4.2 Å være refleksiv i møte med barn for å forstå barns uttrykk
4.2.1 Betydningen av egne holdninger og synet på barn når barnets uttrykk skal forstås
Todas as crianças, quaisquer que sejam suas origens familiares, sociais, étnicas, têm igual direito ao desenvolvimento máximo de sua personalidade. Não devem encontrar outra limitação, que a de suas aptidões. A educação deve, pois, oferecer a todos, possibilidades iguais de desenvolvimento [...]. (Plano de Reforma Langevin-Wallon, 1969, p. 157)
Wallon nasceu e viveu na França, entre 1879 e 1962, uma época de turbulência social, devido ao avanço do fascismo, às revoluções socialistas, à guerra para libertação das colônias na África e às duas grandes guerras mundiais. Na primeira grande guerra, atuou como médico e, na segunda, como integrante da resistência aos nazistas, “o que reforçou ainda mais sua crença
na necessidade da escola assumir valores de solidariedade, justiça social e anti-racismo”, com o objetivo de construir uma sociedade justa e democrática
(MAHONEY, 2005, p.10).
Estudou filosofia e medicina, conhecimentos que tiveram papel importante na construção de sua teoria psicogenética. Sua tese de doutorado, intitulada “A
criança turbulenta”, representou o início de um período muito produtivo, com a
Ao estudar o desenvolvimento do psiquismo humano, interessou-se pela infância de forma concreta, o que o aproximou, definitivamente, da educação. Considerava que deveria haver uma relação de contribuição recíproca entre a psicologia e a educação.
Participou ativamente das discussões educacionais e deixou registrado seu pensamento, a esse respeito, em vários momentos de sua obra. Para ele, a educação precisava estar adaptada à estrutura social; observava uma grande distância entre a estrutura educacional, que se apresentava praticamente a mesma há meio século, e a estrutura social, que sofreu, nesse mesmo período, profundas e rápidas modificações, como: a utilização de novas fontes de energia, o desenvolvimento dos meios de transportes, a concentração industrial e a entrada massiva das mulheres na vida econômica (Plano de Reforma Langevin-Wallon, 1969).
A França, nesse momento, tinha uma sociedade marcada por essas modificações e pelas guerras, e repensar a educação era algo necessário. Para isso, foi criada uma comissão que ficou responsável pela elaboração de um plano de reforma educacional. Esse plano ficou conhecido como Projeto Langevin-Wallon e recebeu esse nome, pois, inicialmente, foi presidido por Langevin, no entanto, após a sua morte, Wallon, que presidia a subcomissão responsável pela formação de professores, assumiu o cargo de presidente, sendo o responsável pela redação final do projeto. Na comissão da qual fazia parte, expôs sua preocupação com a formação adequada dos professores para cada modalidade de ensino (ALMEIDA, 2007).
O objetivo desse projeto era garantir a todos, sem distinção de classe, etnia e raça, uma educação justa, com a total possibilidade de desenvolvimento de suas capacidades e habilidades para, assim, reconstruir uma sociedade mais justa. Nessa perspectiva, o projeto apoiou-se em quatro princípios: justiça, no sentido de garantir igualdade de direito a todos para o seu desenvolvimento completo; dignidade igual de todas as ocupações que, de acordo com Wallon, referia-se a uma reorganização de valores e é indispensável para o progresso
e para a vida; orientação, voltada para o desenvolvimento das aptidões individuais, primeiramente escolar e, depois, profissional; cultura geral, pela importância evidente dessa em um estado democrático, para a compreensão dos homens sobre os problemas mais amplos.
Antes mesmo da conclusão do projeto, o governo francês criou duzentas salas das primeiras séries do ensino secundário, esse número cresceu rapidamente e, em 7 anos, atingiu setecentas salas em duzentos estabelecimentos; no entanto, a partir de 1952, por restrições orçamentárias, reduziu-se para apenas sessenta estabelecimentos considerados classes-piloto (ALMEIDA, 2007).
Os princípios do Projeto Langevin-Wallon mostram o compromisso de Wallon com a educação e com a sociedade. E é ainda mais evidenciado pela valorização que o autor dispensa ao papel do professor e sua formação. Para ele “[...] a escola é um meio indispensável à formação do ser humano, e o
professor deve ter uma formação adequada para atuar nesse meio e o reconhecimento de sua atuação.” (ALMEIDA, 2007, p.77).
O autor mostra, em diversos momentos de sua obra, especial atenção aos professores e suas responsabilidades perante a sociedade e a criança. Para ele, o professor precisa, além de manter-se atualizado, conhecer o seu aluno e sua realidade, manter-se informado sobre suas condições de vida, antes de tomar qualquer decisão. Ser aberto para as idéias, modificando as suas por meio do contato com a realidade, precisa evitar distinções sociais e étnicas entre seus alunos, levando em consideração a busca por relações mais igualitárias na sociedade. “Um professor, que tem verdadeiramente consciência
das responsabilidades que lhe são confiadas, deve tomar partido das coisas da sua época.” (WALLON, 1975, p.223).
O professor precisa criar condições afetivas para o aluno atingir o pleno desenvolvimento cognitivo e vice-versa; ter consciência do papel importante que desempenha na constituição da pessoa do aluno; conhecer o processo de desenvolvimento e aprendizagem do aluno (ALMEIDA, 2004a).
No texto intitulado A formação psicológica do professor, Wallon (1975), menciona que, muitas vezes, o melhor pedagogo é aquele em que o “hábito e o
desejo de ensinar tornam impossível a observação sem intervenção” (p. 359).
Para ele, o desenvolvimento se dá por meio de conflitos que provocam transformações e era motivo de surpresa, para ele, encontrar alguns professores que recusavam qualquer auxílio técnico colocado à sua disposição. Para completar seu pensamento sobre a formação psicológica do professor, Wallon finaliza o capítulo dizendo que:
A formação psicológica dos professores não pode ficar limitada aos livros. Deve ser uma referência perpétua nas experiências pedagógicas que eles próprios podem pessoalmente realizar. (WALLON, 1975, p.366)
Na teoria wallonia, segundo Almeida (2004a, p. 126) “o professor desempenha
um papel ativo na constituição da pessoa do aluno”, sendo o mediador entre o
aluno e o conhecimento, “e essa mediação é tanto afetiva como cognitiva”, podendo torna-se mais eficaz quando o professor oferece aos alunos o maior número de linguagens disponíveis, como literatura, dramatização e música, que de acordo com Almeida (2004a, p.127) “são possibilidades que servem para
canalizar as emoções em favor do pensar”.
Esse pensamento acerca do papel do professor, bem como sobre o desenvolvimento de uma educação mais justa, com o objetivo de se ter, também, uma sociedade mais justa, coincidem com as necessidades educacionais já apresentadas nesse trabalho e auxiliarão nas discussões que serão realizadas a partir dos dados coletados.
Diante isso, cabe agora apresentar a contribuição da teoria psicogenética de Henri Wallon, mais especificadamente o papel da dimensão afetiva, que representa um marco em sua obra, e será, exatamente, sobre ela que esse trabalho se debruçará para a análise dos dados levantados. Buscando enfocar aspectos que possam, de alguma forma, contribuir para a melhoria da educação e para a melhoria na formação de professores.