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É importante continuar questionando sobre as razões que fazem com que os pais mandem seus filhos para a Capital e porque esses jovens aceitam vir. Qual é o significado da estratégia de migração? O que esses jovens e suas famílias almejam ao optarem pela vinda para a Capital? Os depoimentos dos educadores expressam sua interpretação sobre as motivações que induzem a vinda dos estudantes para a Capital:

Eu acho que, fundamentalmente, eles vêm na busca de uma escola que eles chamam de “ensino forte”. Eles dizem assim: “eu quero um ensino forte, eu quero passar em vestibular para medicina, quero passar na UFMG, eu quero fazer uma carreira internacional”. Então, fundamentalmente, eles vêm porque, na opinião deles, no interior onde moram não tem uma escola que dê a eles essas condições para passarem nos cursos que querem. Então, vêm muitos nesta expectativa e, muito embora, às vezes, esses alunos também tenham uma ilusão de que só o fato de eles mudarem para uma escola dessas vai fazê-los passarem no vestibular. É comum a gente ter muitos alunos que não têm o hábito e o ritmo de estudo necessário para isso. Então, muitos vão aprender efetivamente a estudar para valer, aqui em BH. [...] Para mim, eles fazem esse investimento porque está cada vez mais difícil ter uma faculdade de qualidade. É porque esses alunos que vêm para cá têm uma possibilidade de sonhar muito alto. Tem condições de investir. E eles sabem que, para se chegar aonde se pode chegar, uma escola boa permite. Quer dizer, esse aluno passaria em diversos outros cursos. Em medicina, ele ficou. Mas o pai, que é médico, ou porque já tem um hospital montado, ou porque é o status, ou porque o pai o quer médico. [...] Um colégio bom, uma faculdade boa, como garantir a ascensão que eles têm. É assim mesmo: manter uma tradição, manter um negócio da família. Muitas vezes, muito embora alguns alunos já nem precisem de muito diploma de faculdade boa não, porque já são donos de empresa. Mas, com tudo isso, a família tem aquela coisa de ostentar: estudou no colégio Aristóteles. Para algumas famílias, isso ainda tem um peso: colégio tradicional, colégio bom. (Professor de Educação Religiosa da 3ª série).

Para mim, o que motiva a vinda dos alunos do interior é sempre a procura por uma escola que eles acham que é forte, em que eles têm um bom ensino. Acho que é sempre neste sentido. Às vezes, eles chegam a comentar que a escola era mais fraca, ou não era tão exigente. Eles acham que aqui a prova é mais elaborada, exige mais em termos de estudo. Eu acho que, na cabeça deles, é atrás de um ensino que eles consideram mais exigente do que eles conheciam na cidade em que estavam. [...] Eu acho que essa mudança de

cidade já tem a ver com algo inevitável, fatalmente ele iria mudar para fazer a universidade federal. Então, ele muda antes e se prepara melhor para isso. Então, eu acho que a intenção está bem ligada a esse fato de a universidade estar aqui em Belo Horizonte. Tem a ver com o ensino e com o ingresso na universidade, futuramente. E eu acho que aí tem muito a ver mesmo com a universidade federal. (Professora de Matemática da 1ª e 2ª séries)

Os alunos do interior vêm buscando mais oportunidades. Eles acham que o colégio Aristóteles é melhor. Que aqui em Belo Horizonte tem mais opções de universidade. Já estão se preparando para isso, futuramente, para o emprego. O que a gente percebe também é que, às vezes, quando um aluno tem interesse em continuar trabalhando na fazenda, com o pai, então ele não fica. Ele normalmente dá um jeito de não se adaptar, ou não se adapta mesmo. Porque ele tem um objetivo de voltar para fazenda. Mas a maioria deles quer fazer universidade, fazer faculdade aqui. Então, essa busca faz com que ele se conscientize da necessidade. Mas eu acho que, na maioria dos casos, é muito sofrido para eles assim. O emocional está muito fragilizado. A gente tem que tomar muito cuidado com isso. (Professora de Português da 1ª série).

Há uns três anos atrás, geralmente, as famílias traziam os filhos para o colégio Aristóteles na terceira série do ensino médio, e o objetivo era claro: garantir uma boa preparação para o vestibular, para que eles pudessem ingressar numa faculdade reconhecida, renomada de Belo Horizonte, a Universidade Federal. Nesses dois últimos anos, a gente começou a perceber que os pais já traziam os filhos para primeira, e para segunda série do ensino médio, em função das dificuldades que eles enfrentavam quando ingressavam na terceira série. Então, eles vinham para cursar o primeiro e o segundo ano, porque acreditavam que, se o filho fizesse todo o ensino médio no colégio, se prepararia ainda melhor para o vestibular. [...] A questão é garantir uma boa preparação para o vestibular. Eles querem e querem preferencialmente a Universidade Federal. Então, é um investimento que a família faz para garantir a aprovação do vestibular. (Orientadora Educacional da 3ª série).

Uma vez perguntei para um aluno porque veio estudar aqui. Ele me falou o seguinte: o pai dele subiu na vida com muito sacrifício: tinha um pequeno comércio e virou comerciante médio. Então, sua família ainda acredita que a maneira de o menino progredir na vida é com diploma e estudando numa boa faculdade. E a porta para uma boa faculdade é um colégio que seja respeitável. (Professor de Química da 2ª e 3ª série).

Eu acredito que tanto o adolescente como seus pais acreditam que o conhecimento gerado aqui [na Capital] é melhor do que o conhecimento gerado no interior. [...] Eles vêm em busca de espaço acadêmico com legitimidade... Com o objetivo de passar na UFMG e de morar na Capital. Eu acredito que as famílias também se sintam muito orgulhosas: eu mandei meu filho para a Capital, para estudar... Vestibular na UFMG. (Professor de Biologia da 2ª série).

“Ensino forte”, “preparação para o vestibular”, “aprovação no vestibular”, “ensino exigente”, “UFMG”, “oportunidades”, “perspectivas de futuro”, “sucesso

profissional”, essas são as expressões que imperam nas declarações dos professores. A seus olhos, a migração do jovem para a Capital está fundamentalmente ligada à procura por um ensino de qualidade que possa prepará-lo para a aprovação no vestibular, preferencialmente na UFMG.