As escalas de medição utilizadas neste estudo, construídas a partir da coleta da percepção dos executivos das empresas sobre os indicadores definidos pela teoria estão sendo, pela primeira vez, testadas estatisticamente em um trabalho acadêmico no Brasil. As medidas de ambiente organizacional e grupos estratégicos já foram empregadas em estudos quantitativos realizados no exterior e a escala para competências apenas foi empregada até o momento em estudos qualitativos.
Considerando a natureza exploratória deste estudo, tentou-se alcançar parcimônia na descrição dos construtos estudados, reconhecendo que esta abordagem pode implicar em uma redução da sua acurácia. Conforme Weick (1979) e Blalock (1982) que argumentaram que a generabilidade, acurácia e simplicidade não podem ser alcançadas simultaneamente.
Variável Fator Alfa de
Cronbach
Competências Agrupadas
Efeito em Custos e Vendas Inovação 0,90 7 / 8 / 9
Inovação 0,87 7 / 8 / 9 Operações 0,70 1 / 3 / 4 / 11 P&D 0,82 7 / 8 / 12 Prod/Distrib 0,61 1 / 4 Relacionamento c/ médicos 0,61 3 / 11 P&D 0,84 7 / 8 / 12 Prod/Distrib 0,73 1 / 2 / 4 / 5 Inovação 0,95 7 / 8 / 9 Marketing 0,71 3 / 5 / 6 Prod/Distrib 0,82 1 / 2 / 4 / 5 Inovação 0,84 7 / 8 / 9 Marketing 0,83 2 / 3 / 4 / 5 Inovação 0,73 9 / 10 / 12 Inovação 0,84 7 / 8 / 9 / 10 Marketing 0,75 2 / 3 / 4 / 5 Inovação 0,95 7 / 8 / 9 / 10 Prod/Promoção 0,70 1 / 2 Inovação 0,95 7 / 8 / 9 / 10 Prod/Promoção 0,76 1 / 2 / 3
Afastar ameaças competitivas
Captalizar oportunidades competitivas
Nível comparado aos concorrentes
Tranferência da competência para outras áreas Tranferência da competência
para outros negócios Concorrentes podem Identificar
as competências Tempo necessário para um
concorrente imitar as competências
Tempo de Depreciação das Competências
Substituição das competências por outros recursos
Assim, adotando uma abordagem exploratória, procedeu-se o teste das escalas buscando alcançar níveis satisfatórios de confiabilidade e validade para cada construto, seguindo os critérios para avaliação da confiabilidade e validade apresentados na seção 3.4.2, nos passos 4 e 5. As cargas fatoriais dos indicadores de cada construto foram estimadas diretamente pelo software SmartPLS.
Com o objetivo de alcançar níveis de confiabilidade e validade satisfatórios, indicadores com cargas fatoriais abaixo de 0,45 foram consideradas baixas e excluídas da análise, em um critério mais rigoroso do que o proposto por Kim e Mueller (1998) que indicam a eliminação de variáveis inferiores a 0,30. Ainda visando garantir a validade convergente das escalas de mensuração dos construtos, foram descartadas as variáveis cuja carga fatorial não apresentou significância estatística ao menos no nível de 5%.
A partir dos resultados obtidos nas etapas exploratórias iniciais de validação das medidas dos construtos foi proposto o modelo apresentado na Figura 6, o qual foi estimado pelo método Partial Least Squares.
Na Tabela 4 estão demonstrados os indicadores de confiabilidade dos construtos do modelo, bem como as cargas fatoriais dos indicadores de cada variável. Os indicadores destacados em amarelo referem-se às variáveis do modelo estrutural. Para as variáveis de segunda ordem, a validade e a confiabilidade foram calculadas com os coeficientes que as conectam aos seus fatores de primeira ordem.
É importante comentar que os sinais negativos das cargas fatoriais dos indicadores das variáveis de primeira ordem refletem a inserção de variáveis inversas, de forma a obtermos o maior número possível de coeficientes do modelo de mensuração das VL de segunda ordem e do modelo estrutural positivos para facilitar a interpretação dos resultados. A legenda da Tabela 4 identifica o significado das variáveis, como foram inseridas no modelo.
Dos 56 indicadores originais, restaram 15 após os procedimentos de retirada dos indicadores com cargas inferiores a 0,45 e daqueles que não alcançaram significância estatística.
Os indicadores que medem as variáveis instabilidade e munificência do construto ambiente organizacional e o coeficiente que relaciona versatilidade com competências organizacionais não apresentaram a significância estatística mínima a 5% e também foram retirados das escalas.
Todas as variáveis que permaneceram no modelo apresentaram AVE acima de 0,50 e confiabilidade composta acima de 0,70, portanto apresentando um nível adequado de
confiabilidade. E, como todas as cargas fatoriais são altamente significantes, Sig < 0,001 (sendo DIFICENTED com Sig < 0,01) assume-se que há validade convergente.
Tabela 4 – Indicadores de confiabilidade dos construtos
Legenda: DIFIENTED – o ambiente da minha empresa é difícil de entender, DIFERPROD – a minha empresa produz grande quantidade de produtos, SIPOSIT – a maioria das situações de mercado são positivas para minha empresa, OPORTFAV – as situações de mercado representam oportunidades favoráveis para minha empresa, SITGANHO – a expectativa é de que as situações de mercado tragam ganho para minha empresa, ACEEREC - minha empresa tem acesso a recursos para resolver a maior parte das situações, SITCONTROL – a maior parte das situações de mercado podem se controladas pela empresa, SITADM – a empresa administra a maioria das situações ao invés de ser administrada por elas, EFCUSVEN (-) – pouco efeito em custos e vendas, HABAMEA – (-) pouca habilidade de afastar ameaças, HABOPORT (-) – pouca habilidade de capitalizar oportunidades, NICONCORR (-) – nível de desempenho das competências menor em relação ao concorrente, TEMPIMIT (-) – pouco tempo para um concorrente imitar as competências, GASP&D (-) – proporção pequena do faturamento em gastos com P&D, NOVOSPROD (-) – proporção pequena do faturamento com lançamento de novos produtos
A análise da Tabela 5 corrobora que há validade convergente para as VL de primeira ordem do modelo, na medida em que indica cargas altas dos indicadores em suas VL. Há também validade discriminante, conforme Chin (1998), dado que os indicadores apresentam cargas altas (> 0,70) em suas VL e cargas baixas nas demais. As exceções a esta regra são a VL complexidade, que apresenta um indicador com carga abaixo de 0,70, mas ainda assim
Variáveis Indicadores Cargas
Fatoriais AVE Confiabilidade Composta Complexidade 0,75 Hostilidade 0,89 Controlabilidade 0,83 DIFICENTEND -0,58 DIFERPROD -0,90 SITPOSIT -0,71 OPORTFAV -0,95 SITGANHO -0,91 ACESSREC -0,74 SITCONTROL -0,87 SITADM -0,82 Vantagem Competitiva 0,97 Sustentabilidade 0,88 EFCUSVEN (-) -0,92 HABAMEA (-) -0,96 HABOPORT (-) -0,90 NICONCORR (-) -0,85 TEMPIMIT (-) -0,86
Grupos Estratégicos GASP&D (-) -0,86
NOVOSPROD (-) -0,77 Ambiente Organizaconal 0,68 0,86 0,66 Controlabilidade 0,57 0,72 0,67 0,80 Complexidade Vantagem Competitiva 0,86 0,95 0,86 Competências Organizacionais 0,90 0,85 Sustentabilidade 0,73 0,84 Hostilidade 0,74 0,89
superiores aos demais e as variáveis que compõem o construto competências, vantagem competitiva e sustentabilidade, que apresentam cargas cruzadas próximo ao limite de 0,70.
Tabela 5 – Cargas cruzadas para avaliação da validade convergente e discriminante
Investigando a validade discriminante também pelo critério de Fornell e Larcker (1998), verificamos que há validade discriminante para todas as variáveis do modelo, incluindo as exceções comentadas acima. Isto porque a raiz quadrada da AVE de cada VL, dispostas em negrito na diagonal da matriz de correlação é maior que as correlações entre as demais variáveis latentes, conforme demonstrado na Tabela 6.
Tabela 6 – Correlação de Pearson entre as variáveis latentes