalho, não se esperou que apenas por si ele respondesse as questões pré-elaboradas, mas sim indicar o direcionamento a ser seguindo, permitindo que haja algumas ações controladas. A opção por esse método é a posição adotada por este pesquisador neste campo de pesquisa, demostrando a possibilidade de compreender uma determinada realidade pela ótica materialista em pesquisas na área ambiental. Com isso será exposto elementos de uma realidade específica e as diversas visões de mundo que contribuem para a transformação social de uma determinada população (MARTINS, 2006).
Compreendemos que o método nos permite adentrar caminhos que mantem em ordem e direcionam as ações desenvolvidas. Para Vieira (2007) “Consiste num caminho que pode levar a outros caminhos, alcançando o fim proposto e também os vários fins não indicados”, caracterizando-se como um dos elementos centrais da própria construção do conhecimento.
Os fundamentos do método nortearam a pesquisa de modo que consideramos seus elementos composto pela dialética, historicidade, materialismo e a totalidade. A fundamentação deste método nos permitiu a reflexão dos incursos ambientais que delimitamos ao longo deste trabalho, como: a crise ambiental, a constituição dos espaços de proteção ambiental, bem como seus processos da instituição da educação ambiental como mediadora de ações nessas áreas para a construção da sustentabilidade ambiental envolvendo comunidades tradicionais e o poder público que gerem esses espaços.
Tomamos as ações do ICMBio como objeto de investigação e assim analisamos como o órgão engloba os marcos legais da política de educação ambiental, os conhecimentos e anseios das populações tradicionais da reserva e de que maneira isso contribui para a gestão da unidade de conservação, haja visto a luta pela sua instituição legal da reserva sem perder de vista o caráter sustentável. Dessa forma ilustramos a utilização do método materialista- histórico dialético da seguinte forma:
O método materialista dialético esta presente em diversas ciências, porém, se apresenta de maneiras diferentes dependendo do objeto que ele é utilizado. Pires (1997, p. 83) afirma que “discutir os paradigmas de interpretação da realidade [...] exige a localização da relação sujeito-objeto como a questão central”, o método da dialética marxista se opõe a dialética idealista de Friedrich Hegel que Alves (2010) caracteriza da seguinte maneira:
Para os materialistas, a única realidade é a matéria em movimento, que, por sua riqueza e complexidade, pode compor tanto a pedra quanto os extremamente variados reinos animal e vegetal, e produzir efeitos surpreendentes como a luz, o som, a emoção e a consciência. O materialismo contrapõe-se ao idealismo, cujo elemento primordial é a idéia, o pensamento ou o espírito. (ALVES, 2010, p 01).
Parte-se do pressuposto que a dialética trata da lógica contraditória de uma etapa que gera outra etapa e ao mesmo tempo negando a etapa anterior, isso ocorre em ações continuas de superação e criação renovada de uma nova etapa. Segundo Nóbrega (2005), Hegel sustenta a idéia de que um princípio não basta em si mesmo, pois, carrega em si a contradição e a luta de opostos. Esse processo de superação-renovação é o que Hegel chama de processo de explicitação.
Para Marx a ideia da dialética idealista de Hegel é uma ilusão que se mantem apenas no plano abstrato e não traduz a concretização material das relações práticas do ser humano, e afirma que “a exterioridade do pensamento abstrato [...] a natureza é-lhe exterior, é a perda de si próprio; e ele concebe-a também como algo externo, como pensamento abstrato, mas pensamento abstrato alienado” (MARX, 1993, p. 242). Ou seja, o indivíduo é produto das condições materiais que estão imbricados nas condições de sua existência tidas a partir do desenvolvimento das forças produtivas e não da razão defendido no plano ideal de Hegel.
Neste sentido o trabalho é direcionado por meio do método materialista histórico dialético tendo em vista a distinção das ações dimensionais empíricas da pesquisa e o plano abstrato do que se tem do objeto de pesquisa (EMPÍRICO – REAL APARENTE), contudo, visualiza-se o inicio da análise da pesquisa assim:
Os discursos ambientais dos entrevistados; A visão institucional do ICMBio;
As ações realizadas pelo ICMBio na RESEX; As políticas de educação ambiental;
A partir daí, surge a necessidade da conceituação e análise para abstração do alcance das respostas dos objetivos. Nessa situação elencamos as partes específicas do conjunto das informações onde se apresentam as inserções da temática ambiental das ações investigadas.
Com isso abordamos as seguintes categorias analíticas na pesquisa: Relação Homem- Natureza, Mediação e Educação Ambiental. Com a escolha dessas categorias vislumbramos o que posteriormente apresentamos nas conclusões, considerando a dialética como categoria de análise que pensa a realidade das populações da reserva como uma contradição e assim afirmar que a história não é produzida de forma linear e coerente, mas de forma conflituosa, tanto em âmbito socioambiental, econômico e intelectual dessas populações.
SEÇÃO V
“A educação ambiental não se refere exclusivamente às relações vistas como naturais ou ecológicas como se as sociais fossem a negação direta destas, recaindo no dualismo, mas sim a todas as relações que nos situam no planeta e que se dão em sociedade – dimensão inerente à nossa condição como espécie” (LOUREIRO, 2004, p. 79).
5 – A RESEX IPAÚ-ANILZINHO: REALIDADE AMBIENTAL E SEUS
DESBOBRAMENTOS
Nesta quinta e última seção, descrevemos de forma objetiva as considerações que permeiam e integram o objeto da pesquisa, apresentamos o órgão gestor da RESEX, no caso o ICMBio e os sujeitos que integraram a pesquisa.
A Educação Ambiental foi evidenciada e embasada teoricamente, pois, consideramos a educação fora do contexto escolar, neste caso a educação informal e não formal no intuito de identificar como ocorre a relação do homem com a natureza e suas implicações de caráter formativo como mecanismo mediador para gestão compartilhada nesta unidade conservação.
Realizou-se a partir das informações coletadas a análise dos dados e apresentamos os resultados para compreender o atual cenário da RESEX a partir do fenômeno educacional, interligando as relações sociais e a participação do Estado. Apresentamos contrapontos realizados neste processo para se compreender de fato como vem se desdobrando as expectativas da criação da reserva de proteção ambiental a partir da visão das populações existentes nesta UC.
Por fim, apresentamos as considerações finais com alguns apontamentos que podem contribuir para a gestão da RESEX e refletir sobre a educação ambiental como prática de transformação social a partir do meio em que se vive.