A determinação dos indicadores financeiros para a análise de viabilidade econômica das propriedades rurais foi baseada nas medidas defendidas em Hoffmann (1987).
Como a análise é sob condição ex-post, com levantamento anual, são utilizados alguns mecanismos contábeis tais como as medidas:
a) de liquidez; b) de solvência;
c) residuais; e d) de eficiência.
Estas medidas são apresentadas por partes, a fim de facilitar o entendimento da aplicação de cada uma, conforme delineado na sequência.
a) Medidas de Liquidez
Estas medidas relacionam-se com o Balanço da empresa (propriedade ou fazenda), o qual foi feito por meio do levantamento dos registros de Ativo e Passivo fornecidos pelos produtores. Este Balanço permite calcular as medidas relacionadas à posição financeira da propriedade rural. Em análise financeira, as medidas concentram-se na posição do capital do negócio, que tem como objetivo medir a liquidez (curto e longo prazo), observar mudanças no patrimônio líquido e identificar os pontos fracos na estrutura ou combinação de vários tipos de ativos (bens e direitos) e passivos (obrigações e capital).
Assim, o Índice de Liquidez utilizado na avaliação das propriedades rurais foi o seguinte: Prazo Longo a Exigível Circulante Passivo Prazo Longo a Realizável Circulante Ativo (ILG) Geral Liquidez de Índice
O índice financeiro de liquidez geral é uma medida da força financeira do negócio. Se o índice for igual a 1, o Ativo total e o Passivo total são iguais e o Patrimônio Líquido é zero. Existe insolvência se o índice de liquidez geral for menor do que 1, porque o Ativo, caso fosse liquidado o negócio, não cobriria o passivo. Portanto, o valor 1 é o índice mínimo que se espera de um negócio para que ele permaneça em situação favorável. O valor aceitável 1 do índice, para cada propriedade rural, depende dos tipos de negócio e de Ativo no Balanço Patrimonial.
O Realizável em Longo Prazo é o empréstimo fornecido por coligados às propriedades rurais, a diretores e empregados, e outros valores. O Exigível em Longo Prazo são empréstimos obtidos em longo prazo, financiamentos às outras propriedades rurais, créditos diversos em longo prazo e outros créditos.
Já o Índice de Liquidez Corrente é a medida da liquidez do negócio e mostra a relação entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante. Este índice mede a capacidade da empresa para originar renda monetária dentro do período, a fim de cumprir com o débito e os pagamentos circulantes. Os índices de liquidez correntes mais elevados são preferíveis, e valores menores do que 1 indicam um problema potencial de liquidez.
Circulante Passivo Circulante Ativo (ILC) Corrente Liquidez de Índice
Por fim, para medir a liquidez seca, tem-se o (ILS), que mede a capacidade de a propriedade rural pagar seus compromissos em curto prazo6, utilizando o seu Ativo Circulante7, deduzido do valor dos estoques. Este pode ser interpretado também como o índice que mede a capacidade da empresa para pagar seus compromissos de curto prazo. Dessa forma, quando o ILS for maior do que um (ILS > 1), indica-se uma situação favorável, revelando a existência de capital de giro próprio com bastante liquidez. Já uma situação inversa, ou seja, ILS < 1,denota uma situação desfavorável, revelando que a empresa vem recorrendo demais a capital de terceiros.
Circulante Passivo Estoques - Circulante Ativo (ILS) Seca Liquidez de Índice b) Medidas de Solvência
Ser solvente significa que o valor dos ativos da propriedade rural excede as suas obrigações, em caso de falência ou em a sua liquidação. Estas medidas são calculadas no objetivo de verificar a habilidade de a propriedade rural pagar os empréstimos em caso de decidir liquidar seus negócios. Se (SG) > 1, diz-se que a propriedade rural é solvente e se (SG) < 1, a propriedade rural é insolvente. Nesta análise, pode-se destacar a conta do Exigível, que são as obrigações de longo prazo, ou seja, vencíveis em prazo maior do que o exercício seguinte.
A solvência geral (SG) é dada pela seguinte fórmula:
6 Segundo Noronha (1987), definem-se obrigações de curto prazo como todos os débitos assumidos pela empresa
em suas transações com terceiros dentro de um período contábil (geralmente um ano).
7 Para o autor (1987), "ativo circulante é constituído de bens e haveres que podem normalmente ser convertidos
Exigível Passivo Total Ativo (SG) Geral Solvência
Em seguida, utiliza-se a relação Passivo/Ativo, objetivando avaliar a relação entre o Passivo total menos o Patrimônio Liquido total dividido pelo Ativo total da empresa. Logo, pode-se observar que este índice permite avaliar a participação do Passivo total, menos o Patrimônio Líquido total, dado aumento ou decréscimo do ativo total, e tem como meta realística que sua relação seja menor do que 0,40.
Total Ativo Total Liquido Patrimônio - Total Passivo (RP/A)
Já a relação Patrimônio Líquido/Ativo Total (RPL/A) tem como meta realística que sua relação seja maior do que 0,60. O uso deste índice permite analisar a participação do patrimônio líquido sobre dado aumento ou decréscimo do ativo total.
Observação importante é que a soma dos dois últimos índices deve ser igual a 1 (RP/A + RPL/A = 1) na análise das propriedades rurais.
Total Ativo Total Líquido Patrimônio (RPL/A) c) Medidas Residuais
Estas medidas têm o objetivo de mostrar o que resta do esforço produtivo para remunerar os fatores de produção. A análise da renda, despesas, custo e lucro de uma atividade pode ser feita empregando-se as medidas de resultado econômico, ou seja, alguns indicadores que mostrem os resíduos em relação aos fatores usados na produção (HOFFMANN et al, 1987).
Para diversos autores, os critérios e as atribuições de valores às remunerações dos recursos utilizados na atividade produtiva como a remuneração dirigida ao empresário (RAE), a remuneração atribuída terra (RAT) e a remuneração destinada capital (RAC), às vezes são consideradas não importantes, segundo a situação estudada8.
8 Para detalhes ver Neves e Shirota (1987), em Considerações sobre a importância, determinação e atualização
As seguintes medidas residuais são utilizadas na avaliação das propriedades rurais.
A Renda Bruta (RB), resultado de tudo aquilo produzido com um exercício agrícola, compreende a soma dos valores dos seguintes itens: a) produtos animais e vegetais vendidos durante o ano agrícola; b) produtos produzidos e consumidos na propriedade, armazenados ou utilizados para efetuar pagamentos em espécie, avaliados a preços de mercado ou qualquer outro critério escolhido (é o caso, por exemplo, de alimentos, lenha etc.); c) receitas provenientes de arrendamentos de terra, aluguel de máquinas etc.; d) aumento do valor dos rebanhos graças ao crescimento e engorda (HOFFMANN, et al. 1987).
Na conceituação de Hoffmann (1987), a renda líquida (RL) é o valor de tudo o que foi obtido como resultado do processo de produção realizado na propriedade durante um ano RB menos as despesas (D) da propriedade rural do exercício. No presente caso, a RB provém dos valores obtidos com a venda de gado bovino e caprino-ovinos, venda de sub- produtos, autoconsumo e de outros produtos extraídos da propriedade com relação as atividades citadas..
As despesas (D) são os valores de todos os recursos e serviços utilizados no processo de produção durante o exercício (ano agrícola) como sementes, rações, conservação de máquinas, equipamentos, instalações, combustível, salários (inclusive pagamento em espécie), depreciações, valor do trabalho não remunerado do proprietário e de sua família e despesas gerais (energia elétrica, impostos, etc.). Partindo das despesas para se calcular o lucro, devem ser incluídas nestas as Remunerações Atribuídas ao Empresário (RAE), Remunerações Atribuídas à Terra (RAT) e Remunerações Atribuídas ao capital (RAC).
A RAE é muito arbitrária e sua fixação depende das condições econômicas da agricultura da região. Sugere-se que se determine o custo de oportunidade do empresário, pelo seu trabalho executivo e administrativo, levando se em conta sua habilidade, experiência e as oportunidades de emprego alternativo na região ou como método opcional considerar a retirada para fazer face às despesas de bem-estar da família.
A RAT, por sua vez, destina-se a remunerar a terra utilizada na exploração. Pode ser estimada pelo valor corrente dos arrendamentos (parcerias) da região ou pelos juros (a uma taxa normal) sobre o valor da terra. Adotou-se o valor de 3% ao ano, conforme estudo de Camargo e Ferreira, citado por Turra (1990), que indica taxas de crescimento anuais dos preços reais de terra no Brasil para as diferentes categorias, no período de 1966 a 1986, de 4,95% em terras de campo, 4,49% para áreas de lavouras, 3,68% em solos de pastagens e 2,72% para terras de matas, sendo a alíquota modal de 3,0 % ao ano.
A RAC é determinada pelo custo de oportunidade do capital, ou seja, a remuneração possível de obter se o capital fosse aplicado em outra atividade. Uma maneira de cálculo muito utilizada é de usar o custo de oportunidade de aplicações em poupança (6% ao ano). O juro da caderneta de poupança constitui-se numa oportunidade de investimento alternativo no alcance do produtor (TURRA, 1990).
Por fim, tem-se o Custo Total (CT), valor obtido como resultado da adição das D, dos juros sobre o valor da terra (RAT), juros sobre o capital agrário (RAC) e da remuneração do empresário (RAE). Assim, o Lucro é a diferença entre a renda bruta (RB) e o custo total (CT) segundo (HOFFMANN et. al. 1987).
d) Medidas de Eficiência
As medidas de eficiência podem ser divididas em dois tipos: econômica e física. Existem grandes quantidades de medidas potenciais para cada tipo e somente as mais úteis e/ou mais comuns serão discutidas aqui.
A relação Renda Bruta/Custo Total tem como objetivo estimar o desempenho dos diversos fatores de produção. Ela é obtida dividindo a Renda Bruta pelo Custo Total, desde que englobe a remuneração de todos os fatores de produção (HOFFMANN 1987). Uma relação RB/CT 1 expressa uma boa situação (rentabilidade) para a empresa; RB/CT = 1 significa que a propriedade rural está em situação regular e RB/CT < 1 a propriedade rural está em situação má. Total Custo Bruta Renda B/C
Por ser uma medida de eficiência econômica a Renda Bruta/hectare tem como objetivo estimar toda a Renda Bruta (RB) da propriedade rural, dividida pelo número de hectares. Assim, ela representa um valor médio expresso em real (R$) e deve ser interpretada como tal.
Hectare Bruta Renda RB/Hectare
A Renda Liquida/hectare requer identificação de toda a Renda Bruta (RB) da propriedade rural a fim de subtraí-la das despesas (D) antes de dividir pelo número de hectares. Tem como característica produzir um valor médio, que é muito baixo ou muito alto; estes valores obtidos requerem uma avaliação cuidadosa, comparando-se com valores de fazendas similares.
Hectare Líquida Renda
RL/Hectare
A Taxa de Retorno do Ativo (TRA), em muitos negócios não agrários, pode chegar a mais de 10. Uma meta realística para as propriedades rurais é um valor maior do que 0,35. Cada tipo de propriedade rural pode estabelecer a própria meta para esta taxa. Essa meta dependerá do retorno que o administrador tenciona sobre o investimento total para o negócio assim como para a Margem Bruta (MB). Esta é a principal taxa na determinação se o ativo está sendo eficientemente usado.
Total Ativo Bruta Renda (TRA) ativo do retorno de Taxa