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Bibelen som strukturens ytre realitet

In document Opphavsrettslig vern av TV-formater (sider 36-45)

3.4 Formatets ytre realitet – kravet til fiksering eller manifestasjon

3.4.5 Bibelen som strukturens ytre realitet

“Man cannot be understood in isolation from his environment”.

(Martin Heidegger, 1973) Pela perspectiva sistêmica adotada, a Internet das Coisas configura-se como um conjunto de ecossistemas, com informações fluindo entre os diferentes agentes, os quais incluem pessoas e artefatos, eles próprios atuando como sistemas, que se comunicam dinamicamente para atingir sua função ou propósito. O fenômeno neste ponto é observado sob a ótica dos fluxos de informação.

Seres humanos são os melhores processadores de informação entre todos os animais. Nossa tecnologia e cultura estendem nossas habilidades informacionais artificialmente, ampliando-as por ordens de magnitude. Nosso desejo e capacidade de nos conectarmos com o mundo físico através do toque, audição, cheiro, gosto, visão e nossa compreensão mental da estrutura física estendem nosso aparato mental conceitual ao mundo externo (SALINGAROS, 2007).

Conforme citado, Haverty (2014, 2015) classifica a informação em perceptual (pré-atentiva, biológica) e linguística (estabelecida por convenção), e sugere que o fluxo de informação apresenta propriedades, como viscosidade (facilidade de fluir) e textura (facetas). E exemplifica: a linguagem é viscosa, mais trabalhosa para fluir; requer atenção, concentração, consciência, associatividade. A informação perceptual, por outro lado, é mais responsiva, demanda reflexo, coordenação. A proposta de Haverty é baseada na teoria das affordances de Gibson (1979). Segundo a autora, muitos designers de interfaces utilizam pistas perceptuais para fornecer informações sobre o estado do sistema, como telas de sensores na IoT. Na medida em que interagimos com a informação, deslocamos a atenção para a linguagem, como ilustra a Figura 33.

Figura 33: Fluxos de informação Fonte: Haverty (2014)

Isto posto, parte-se neste trabalho da premissa de que informações fluem num ecossistema como conversações. Em abordagem baseada na Semiótica, a pesquisadora brasileira Clarisse de Souza defende que “affordance é uma conversação entre designer e usuário, que pode ocorrer em mão dupla, ainda que o designer não esteja presente no momento em que o usuário entra em cena” (SOUZA; LEITÃO, 2009). Seu argumento acabou por influenciar a mudança de ponto de vista do próprio Donald Norman (2009) que popularizou a teoria de Gibson (1979) na área do Design.

Pela perspectiva da informação, a teoria das affordances, pode, portanto, ser analisada do seguinte modo: ”o indivíduo interpreta sinais e símbolos do ambiente e de seus habitantes, e capta as possibilidades de ação. O sistema perceptual absorve pelos sensores do corpo sensações de espaço, imagens, sons e cheiros e transmite impressões, convertidas em informações”. A percepção é, em última

GOLONKA, 2013).

Sob a ótica da troca de informações com o ambiente, a Cibernética adota uma abordagem sistêmica, composta de relações e contextos. Cada processo cibernético envolve implicitamente um diálogo. Assim, sistemas cibernéticos interagem uns com os outros por meio de conversações, e co- criam sua realidade através de influência circular, como um termostato, que, ao captar a temperatura, influencia a entrada de ar quente no ambiente e altera a configuração do ar (SUSSNA, 2014).

Mingers (2014) também discute a questão do diálogo, com base em Heidegger (1962): “nossos estados de mente e nosso entendimento são inteligíveis para nós, porque eles podem ser articulados ou expressos na fala, como discurso”. O discurso é entendido aqui como “parte do processo de criação de estados compartilhados da mente”. O autor ressalta que a comunicação, nessa acepção, não se trata apenas de “transporte de experiências, tais como opiniões ou desejos, a partir do interior de um objeto para o interior de outro”. Remete a uma dimensão existencial compartilhada com os outros e com as coisas (being-in-the-world-with-others). Santos (1996) reforça a ideia do ‘comunicar’, que etimologicamente significa ‘pôr em comum’; “esse processo, no qual entram em jogo diversas interpretações do existente, isto é, das situações objetivas, resulta de uma verdadeira negociação social”. Para Gibson (1979), o termo informação remete às pistas estruturais intrínsecas que um animal captura a partir da interação energética com as superfícies e meios do ambiente. Animais percebem através da ação, e agem com base no que eles percebem, formando uma espécie de ciclo cognitivo, que ele denominou ‘loop de percepção-ação’, onde os seres agem, percebem, ajustam a próxima ação, percebem, e assim por diante. Este ciclo não é baseado em regras e símbolos computados no cérebro; ao contrário, emerge da interação entre corpo e ambiente (HINTON, 2014).

Wilson (2002) indaga, “de que forma a arquitetura cognitiva humana suporta a ação?” Segundo ela, “provavelmente com uma estratégia mais indireta, flexível e sofisticada, na qual a informação sobre a natureza do mundo externo é armazenada [com o indivíduo] para uso futuro, sem previsões sobre como este uso se daria”, acredita. “Os conceitos mentais muitas vezes contêm ricas informações sobre as propriedades dos objetos, que podem ser extraídas para uma variedade de usos imprevistos”. A autora ilustra afirmando que é possível que um não-músico, ao avistar um piano, utilize-o como assento ou como apoio, para fazer barulho, para segurar uma porta contra invasores ou para fazer fogueira numa nevasca. As affordances do objeto permitem múltiplas interpretações, que vão além das funcionalidades originalmente pretendidas.

Esse tipo de informação é classificado por Bates (2006), conforme citado no item 10.1.2, como informação para ação (enacted information): seres experimentam suas vidas mentalmente em privado, mas quando começam a agir no mundo, seus talentos genéticos e conhecimento da vida se tornam visíveis para o mundo externo. Quando um animal aciona informações, ele atua no mundo a partir de suas capacidades e das experiências armazenadas em suas reservas neurais.

Dentre as seis premissas compiladas por Wilson (2002) sobre cognição citadas anteriormente, está: (5) “cognição é para a ação”. O argumento representa um princípio essencial para este trabalho. A função da mente é orientar a ação, e mecanismos cognitivos – tais como percepção e memória – devem ser entendidos em termos de sua contribuição definitiva para o comportamento adaptado a cada situação, segundo Wilson (2002). Como observa Dourish (2004), “nós percebemos pela ação. Nós agimos porque percebemos. Percebemos o que o ambiente significa para nossos corpos. A compreensão fenomenológica é capaz de fornecer a base para uma abordagem fundacional para a interação corporificada”.

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