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BI Norwegian Business School

In document Twitter and stock returns (sider 51-66)

Como pode ser observada na figura 01, a classe denominada “Violência”foi composta por palavras e radicais no intervalo entre mãe (phi = 48) e datilologia (phi = 0,06). A análise foi realizada com os radicais com maior phi e seus correlatos em sentido de menor phi. Esses radicais foram: mãe (phi = 0,48) e pais (phi = 0,06). Essa classe foi estruturada com o número mínimo de UCEs igual a 86, correspondente a 16% do total, sendo composta por 95 palavras analisáveis.

A partir do dendograma apresentado na figura 01, pode-se perceber que o radical mae, diss, azar e marido possuem maior phi. Observando os radicais de maior phi e seus correlatos em sentido, o que determinou a análise de radicais com menor phi, foram analisados os seguintes radicais nas UCEs: mae, azar, marido, med, pai e pais, com os respectivos valores phi: 0,48, 0,34, 0,32, 0,19, 0,15 e 0,06. Esses radicais, de acordo com o dicionário disponibilizado pelo Alceste, correspondiam respectivamente à mãe, azar, marido, médico/medo, pai e pais. Os radicais que se enquadravam nos critérios de análise não foram descritos como radicais para análise porque possuíam uma relação de complementação de sentido muito próximo dos radicais que aqui foram considerados. Da mesma forma aconteceu com o radical disse que foi incorporado pelas UCEs representativas do radical mãe e marido.

A contribuição para a classe 04 veio da participante 1 (*sex_2 *id_27 *ser_3m *educ_bilinc *esc_pub) do sexo feminino, com idade de 27 anos, cursando 3º ano médio, teve experiência com educação bilíngue e inclusiva e estudou em escola pública. A partir da contribuição desse participante para a formação dessa classe, observou-se que nas informações contidas nela destacou-se no rol de dados a sua singularidade de ter experiência com a violência sexual, embora, em outras classes a violência esteja presente em nível menos forte.

Um dos objetivos desta tese foi analisar a promoção de educação escolar para o surdo usuário de Libras e as intercorrências dessa língua no cotidiano desse sujeito. Como a língua de sinais tem atravessado todos os dados, percebe-se que ela extrapola o contexto educacional, pois, é ela o meio de comunicação do surdo em toda a sua vida pessoal. Dessa forma, surgiu a classe 04 como fator de intercorrência dessa língua nos dados referentes a um único sujeito.

Por intermédio da análise dos radicais mãe, azar, marido, meddico/medo, pai e pais, percebeu-se que na participante a figura da mãe se relaciona à falta de proteção por não a ter orientado para evitar a violência sexual e, ao mesmo tempo, para a proteção no sentido de conduzi-la à escola e ao médico. A participante atribuiu ao azar o fato ocorrido, vê na figura masculina: marido e pai, segurança física e emocional e possui medo de violências como assalto ocorrido na rua, conforme UCEs abaixo.

“com nove anos era toda tapadinha, certinho, com dez tudo certo, mas, com doze anos perdi. aí disseram. Você é burra” (UCE 146). “ele fazia gestos, um menino de doze anos. a minha mãe não me aconselhou, não me aconselhou em nada, não me ensinou

disse, não sei foi sexo, que azar. Minha mãe ficou arrependida aí disse como que eu iria casar no futuro” (UCE 148). “tinha dezesseis anos que voltei a transar com todo mundo de novo e fazer sexo eu já estava acostumada, desde os doze anos me acostumei. Aí com o passar do tempo eu tive azar e minha mãe me reclamou e disse que eu tinha que paquerar” (UCE 152). “Aí aconteceu o azar de ter dores fortes no ovárioeu tinha mais ou menos quinzeanos a minha mãe foi junto comigo no médico (UCE 151). Foi umazar, aconteceu o estupro e eu mearrependi” (UCE 179). “Antes eu tive o azar [de ter morado em um lugar com uma vizinha que jogou uma pedra em sua casa] foi mais ou menos” (UCE 121). “Eu era jovem e tive o azar de brigar pela segunda vez e minha mãeme chamou a atenção e ela e meupaisabem língua de sinais e eu expliquei que estavasofrendo muito (UCE 16). “aíeu fico triste e meumaridome acalma” (UCE 161) “meu marido me segurou e disse olha. Eu olhei tinha duas pessoas estranhas e fiquei olhando o ônibus indo embora com eles” (UCE 128). “eu preciso urgente ir no médico, fazer exames, tomar remédio que e possível engravidar” (UCE 161). “Vamosprocurar um intérprete porque precisa ir no médico” (UCE 161).

Aíacontecerde novo [o fato de ter assaltantes em ponto de ônibus], tinha dois jovens. Várias vezeseufiquei com medo” (UCE 129). “aí depois eu acordei assustada com um barulho e quando vi era um paralelepípedo e eudisse. Não pode. Aímeuspais vieram juntos e chamou, reclamou e os processaram. aíeu com medosai e me mudei para cá. Eu com medosaí e me mudei para cá” (UCE 7).

A análise do radical mãe possibilitou compreender que a figura da mãe era percebida pela participante como corresponsável pelo sofrimento do abuso sexual porque não a orientara sobre os possíveis riscos. Além desse dado a participante ainda revelou o sofrimento da culpabilização por ter sofrido a violência sexual.

Esses dados indicam que a falta da comunicação em língua de sinais na família impossibilita a educação doméstica causando a vulnerabilidade à violência sexual do surdo usuário de Libras. Esse fato acontece porque a participante é filha de pais ouvintes, assim, conforma-se à discussão realizada anteriormente sobre a falta de comunicação em Libras por ser filha de pais ouvintes.

Sobre o abuso sexual e a culpabilização, os dados seguem o mesmo direcionamento de Martins e Jorge (2010), quando afirmam que esse tipo de violência tem maior prevalência sobre o sexo feminino, com idade de 10 a 14 anos de idade, com maior risco entre as meninas maiores de 08 anos de idade e a maioria dos agressores é do sexo masculino e que a

culpabilização contribui para a não denúncia do agressor. De fato, não houve relato da participante de ter havido qualquer tipo de medida contra seu agressor.

O relato da participante indica que a preocupação da mãe centrou-se em motivações culturais. Segundo Martins e Jorge (2010), a mãe tem uma preocupação com a resposta social diante do fato de violência sexual e por isso pouco denuncia abusos sexuais contra seus filhos. No entanto, o abuso deveria ter sido denunciado como uma forma de combate ao abuso sexual infantil e as crianças devem ser resguardadas por um estado de vigilância a fim de evitar que fatos como esse ocorram.

Por meio da análise do radical azar, a participante revelou que sua iniciação da experiência sexual aconteceu por meio do abuso sexual e lhe trouxe a consequência de uma prática sexual desordenada que acarretou uma doença no ovário. Como averiguaram Martins e Jorge (2010) e Intebi (2011), que afirmam que o abuso traz consequências negativas para a vítima, tais como: condenação social, baixa autoestima, distúrbios alimentares e de sono, descontrole esfincteriano, problemas escolares, interesse sexual e atitudes provocativas precoces, depressão, fuga de casa, ideação suicida, uso de drogas, ansiedade e agressividade.

No entanto, após aprender a comunicar-se em língua de sinais, a mãe passa e exercer o papel de protetora aconselhando a filha sobre a forma de se comportar nos relacionamentos afetivos e acompanhando-a às consultas médicas.

Os dados também revelaram que a participante se envolvia em episódios de violência e que os pais assumiram a posição de proteção. Assim, há a indicação de que a relação entre mãe e filha foi sofrendo mudanças ao longo do tempo de forma que, inicialmente, a mãe não conseguira exercer seu papel de proteção e em seguida passa a acompanhar e proteger sua filha por meio de acompanhamento e aconselhamento.

Para além das questões comuns, é importante salientar que a aprendizagem da língua de sinais pela família é também um fator de proteção social da criança surda, pois, é por meio dela que os pais têm condições de orientar seus filhos quanto aos riscos sociais.

A partir da análise do radical marido percebe-se que o marido representava um apoio emocional, proteção e companheirismo em situações de risco, da mesma forma que acontece com o surgimento do radical pai que surge em momento de solução de conflitos, de proteção e impedimento de novas ocorrências. Em ambas as situações a língua de sinais é a condição de comunicação e proteção dessa participante porque, a partir da concepção de Vigotsky, ela enquanto signo exerce a função de mediação para o desenvolvimento do indivíduo e esse é importante para saber lidar com a realidade social.

Os radicais médico/medo atrelam-se às condições de vulnerabilidade como é o caso de precisar de consulta médica, mas não poder usufruir por não ter comunicação em língua de sinais assegurada. Esse dado segue o mesmo direcionamento dos dados de Austen e Jeffery (2005), Ubido et al. (2007), e McKee, Barnett, Block e Pearson (2011), ao relatarem a problemática da não comunicação entre médico ouvinte e paciente falante de língua de sinais. Com o radical medo, foi possível perceber que a participante vivenciava sentimento de insegurança e vulnerabilidade mediante a violência sofrida pelo ataque de uma vizinha com uma pedra e por assaltos sofridos. Esses dados indicam que o surdo se vê em constante situação de vulnerabilidade, pelo sentimento de insegurança e por se envolver em conflito com vizinhos, como averiguaram Macedo e Bomfim (2009), quando afirmam que a violência não é privilégio de pessoas, cor, raça ou condição social. Em uma sociedade agressiva e sem políticas efetivas para combatê-la, a violência afeta qualquer indivíduo que a ela pertence; assim, esse caso de sentimento de insegurança da participante é comungado por todo cidadão brasileiro.

A classe 04 revelou dados sobre a subjetividade de uma participante que ao relatar sobre sua vida escolar, sentiu a necessidade de revelar dados sobre a violência vivida e sua necessidade de acesso a outros ambientes de proteção social, como é o caso da saúde. Sendo assim, os dados confirmam o pressuposto de que a Libras é um fator mediador primordial para a escolarização do surdo, para sua inserção e proteção social. Portanto, a partir da categoria teórica mediação de Vigotsky, pode-se inferir que a língua de sinais é um elemento mediador da relação do surdo usuário de Libras com o mundo e é um importante elemento para sua proteção social.

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