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6 KJØNNSSEGREGERTE SAMARBEIDSMØNSTRE

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Mudando o assunto em questão, muda-se o método e a intenção que se quer alcançar; A profissão de fé é um exemplo disso28. Em aberta discordância com as teses

materialistas do automatismo dos objetos sensíveis, Rousseau coloca suas provas tradicionais da existência de Deus em contraposição às de autores como o Barão de Holbach e Helvétius29.

Na Profissão de fé, ao contrário que realizou no Emílio, seu método será o dedutivo, ou seja, aquele que tem a intenção de ligar todo particular a um universal. Sua estratégia, neste escrito, é a de subtrair-se do império dos sentidos, que só nos confunde, em direção às ideias, que nos esclarecem. “[...] Remontando ao princípio das coisas, subtraímo-lo ao império dos sentidos; era simples elevar-se do estudo da natureza à busca de seu autor” (ROUSSEAU, 2014, p. 450). As impressões dos sentidos, diz Rousseau (2014, p. 378), arrastam incansavelmente os juízos ao ritmo das sensações; o melhor, nesse caso, diz o Vigário, deve ser retornar a si mesmo: “[...] Devo, pois, voltar o olhar primeiro para mim, a fim de conhecer o instrumento

28 A Profissão de fé do Vigário saboiano é um livro dentro de um livro e serve como lição ao Emílio. Como

afirma Ravier (1937, p. 302): “[...] O Emílio e a Profissão de fé não formam somente um ‘todo intelectual’; a Profissão de fé não é somente parte ‘integrante’, mas parte essencial do Emílio”.

29 Na Profissão de fé, Rousseau apresenta três hipóteses: no primeiro artigo de fé do Vigário saboiano, ele

afirma que somente a vontade de Deus é o princípio motor do universo e da natureza; no segundo artigo, o genebrino pontua que a vontade que move o universo e a natureza está vinculada a certas leis, e isso indica uma inteligência que nos prova que Deus existe; e, no terceiro artigo de fé, Jean-Jacques assevera que a liberdade humana só tem existência efetiva por sua substância imaterial, que é Deus.

de que me quero servir e saber até que ponto posso confiar em seu uso”. Depois de várias vezes reafirmar a necessidade de fazer derivar o particular do universal, o Vigário ligará mais uma vez o sucesso das suas intuições sobre Deus e sobre a existência, por exemplo, às regras (meditativas) que ele adotou para si mesmo30.

Depois de ter assim, da impressão dos objetos sensíveis e do sentimento interior que me leva a julgar as causas conforme as minhas luzes naturais, deduzindo as principais verdades que me importava conhecer, resta-me procurar saber que máximas devo tirar delas para a minha conduta e que regras devo prescrever a mim mesmo para cumprir minha destinação na terra, conforme a intenção daquele que aqui me colocou. Continuando a seguir o meu método, não extraio essas regras dos princípios de uma alta filosofia, mas encontro-as escritas no fundo do coração, escritas pela natureza em caracteres indeléveis [...]. O melhor de todos os casuístas é a consciência, e só quando regateamos com ela recorremos às sutilezas do raciocínio. (ROUSSEAU, 2014, p. 404).

O exemplo da Profissão de fé é para demonstrar que, embora o método indutivo seja majoritário na educação do Emílio, o método dedutivo também se aplica à sua formação, mediante planos aprioristicamente estabelecidos pelo seu preceptor. Desse modo, se do método indutivo depende o seu método da natureza e, por consequência, o desenvolvimento do seu pupilo, do método dedutivo depende todo o seu plano de educação. O plano metodológico do Emílio, que mescla dedução e indução, é essencialmente o mesmo em suas obras políticas. No Manuscrito de Genebra, por exemplo, Rousseau traça antecipadamente o seu plano de estudo para o livro. Sua intenção, com a obra, é inicialmente determinar a natureza do organismo social; investigar como ela se constitui; descrever as suas facetas; e propor como ela deve funcionar. Contudo, se o plano do Manuscrito pode ser acessado por meio de um roteiro preestabelecido, a vontade geral, principal conceito dessa obra, só poderá ser abordada através de um caminho inverso. A vontade geral parte do particular em direção ao geral, isto é, nasce das vontades particulares dos contratantes e se realiza na vontade coletiva do corpo político31. Nesse sentido, a vontade geral só se efetiva, diz Rousseau

(2003e, p. 122), quando “[...] Cada um de nós coloca em conjunto os seus bens, suas forças e sua pessoa sob a direção de uma vontade comum, e em um só corpo recebemos cada membro como parte indivisível do todo”.

30 Fazer derivar o particular do universal significa, antes de tudo, perceber que o universal reside no homem; no

seu interior. Assim, “no silêncio das paixões”, é possível meditarmos e extrairmos da consciência lições de sabedoria.

31 A vontade geral é o substrato comum das consciências individuais, ou seja, é o universal residente em cada

indivíduo; por isso, também nesse caso, a vontade geral surge da universalidade posta em cada singularidade; ela, a vontade geral, parte do indivíduo, mas não de suas inclinações pessoais e egoísticas, e sim da conscience morale presente em cada homem.

A dependência da relação análise-dedução/síntese-indução encontra-se presente na formatação de todo o seu escopo teórico. Em algumas passagens do Emílio, por exemplo, Rousseau (2014, p. 220) coroa o seu método de ligação e de passagem entre os procedimentos metodológicos: “Discute-se sobre a escolha entre análise e síntese para estudar as ciências [...]. Empregando, então, um e outro método ao mesmo tempo, eles serviram de prova um para o outro [...]”. O preceptor deve se esforçar para mostrar ao seu pupilo algum tipo de dedução que possa ligar todos os experimentos que ele realizou; somente a dedução dá a ele uma ideia de unidade, mas isso não se efetiva sem um processo inverso de juntar as peças dos experimentos, que só é possível por meio de um esforço sintético.

[...] na física sistemática, fazei que todas as suas experiências se unam uma à outra por algum tipo de dedução, para que com o auxílio dessa cadeia elas possam colocá- -las em ordem em seu espírito e lembrar-se delas quando preciso; pois é muito difícil que fatos e raciocínios isolados se mantenham por muito tempo na memória, quando não se têm meios de levá-los até ela. (ROUSSEAU, 2014, p. 231).

Na combinação dos métodos, Rousseau (2014, p. 257) observa que:

Quem vê bem a ordem do todo vê o lugar onde deve estar cada parte [...] [ou seja,] [...] ao fazermos passar adiante dela todos os objetos que lhe importa conhecer, damos-lhe a oportunidade de desenvolver seu gosto e seu talento, de dar os primeiros passos na direção do objeto a que seu gênio a leva e de indicar-nos o caminho que precisamos abrir para auxiliar a natureza.

Na interação entre análise e síntese, Rousseau mostra a relação entre o homem e a natureza, ou seja, entre o pesquisador e o seu objeto de pesquisa. O interesse da ciência é procurar as leis da natureza. O estudioso deve estar atento aos fatos e dele extrair suas leis mais ou menos invariáveis. Não é diferente com a ordem política, na qual “[...] é preciso estudar a sociedade pelos homens e os homens pela sociedade”. Para uma análise da vida política dos povos, “[...] é preciso começar por estudar o homem para julgar os homens e quem conhecesse perfeitamente a inclinação de cada indivíduo poderia prever todos os seus efeitos combinados no corpo do povo” (ROUSSEAU, 2014, p. 332).

Os procedimentos metodológicos inserem Rousseau em um outro debate mais amplo, que será o diálogo de sua teoria com a tradição filosófica da modernidade. Se a dedução dos dados sensíveis é reivindicada por Locke para confirmar suas análises empíricas, Descartes diz que é preciso abstrair o todo sensível da natureza para se chegar ao conhecimento verdadeiro do mundo e de suas causas. Ao lado de Locke está Condillac, com quem Rousseau terá algumas afinidades filosóficas, mas também muitos distanciamentos, sobretudo no campo da linguagem. No que tange ao cartesianismo, Malebranche foi um dos

seus principais intérpretes e teve grande influência sobre Rousseau. Nessa seara, a próxima seção também inclui as críticas frontais de Rousseau ao materialismo filosófico, em especial ao livro Do espírito, de Helvétius.