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Betydningen demografi og økonomi – en oppsummering

5. Demografiske og økonomiske endringer

5.3. Betydningen demografi og økonomi – en oppsummering

Quando se trabalha com o gênero de discurso canção, é importante considerar que letra6 e melodia são elementos indissociáveis em sua organização discursiva. O gesto de priorizar somente a letra, ou o texto, promove a delimitação de uma ocorrência ampla e complexa, que é o discurso da canção. Segundo Costa (2002, p.108),

(...) se não se pode abranger demais o campo de objetos abrigados sob o rótulo canção, não se pode restringi-lo excessivamente, sob pena de se ter uma visão abstrata da realidade canção. De qualquer maneira, pode-se arriscar que certamente a canção não é nem exclusivamente texto verbal, nem exclusivamente peça melódica, mas um conjugado das duas materialidades.

Desse modo, Costa (2001) define a canção como um gênero híbrido, que resulta do imbricamento da linguagem verbal e musical (ritmo e melodia). Concordamos que ambas as dimensões não podem ser desvencilhadas para que o discurso da canção não seja confundido com o do poema, uma prática bastante recorrente, por sinal.

Identificamos essa postura equivocada ocorrer, principalmente, com o discurso da moda de viola, pois o fato de a entoação melódica do texto ser similar à entoação da fala, influencia alguns trabalhos, como o de Garcia (2011), a considerarem a melodia um componente ancilar na execução da canção e, por conseguinte, categorizá-la como um discurso literário

O que não procede, pois a melodia no discurso da canção apresenta um contorno melódico estável que o diferencia da melodia da fala, conforme veremos com Tatit (2012) posteriormente.

Diante disso, o elemento melódico no discurso de qualquer canção é determinante no andamento do texto, e, principalmente, na construção da cenografia e na constituição do ethos discursivo. Além disso, Maingueneau (2008a) não restringe o universo discursivo unicamente às produções de ordem linguística. Como prática intersemiótica, o discurso da canção e os diversos suportes semióticos não são independentes uns dos outros, estando submetidos às mesmas escansões históricas, às mesmas restrições temáticas, segundo Maingueneau (2008a, p.136). Por isso, evidenciamos que não existe hierarquia entre os planos que compõem o gênero canção.

Além de apresentar uma faceta poética, que gera um deleite e um prazer estético, o discurso da canção, enquanto prática discursiva, é formador de conhecimento, de atuação política, veículo de construção de identidade cultural, entretenimento. Como exemplo emblemático temos os discursos da canção que despontaram no país na época da ditadura, os quais atuaram como instrumento de resistência e denúncia política. Portanto, o discurso da canção está vinculado ao contexto histórico e sociocultural.

A moda de viola implica, de fato, uma organização textual e discursiva que em muito se assemelha ao processo de criação poética, pois compreende a métrica, as rimas, as metáforas, os versos. Enquanto expressão oral, o texto emprega tais recursos para tornar o discurso memorável e cantável. Vale

destacar que essa organização textual e discursiva não é enrijecida, pois varia face ao movimento musical que o texto se insere.

Na perspectiva de Maingueneau (1997), a categoria de gênero de discurso está essencialmente atrelada à categoria de cenografia. Sendo a canção um gênero de discurso da esfera lítero-musical, ela tem a liberdade para escolher a cenografia. O discurso da moda de viola, por exemplo, engendra uma cenografia semelhante ao causo, à recordação e ao relato pessoal, além de empregar um código linguageiro informal.

Ao gênero de discurso canção também aplicam-se as metáforas da esfera do jurídico, do teatral e do lúdico propostas por Maingueneau , pois sua veiculação deve se enquadrar nos cânones estabelecidos pela linguagem musical, isto é, deve obedecer a uma escala entonacional e as padrões rítimos prévia e convencionalmente fixados (COSTA, 2002, p.108).

O discurso da moda de viola evidencia essa relação ao exigir a construção da cenografia do causo, relato ou recordação, que contempla a estrutura linear com começo, meio e fim, não havendo, portanto, espaço para o uso de refrãos. Quanto à metáfora do teatro, o gênero determina os papeis sociais a serem representados pelos sujeitos envolvidos nesta interação: no caso o intérprete, responsável pela execução da canção, e o ouvinte.

Em relação à metáfora do lúdico, as regras do discurso da moda de viola exigem que ele seja executada ao som da viola, geralmente, por duplas masculinas. A entoação melódica também deve se assemelhar à melodia da fala, de modo que o ouvinte atente-se ao que é cantado e contado ao mesmo tempo. Se tais regras não forem cumpridas, esse discurso não se configurará na canção de moda de viola.

Em se tratando do gênero canção, outro elemento que atua em sua constituição é a voz, pois é ela que emana vida ao texto, desde os tempos mais remotos, principalmente na ausência da escrita. Embora tenha padecido de preconceito, a voz, segundo Zumthor (1993), foi um fator que constituiu toda obra denominada literária. Prova disso são as poesias recitadas na Idade Média por menestréis que em virtude de uma situação histórica faziam desse trânsito vocal o único modo possível de realização desses textos. (ZUMTHOR, 1993,p.21).

Quanto ao discurso da moda de viola, a voz do intérprete se sobrepuja à voz do canto, pois se trata de uma fala camuflada, expressão cunhada por Tatit (2012), em maior grau. A vocalidade, que enseja entre o falado e o cantado, se impõe de tal forma que coloca o interlocutor no papel de ouvinte, disposto a contemplar a performance do intérprete, bem como o conteúdo do texto.

Ainda que o texto implique uma fase escrita, a escritura permanece escondida, para que a vocalidade a execute e a dramatize em sua plenitude. Portanto, a voz poética diferencia-se das vozes cotidianas por imprimir expressividade aos textos, deslocando, com isso, o ouvinte de sua rotina para transportá-lo a um mundo de encantamento. A escritura, por seu excesso de fixidez, nas palavras de Zumthor (1993, p.139), freia esse movimento que só a voz poética é capaz de realizar.

Diante do que expusemos, defendemos que o discurso da moda de viola pertence ao campo lítero-musical, compondo, inclusive, os discursos denominados constituintes.