3.2 Lagmannsrettsavgjørelser angående sykdomsvilkåret
3.2.3 Beviskrav ved anførsler om sosiale og økonomiske problemer
O problema formulado nesta investigação teve em conta o modelo conceptual e assenta na investigação das relações entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade. Para responder a este problema formularam-se várias hipóteses que operacionalizam os objectivos específicos anteriormente apresentados e que pretendem investigar se há um reforço da Espiritualidade na pessoa com Incapacidade por Lombalgia e se a relação entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade é mediada pelas Estratégias de Coping e moderada pelos Valores Humanos do paciente.
1ª- Hipótese: A Incapacidade por Lombalgia acompanha-se de um reforço da espiritualidade.
A espiritualidade tem adquirido um estatuto científico e assumido um papel cada vez mais importante em psicologia da Saúde (Koenig, McCullough, Larson, 2001). Tem vindo a ser demonstrado, como referido anteriormente, um reforço da espiritualidade após o diagnóstico de doenças graves como SIDA e cancro (Ironson, Stuetzle & Fletcher, 2006; Denney, Aten, & Leavell, 2010). Segundo Glover-Graf et al. (2007) a espiritualidade, ao permitir uma apreciação mais favorável da vida, pode ajudar a ultrapassar as dificuldades resultantes de uma dor crónica. As pessoas espirituais encaram os desaires da vida de uma forma mais optimista ao viverem a vida como uma dádiva e não um direito. Para Poujol e Duval-Poujol (2003) a espiritualidade pode surgir como uma forma criativa e específica de responder perante a doença. Espera-se que haja uma diferença nos níveis de espiritualidade
entre o grupo de pessoas de Controlo e o grupo de pessoas com Incapacidade por Lombalgia, sendo os níveis de Espiritualidade mais elevados neste último grupo.
2ª- Hipótese: A Incapacidade por Lombalgia acompanha-se de uma alteração das Estratégias de Coping.
Segundo Lazarus e Folkman, (1984) as Estratégias de Coping incluem um conjunto de comportamentos de base cognitiva, em mudança constante, destinados a responder a exigências internas ou externas que excedem os recursos da pessoa são um conceito fundamental em Psicologia da Saúde. Segundo Sulmasy (2002) o modelo biopsicossocioespiritual introduz a espiritualidade no modelo biopsicossocial permitindo a análise da dimensão espiritual da pessoa doente
3ª Hipótese: A Incapacidade por Lombalgia não se acompanha de uma alteração dos Valores Humanos.
Denney et al. (2010) confirmaram a estabilidade dos valores humanos ao verificarem que, ao contrário da espiritualidade não se modificavam nos doentes com cancro.
4ª-Hipótese: A Incapacidade por Lombalgia é preditora da Espiritualidade.
As relações entre Espiritualidade e Religião, por um lado, e Doença e Saúde por outro têm servido de base a numerosos estudos em que a Espiritualidade e a Religião surgem como variáveis preditoras do estado de Saúde ou de Doença, figura 7.1, (Fetzer, 2003; Koenig, 2007; Park, 2007; Baetz, 2008; Hood, 2009).
Fig - 7.1 - Estudos tradicionais em Psicologia da Saúde em que a Espiritualidade e a Religião são preditoras da saúde e da doença.
Estudos mais recentes têm vindo a abordar uma relação de causalidade inversa, em que a doença surge como preditora da espiritualidade (Hummer et al., 1999; Miller et al., 2003; Powell et al., 2003, Rippentrop et al., 2005; Ironson et al., 2006; Baetz, et al., 2008). Em doentes com cancro, SIDA e lesões da coluna vertebral foram identificadas elevações dos níveis de espiritualidade associadas a um melhor prognóstico, fig. 7.2. A associação entre o aumento da espiritualidade e o melhor prognóstico da doença aponta para uma relação bidireccional em que o reforço da espiritualidade possa estimular de forma retroactiva uma evolução mais favorável da doença.
Fig - 7.2 – Estudos em que a doença conduz a um reforço da espiritualidade.
5ª Hipótese: As Estratégias de Coping correlacionam-se com a Incapacidade por Lombalgia e com a Espiritualidade.
Wachholtz, Pearce, e Koenig (2007) consideram que a Espiritualidade pode ser reforçada pelas Estratégias de Coping ou funcionar, por si, como uma Estratégia de
Coping. Marini e Glover-Graft (2011) verificaram nos doentes com patologia
Cancro SIDA Lesão vertebral Espiritualidade Espiritualidade ou Religião Saúde ou Doença
vertebromedular uma relação entre as Estratégias de Coping e a Espiritualidade em que níveis elevados de Espiritualidade se associam a uma evolução mais favorável.
A correlação simultânea das Estratégias de Coping com a Incapacidade por Lombalgia e com a Espiritualidade é uma condição indispensável para que possam ser validadas como mediadores.
6ª Hipótese: As Estratégias de Coping têm uma acção mediadora na relação entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade.
Há unanimidade entre os autores que estudam a relação entre a espiritualidade e a doença ou entre a doença e a espiritualidade sobre a necessidade em aprofundar esta relação através da análise das variáveis mediadoras (Miller, 2003; Rippentrop, 2005; Wachholtz, 2007). Baron e Kenny (1986) definem a variável mediadora como uma terceira variável que fortalece ou enfraquece a relação e a direcção entre duas variáveis. A importância das estratégias de coping na relação entre doença e espiritualidade tem vindo a ser desenvolvida por alguns autores (Wachholtz, 2007; Marini, 2011). Nessa linha pretendemos estudar a importância das Estratégias de Coping na relação entre Incapacidade por Lombalgia e Espiritualidade, figura 7.3.
Fig - 7.3 - Modelo de mediação das Estratégias de Coping na relação entre Incapacidade por Lombalgia e Espiritualidade.
Incapacidade
por lombalgia Espiritualidade
Estratégias de
7ª Hipótese: Os Valores Humanos são moderadores da relação entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade.
Os Valores Humanos são um referencial pessoal e como tal influenciam a forma como a pessoa interpreta o sofrimento podendo ter importância determinante a nível das estratégias de coping na doença (Zborowski, 1998; Baider, 2001). Denney et al. (2010) confirmaram a estabilidade dos Valores Humanos ao verificarem que, ao contrário da espiritualidade não se modificavam nos doentes com cancro. Esta estabilidade dos Valores Humanos permite pensar que possam desempenhar um papel de moderação na relação entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade. Baron e Kenny (1986) consideram que a variável moderadora é responsável pela relação entre a variável independente e a variável dependente.
Fig 7.4 - Modelo de moderação dos Valores Humanos na relação entre Incapacidade por Lombalgia e Espiritualidade
8ª Hipótese: As estratégias de Coping e os Valores Humanos explicam a relação entre a Incapacidade por Lombalgia e a Espiritualidade.
Koenig (2001) que tem desenvolvido um importante trabalho no campo da espiritualidade e saúde considera que os valores humanos são um referencial que pode
Incapacidade por Lombalgia
Espiritualidade Valores humanos
facilitar ou inibir as estratégias de coping. A fig. 7.4 apresenta o modelo de investigação em que se pretende estudar a existência de uma mediação moderada. As Estratégias de
Coping exercem uma acção mediadora sobre a relação entre a Incapacidade por Lombalgia
e a Espiritualidade enquanto os Valores Humanos desempenham uma moderação da mesma relação.
Fig - 7.5 - Modelo de mediação das Estratégias de Coping, moderadas pelos Valores Humanos, na relação entre Incapacidade por Lombalgia e Espiritualidade.