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8 Gaijin - Os caminhos da liberdade é um filme brasileiro de 1980, do gênero drama, dirigido pela

cineasta nipo-brasileira Tizuka Yamasaki.

9 Economista austríaco(1881-1950), sua teoria é apresentada, em 1929, no livro A Lei da Acumulação e

No final do século XX, durante a manifestação da crise do capital, em sua face financeira, torna-se necessário ampliar o investimento científico na denominada tecnologia de informação e nas telecomunicações, sob o discurso globalizado da sociedade do conhecimento, mas que em realidade revela-se como uma tentativa de burlar a crise sistêmica, gerir a economia para não perder para os concorrentes o capital; nesse contexto dá-se a mensuração do valor de ativos não-monetários identificáveis no patrimônio das empresas, denominados de ativos intangíveis; desse debate econômico, deriva-se sua aplicação à educação, como uma forma de aumentar o peso do desempenho da força de trabalho, no que se denominou de teoria do capital intelectual. Assim, vários estudos são realizados, como o de Bradley (1996-1997)10.

O capital intelectual, segundo Santos (2004) em Teoria do Capital Intelectual e Terapia do Capital Humano: Estado, Capital e Trabalho na Política Educacional em dois Momentos do Processo de Acumulação, preconiza um modelo de expropriação flexível, a força de trabalho é oferecida no mercado por suas qualidades intelectuais, suas competências. Dessa forma, as propagandeadas vantagens deste “novo modelo” contrapõe o caráter operativo do trabalhador no fordismo-taylorismo ao caráter cognitivo e afetivo no pós- fordismo. A pesquisadora realiza uma análise histórico dialética das teorias do Capital Humano e do Capital Intelectual, considerando-as como parte fundante dos projetos educacionais como momentos contraditórios da hegemonia do capital. Segundo ela, enquanto o capital humano emerge no período em que ainda estava em vigor o keynesianismo, e mantinha-se o Estado de Bem-Estar, a teoria do Capital Intelectual, emerge em um quadro histórico marcado pelo Estado mínimo neoliberal, em que os projetos educacionais hegemônicos, formais e não-formais, estão subsumidos ao corporativismo, porém, como se vê na seguinte passagem:

O capital não prescinde, entretanto, do Estado financiador, seja através de financiamento direto, utilização de recursos infraestruturais de secretarias de educação, ou contrapartida fiscal. O deslocamento do papel do Estado para o empresariado na direção de projetos educacionais se apresenta com a justificativa da mudança de base técnica do trabalho - substituição do modelo fordista pelo modelo de acumulação flexível -, gerando, segundo o discurso hegemônico, a necessidade de um novo trabalhador, formado de acordo com o ethos da empresa. É necessário, contudo, aprofundar a análise, envolvendo os aspectos políticos como o papel do Estado em cada fase de elaboração teórica. A base meritocrática e o papel da escola na legitimação dos mecanismos de exclusão social estão presentes nos dois modelos, ou, também poderíamos assim chamar, nas duas faces do modelo, denunciando sua filiação ao pensamento hegemônico que, em que pesem as diferenças de matizes

quanto à esfera de ação do Estado, partilham da lógica de exclusão e redução do humano à sua disponibilidade laboral. (SANTOS, 2004)

Dessa feita, ao mesmo tempo em que se diminui ao máximo o papel do estado sob o paradigma neoliberal, com o repúdio a qualquer ação estatal considerada como ingerencista, não se prescinde do Estado na hora de adquirir fundos públicos para o financiamento direto ou indireto do ensino corporativo predominantemente nas mãos do setor privado de educação. O “mercado educador” (OLIVEIRA apud SANTOS, 2004) alimenta-se das verbas públicas, mesmo que indiretamente por meio de retorno fiscal ao capital investido na educação. Sob o pretexto da crise do capital, centrada na crise do modelo fordista, o discurso de valorização do capital intelectual - e par e passo a isso do alarde determinista do quanto é afetada a força produzida quando ocorre a escassez do mesmo - alcançou destaque na segunda metade da década de 1980; uniu-se a ele a relação mecânica entre empregabilidade, eficiência e

competitividade revelando assim a ocultação das demais dimensões do processo de produção,

especialmente a lógica de acumulação e a produção de excedente (SANTOS, 2004).

No “novo modelo”, promovido, “marquetizado” como símbolo de ruptura com o fordismo e toda a sua carga de “desumanidade”, faz-se necessário um “novo trabalhador”, mais comprometido afetivamente com a organização e com a produtividade, segundo tal formulação, mais humanizada no neofordismo. Não se indaga a quem beneficiará tanta competitividade, nem como será distribuído socialmente o produto de toda a produtividade almejada, entretanto, a campanha pelo engajamento e pela adesão ética do trabalhador aos interesses da empresa é justificada pelo determinismo tecnológico. E o discurso hegemônico repete incessantemente: novas bases técnicas de produção exigem novo perfil profissional e novo modelo de educação, preferencialmente protagonizado pelo agente mais qualificado para esta tarefa, por ser o principal beneficiário: a empresa.

A crise do capital, como afirma Bevilaqua, é uma crise do paradigma do trabalho alienado porque é uma crise de mensuração de valor, a formação para o trabalho alienado não é capaz mais de produzir mais-valia o suficiente para manter a acumulação de capital, tornando-se necessário para isso, contornar novamente a teoria do valor-trabalho com base no tempo socialmente necessário para poder continuar acumulando, uma das formulações teóricas encontradas, em termos educacionais, é incorporar ao processo econômico a formação educacional e a experiência acumulada nas relações sociais para a formulação do valor da força de trabalho para dar condições de uma maior mais-valia, daí surge o capital intelectual, uma vertente do capital humano que além de incorporar a educação como

elemento de valorização da força de trabalho e de valorização das mercadorias que podem flutuar com o valor, permitindo uma mais valia maior, une ao processo de formação de valor a sabedoria popular, a expertise construída não necessariamente na instituição escolar, mas da prática, das relações sociais e da cultura geral que ocorre na sociedade.

Isso é possível em virtude do grande desenvolvimento do intelecto geral, da ciência ou conhecimento científico que domina a sociedade e o senso comum. Toda pessoa constrói um conjunto de relações sociais, que é considerado como valor agregado à própria empresa, que ele traz junto com a força de trabalho, então, constituem-se em formas de burlar o tempo socialmente necessário porque não há como mensurar o tempo da formação teórica recebida na escola, nem o que ela incorpora do general intellect, do aprendizado, dos avanços tecnológicos adquiridos na vida urbana; dessa maneira, esse conhecimento e essas relações acabam possuindo um valor de mercado para o capitalista, pois o trabalhador além da jornada normal continua a trabalhar para a empresa ao envolver toda sua rede de relações sociais, por exemplo, quando um produto novo da empresa é lançado, ele propagandeia-o mesmo que isso não incorpore para si um aumento de salário.

O sistema educacional voltado para atender apenas um objetivo econômico, por um lado, particulariza a educação como uma mera técnica instrumental, utilitária ao máximo, e, por outro lado, a medida que isso avança na educação, configurando-se como uma prática pedagógica na sociedade, há o incremento da educação corporativa, expressa nos cursos meramente técnicos, nos mestrados profissionais, entre outros exemplos, levando a um embotamento da educação, limitando-a apenas a ser um adestramento para o manuseio de determinadas técnicas, mas sem relacionar o que aquela técnica tem a ver com a sociedade. Esta educação instrumental apesar de ser extremamente reduzida a aplicações bastante específicas entra em franco embate com a educação mais geral, levando a uma crise que perpassa a teoria da educação para o trabalho alienado, constituindo-se em mais uma tentativa de compensá-la, apropriando-se, para isso, de determinados elementos do trabalho criativo para que ele forme valor na sociedade dentro das mercadorias.