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BEVARINGSMÅL, PLANLAGTE TILTAK OG SKJØTSEL

5. FORVALTNING AV FINNEMARKA NATURRESERVAT

5.3 BEVARINGSMÅL, PLANLAGTE TILTAK OG SKJØTSEL

Seja qual for o conceito que tenhamos de “diferença”, tal como David Rodrigues refere, sabemos que não são só os alunos que são diferentes mas os professores também, considerando que, ser diferente é uma característica humana e comum e não um atributo (negativo) de alguns. O autor considera que a Educação Inclusiva “[se dirige] assim aos “diferentes” isto é a … todos os alunos. E é ministrada por “diferentes, isto é … todos os professores.” (2006a): 6) O autor acrescenta que, não sendo possível cada aluno aprender com uma metodologia diferente nas condições actuais das nossas escolas, se não proporcionar abordagens diferentes ao processo de aprendizagem, estamos a criar desigualdades para muitos alunos (ibid.).

David Rodrigues defende que a formação de docentes na área das deficiências deve ser feita em termos de deficiências mais ligeiras e que “todo o conhecimento da diferença seja integrado numa compreensão da diversidade humana que vai das altas habilidades até à deficiência e dando a noção que os casos muito difíceis são uma minoria e que na grande maioria as dificuldades são discretas e leves” (ibid.: 7).

De acordo com Helena Serra, referindo-se à educação das crianças com NEE, tanto nos EUA como na Europa, só no final da década de 80 é que são “desenhados os primeiros traços a caminho da igualdade de exercício de direitos, destes cidadãos”. Todavia, a autora refere que “mesmo quando a educação passou a ser o principal objectivo, foi entendido que alunos com características diferentes deveriam ser ensinados „com métodos especiais e em escolas especiais‟. Ou seja, por serem pessoas diferentes, deveriam ser ensinadas num ensino paralelo, oferecido em lugares diferentes, (…)” (2005: 34).

Mel Ainscow demonstra a forma como se deve encarar a diferença na escola através de três factores-chave que refere como tendo grande influência na criação de salas de aula mais inclusivas: a planificação de actividades que dizem respeito à classe no seu conjunto, planificação como um todo, que abranja todas as crianças e sem colocar ênfase na planificação individual; a estimulação para que os professores utilizem de forma mais eficiente os recursos naturais que

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podem apoiar a aprendizagem dos alunos, nomeadamente, os próprios alunos que representam uma fonte rica de experiências, de inspiração e de desafio, reconhecendo que a aprendizagem é um processo social; e a capacidade de modificar planos e actividades em resposta às reacções dos alunos. O autor refere, e é também o nosso entendimento, que é especialmente através deste último processo que “os professores podem encorajar uma participação activa e, ao mesmo tempo, ajudar a personalizar para cada aluno a experiência da aula” (2002: 5-7).

Teresa Marques refere que o tema da “diversidade” é hoje muito abordado, principalmente em meio escolar e que as crianças podem “fugir das características-tipo da sala de aula e da escola” (2008: 20). Essas diferenças podem estar relacionadas com uma deficiência física ou mental ou, até por exemplo, com a cor da pele ou o excesso de peso. (ibid.) A referida psicóloga acrescenta que frequentemente o “diferente” inicia um processo de auto-exclusão, comportamento que “resulta de uma auto-estima baixa, muitas vezes motivada por mensagens transmitidas pela família”. (ibid.) A autora considera ser importante que “o diferente” não se exclua, o que passa por uma aceitação das suas próprias características, defendendo que a atitude mais correcta não é tentar eliminar as diferenças ou negá-las mas aprender a viver com elas ou a ultrapassá-las. (ibid.: 20-21) A psicóloga refere ainda o “efeito de Halo”: “Uma única deficiência física é muitas vezes por nós associada a defeitos ao nível do carácter, pelo que os especialistas falam de „efeito de Halo‟. Assim, uma criança que seja gaga pode ser vista pelos outros como menos inteligente, o que em regra não corresponde à verdade – trata-se, única e simplesmente, de um preconceito” (ibid.: 21). De facto, é muito importante ensinarmos as crianças e jovens a aceitar e a integrar no seu grupo, colegas e amigos que possam ter alguma particularidade que os diferencie mental ou fisicamente.

Carlos Afonso19 considera que “(…) a formação de docentes para o trabalho com a

deficiência tem que ser vista no conjunto dos desafios que se colocam à escola regular pela presença da diferença” (2004: 33). O autor defende que “Isso implica perceber as diferenças nessa mesma escola e a mais valia que pode resultar da(s) diversidade(s). Nessa medida, importa considerar as diferentes respostas a essa situação, sobretudo na dimensão curricular” (ibid.). Segundo Carlos Afonso, “Uma escola para conseguir responder às diferenças que a atravessam tem de se tornar uma escola „diferente‟.” (2004: 45) e que “passe a ver a criança, não como um deficiente, mas como um todo, com pertenças diversas (…)” (ibid.: 37). O autor acredita que para

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isso é necessário repensar-se o papel da escola na construção do saber mas também da socialização (ibid.). Carlos Afonso refere que “é necessário romper com algumas lógicas do passado tão entranhadas que parecem ser naturais e únicas.” (ibid.) Tal como o autor, defendemos que “A promoção de uma diferenciação positiva passa por encontrar novas formas de organização curricular e sobretudo outros processos/estratégias de trabalho na sala de aula. O professor tem de ver e ver-se neste contexto assumindo uma profissionalidade reflexiva crítica. Assim, ele irá entender que o seu espaço pedagógico pode ser transformado.” (ibid) Também entendemos que, para este processo de consciencialização, a formação inicial, continua e especializada, muito pode contribuir (ibid.). Carlos Afonso, numa atitude crítica, acrescenta que só acredita nas capacidades da formação se, entre esta e a prática, se criarem vínculos concretos e “não se enveredar por uma lógica docente de aquisição de formação em função de progressão na carreira” (ibid.).

Concordamos com o referido autor quando este refer que, embora nas nossas escolas se afirme que “cada caso é um caso”, este discurso raramente se traduz, de forma eficaz, em prática educativa (idid.: 33). Carlos Afonso lembra que a diversidade é uma característica da sociedade humana e “os alunos sempre foram diferentes mesmo no tempo em que as escolas eram só para uma minoria.” (ibid.). Tal como o autor refere, o que realmente acontecia era “um processo de „mascaramento‟ dessas diferenças baseado na pretensa „igualdade de tratamentos‟ defendendo-se um ensino para o „aluno médio‟ que na realidade não existe” (ibid.).