3. Litteraturgjennomgang
3.5 Beyond Budgeting
Considerando-se a complexidade das interações em sala de aula, o uso de gravações em áudio tornou-se necessária, dada a impossibilidade de registrar em tempo real os acontecimentos verbais. Vários pesquisadores (MORTIMER; AGUIAR; SCOOT; et. al) adotam as gravações em sala de aula para chegar a resultados mais fiéis em suas pesquisas.
As gravações eram feitas em áudio, com um aparelho pequeno que não chamava muito a atenção dos alunos. Geralmente o aparelho era colocado na mesa do professor, mas após a percepção de que as gravações ficavam baixas, o professor passou a posicionar o aparelho próximo aos alunos em momentos de maior interação. As aulas tinham duração de quarenta minutos e eram gravadas integralmente. Estivemos presentes em todas as aulas, nas
quais ficávamos no fundo da sala realizando anotações. O posicionamento se deve a tentativa de não causar constrangimentos ou mudanças nos padrões de aulas adotados pelo professor e nas atitudes dos alunos em relação às mesmas.
A vantagem do uso das gravações é que elas podem ser ouvidas várias vezes de forma a buscar resultados mais precisos, classificar de forma clara os episódios e selecioná- los para a análise. No entanto, também traz algumas desvantagens como problemas na captação das falas, muitas conversas próximas ao aparelho, mas as desvantagens foram pequenas em relação aos pontos positivos que tivemos.
Além das gravações em áudio foi utilizado também um diário de campo com as observações anotadas para complementar as análises. As duas técnicas adotadas se complementam, pois o registro por escrito, sozinho, não permite o acompanhamento das alternâncias do discurso entre professor e alunos e as percepções quanto às entonações da fala. Desta forma, foi possível analisar as interações verbais entre professor e alunos sem que falas fossem excluídas por falta de atenção durante as anotações, o que nos levou a uma melhor análise dos episódios. 14
Foram gravadas dez aulas da disciplina de Física. Das gravações foram selecionados oito episódios, cada um dos episódios é referente a um assunto/tópico ligado ao tema da aula (eletromagnetismo).
Esses episódios foram subdivididos em alguns tipos de interação: não-interativo, quando o professor é a única voz em sala de aula; I-R-A (Iniciação/pergunta do professor, Resposta do aluno, Avaliação do professor); e perguntas dos estudantes, nos momentos em que os estudantes fazem perguntas e o professor responde sanando as dúvidas dos alunos.
As observações e gravações das aulas aconteceram no segundo semestre de 2009, mais precisamente nos meses de outubro e novembro. Com o material coletado separamos os episódios para análise das interações verbais, entre professor e alunos, em sala de aula, baseando-nos em critérios estabelecidos nos trabalhos de Mortimer e Scott (2002), especificamente com relação ao foco – as intenções do professor e o conteúdo; abordagem – a abordagem comunicativa; e ações – padrões de interação e a intervenção do professor. Foram feitas análises qualitativas das interações verbais entre professor e alunos, dos conteúdos abordados nas aulas e dos gêneros adotados pelo professor.
14 Ao final da pesquisa, as fitas gravadas foram destruídas. Além disso, os nomes dos sujeitos pesquisados e da instituição são mantidos em sigilo, ou seja, não são divulgados em nenhum momento do trabalho.
Após a análise das aulas, voltamos à escola para fazer as entrevistas15 com alguns alunos e o professor. A seleção dos alunos utilizou o critério de entrevistar um número de alunos que interagiam com o professor durante as aulas observadas e um mesmo número de alunos que não interagiam. Além disso, consultamos o professor sobre os alunos que ele considerava participativos em aula, e os menos participativos, em relação às interações verbais. Segundo estudos (DUARTE, 2002), no que diz respeito ao número de sujeitos entrevistados, o melhor procedimento é realizar as entrevistas até que os dados obtidos ajudem na análise e nas conclusões da pesquisa.
A entrevista foi aplicada com o interesse de compreender os seguintes pontos: - Como o professor e alunos analisam as interações verbais em sala de aula; - Em qual momento da aula essas interações ocorrem;
- Como os alunos vêem as interações verbais, em relação ao ensino e aprendizagem de Física;
As entrevistas foram agendadas com os alunos e professor fora do horário de aula. Além das anotações das respostas, também foi feita a gravação em áudio das mesmas, a fim de não deixar que algum fator importante passasse desapercebido.
As entrevistas foram realizadas, em novembro de 2010. Os alunos, individualmente, responderam as questões propostas oralmente. Foram dez alunos participantes da entrevista e o professor de Física16.
Analisamos as respostas dos alunos, buscando identificar suas explicações sobre como são as aulas de Física, como é a abertura dada pelo professor para que os alunos se manifestem verbalmente durante as aulas, quais fatores poderiam influenciar positivamente nessas aulas e que falassem sobre as interações que ocorrem nas mesmas.
A entrevista feita com o professor buscou investigar sua metodologia de ensino, os recursos utilizados em suas aulas, a dificuldade encontrada pelo mesmo em seu trabalho docente, como ele analisa as interações com os alunos que ocorrem em suas aulas e sua opinião sobre os alunos que optam pelo silêncio.
A entrevista, assim como as gravações e observações, nos permitiu obter resultados que nos fizeram avançar em nossas investigações. Segundo Lüdke e André (1986), a vantagem desse instrumento em relação a outros “é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 34).
15 As entrevistas encontram-se no anexo.
São três os tipos de entrevista: estruturada, semi-estruturada e não estruturada. Nessa pesquisa utilizamos a entrevista semi-estruturada que é um intermédio das outras duas, pois as perguntas podem ter respostas relativamente livres e outras questões podem ser acrescentadas dependendo das respostas dos alunos e professor entrevistado. Para Lüdke e André (1986), nas pesquisas educacionais a técnica de entrevista que obtém melhores resultados é a mais livre, por dar maior flexibilidade ao pesquisador e entrevistado em sua aplicação. As autoras afirmam que,
“[...] nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde não há uma imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica.” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 33-34).
As questões que constituíram a entrevista foram formuladas levando-se em consideração o objeto da pesquisa, a interação verbal em sala de aula, e o ensino de Física no ensino médio, em busca de subsídios que pudessem confrontar-se com outras informações relevantes da pesquisa.