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5. 3 Continente y contenido gráfico

7.1 Bibliografía general

Na Tabela a seguir apresentam-se as sete principais oleaginosas produzidas em nível mundial, con- forme dados do US Department of Agriculture, dos EUA.9

Tabela 4.2: Produção mundial de oleaginosas: 2008

Oleaginosa Produção (1000 MT) % Soja 220,0 56 Colza/canola 48,4 12 Algodão 46,2 12 Amendoim 32,0 08 Girassol 27,2 07 Palmiste 11,1 03 Copra 5,7 01 Fonte: USDA, 2009

Dados dos principais países produtores de soja em grão e a produção mundial dos principais óleos e gorduras são apresentados nas Tabelas 4.3 e 4.4, respectivamente.

Tabela 4.3: Principais produtores de soja em grão: 2008/2009

País Produção (1000 t) Estados Unidos 86.954 Brasil 60.000 Argentina 51.000 China 15.000 Índia 10.000 Paraguai 5.750 Canadá 3.400 Fonte: USDA, 2009

9 U.S. Department of Agriculture. Agriculture. Data and Statistics. Disponível em:<http://www.usda.gov/wps/portal/usdahome>. Acesso em: dez 2009.

Tabela 4.4: Produção mundial dos principais óleos e gorduras (milhões de toneladas) Óleo Ano 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05 2005/06 2006/07* Coco 3,21 3,16 3,29 3,44 3,54 3,26 Algodão 3,80 3,51 3,84 4,71 4,55 4,73 Oliva 2,75 2,51 3,06 2,97 2,59 2,99 Palma 25,36 27,71 29,59 33,88 35,96 38,97 Palmiste 3,13 3,36 3,67 4,13 4,36 4,69 Amendoim 5,13 4,62 5,03 5,04 5,19 4,85 Colza/Canola 13,05 12,24 14,14 15,74 17,18 18,02 Soja 28,87 30,54 29,97 32,49 34,26 35,71 Girassol 7,42 8,12 9,13 8,99 10,34 10,83 Total 92,70 95,76 101,71 111,39 117,97 124,05 Fonte: USDA, 2009

De acordo com o jornal Oil World, a produção global de óleos e gorduras em 2008 atingiu160 mi- lhões de toneladas. Os óleos de palma e palmiste foram os que mais contribuíram para essa produ- ção, com 48 milhões de toneladas ou 30% do total10.

O óleo de soja aparece em segundo com 37 milhões de toneladas (23%). Do total produzido, 38% são comercializados. Das 60,3 milhões de toneladas exportadas no mundo, 60% correspondem a óleo de palma e palmiste sendo que a Malásia domina o comércio de óleo de palma (45% do merca- do). Os principais destinos são a China, União Européia, Paquistão, Estados Unidos e Índia, para uso como óleo de cozinha, margarina, óleos especiais e oleoquímicos.

Em 2008, a Malásia produziu 17,7 milhões de toneladas de óleo de palma, usando 4,5 milhões de ha de terra. Foi o principal produtor durante vários anos, mas desde 2007 sua produção foi suplantada pela da Indonésia11.

10 Oil World. Independent Forecasting Service for Oilseeds, Oils & Meals. Disponível em:<http://www.oilworld.biz>. Acesso em: dez 2009.

A aplicação de óleos e gorduras, ao longo dos tempos, tem sido a mais variada, compreendendo desde a iluminação caseira (onde evoluiu para outras formas de energia), sabões (onde evoluiu para inúmeros tipos de produtos de limpeza e desinfecção), em cosméticos, como ingredientes e veículos de ingredientes, em perfumaria, como um ótimo absorvedor de fragrâncias até sua maior aplicação como alimento, seja como óleo de mesa, salada ou de cozinha, seja na formulação de uma gama extensa de produtos alimentícios, como queijos e demais produtos lácteos, biscoitos, bolos, pratos preparados, entre outras aplicações.

O principal subproduto (no caso da soja é o principal produto), a torta de extração, encontra uso em ração animal além de constituir diferentes opções para alimentação humana.

A utilização de tortas oleaginosas vai além e pode resultar em produtos diferenciados, à base de pro- teínas e/ou polipeptídeos, com propriedades funcionais, tais como produtos energéticos.

A produção mundial de óleo de palma evoluiu de 11 milhões de toneladas em 1990 para 34 milhões em 2005 e 48 milhões em 2008.

Já a produção de óleo de soja assistiu ao crescimento da produção de óleo de palma que, primeiramen- te, na Malásia recebeu o aporte maciço de financiamento privado aliado a uma política de desenvolvi- mento. Isto não aconteceu no Brasil, onde a produção está próxima de 200mil toneladas /ano.

É importante considerar que a Indonésia, atual principal produtor de óleo de palma, é uma zona ge- ográfica de instabilidade considerável, e sua produção pode declinar repentinamente devido a qual- quer acidente climático. Isto pode favorecer o Brasil.

A destinação de parte da produção de alimentos, sobretudo soja, para fins bioenergéticos suscitou questões de soberania alimentar. Já era esperada uma alta inicial no preço de alguns alimentos, mas foi o arroz o grande vilão, devido a uma queda brusca de produção. A partir daí, intensas discussões foram incentivadas principalmente por organizações não governamentais ligadas a questões am- bientais. Mas, mesmo os críticos mais ferrenhos, como citado em recente artigo publicado em 2009 na revista Science12, parecem chegar a um consenso sobre as propriedades benéficas dos biocom-

bustíveis, que pode ser resumido em: “biocombustíveis produzidos corretamente têm um futuro brilhante na solução de nossos desafios energéticos e ambientais”13.

12 Tilman, D. et al. Beneficial biofuels: the food, energy, and environment trilemma, Science , v. 325, p. 270-271, Jul 2009.

Buscando balancear a produção de biocombustíveis, segurança alimentar e redução de emis- sões, a indústria mundial de biocombustíveis deveria focar cinco fontes principais de biomassa renovável: 1) plantas perenes cultivadas em áreas degradadas abandonadas ao uso agrícola; 2) resíduos das culturas; 3) madeira colhida sustentavelmente e resíduos florestais; 4) culturas du- plas e sistemas integrados (mistos); e 5) resíduos municipais e industriais14. Esta afirmação não

difere da política de energia que vem sendo praticada no Brasil e coincide com a matriz energé- tica brasileira baseada em quatro plataformas: 1) biodiesel, 2) etanol, 3) florestas energéticas; e 4) resíduos e co-produtos15 .

A viabilidade técnica, econômica e ambiental de um programa de biocombustíveis está fundamen- talmente ligada a tecnologias agrícolas que resultem em alta produtividade, com um aumento pe- queno das áreas cultivadas, redução do uso de água e de insumos e aproveitamento dos resíduos gerados para o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

Interessante mencionar os resultados do Programa Agrimonde16, que reconstituiu as quantidades de

alimentos produzidas entre 1961 e 2003 para que fossem feitas projeções para os próximos 45 anos. Em função disso, foram traçados dois cenários: (i) prolongamento das evoluções históricas da produ- ção e uso de biomassa; e (ii) cenário de ruptura, segundo o paradigma de desenvolvimento sustentável.

O primeiro cenário corresponde ao prolongamento das evoluções históricas das produções e das utilizações de biomassa em um mundo totalmente liberalizado. Sendo assim, os rendi- mentos agrícolas continuariam a crescer, mas também as terras dedicadas à criação de animais, com o consumo de carne aumentando. Neste cenário, as desigualdades de acesso à alimenta- ção aumentam e os desgastes ambientais são tratados “somente a partir do momento em que se tornam agudos”.

O segundo cenário aposta numa ruptura, com a humanidade adotando condições de desenvol- vimento sustentável do planeta. De acordo com este segundo (e desejável) cenário, a quantidade média disponível de alimentos em 2050 seria igual a 3.000 quilocalorias (kcal) por habitante por dia, dos quais somente 500 kcal de origem animal. Esta condição pressupõe de um lado uma redução de 25% dos consumos individuais nos países industrializados e, por outro lado, um aumento equi- valente na África Subsaariana.

14 Tilman, D. et al. Beneficial biofuels: the food, energy, and environment trilemma, Science , v. 325, p. 270-271, Jul 2009.