Kapittel 5: Etter Prosjekt Japan 1990-2000
5.7 Bestandigheten av den norske laksens kvalitetsproblemer
Não habitamos mais o mesmo tempo (SERRES, 2013, p. 17).
Sem que nos déssemos conta, segundo Serres (Ibid., p. , um novo ser humano nasceu, no curto espaço de tempo que nos separa dos anos . Esses novos sujeitos, na visão do filósofo, não tem mais o mesmo corpo, a mesma expectativa de vida, não se comunicam mais da mesma maneira, não percebem mais o mesmo mundo, não vivem mais na mesma natureza loc. cit.). Assim, é primordial refletir sobre suas novas formas de habitar em meio ao ciberespaço.
O habitar, conforme Di Felice , p. , consiste em um conceito estratégico para pensar as transformações que interessam não apenas a nossa época e as nossas sociedades, mas, também, a nossa condição perceptiva e a nossa forma de sentir . Segundo o autor, as redes digitais permitem a realização de um habitar sem territórios )bid., p. e contribuem para um diálogo no qual sujeitos, mídias e territórios estão imersos de forma incindível na natureza que os constitui e os envolve ao mesmo tempo )bid., p. . Sob essa perspectiva, o habitar é (re) pensado numa perspectiva relacional e complexa, não apenas como uma projeção do eu no mundo Ibid., p. 49).
Na visão de Martino , p. , ao mesmo tempo em que os povos transitam, representações e significados igualmente circulam em escala global, disseminando ideias, valores e práticas globais que serão apreendidos e articulados localmente .
Santaella (2007, p. 14) ressalta que na sociedade moderna80 tudo está em
permanente estado de desmontagem, sem nenhuma perspectiva de permanência . Desse modo, todas as coisas, na visão da autora, tendem a permanecer em fluxo, voláteis, desreguladas, flexíveis )bid., p. , ou seja, perderam a estabilidade que a força de gravidade dos suportes fixos lhes emprestavam. Viraram aparições, presenças fugidias que emergem e desaparecem ao toque delicado da pontinha do dedo em minúsculas teclas (Ibid., p. 24).
Esse contexto cambiante influencia as pessoas, que vivem outras formas de vinculação e significação, assim como as organizações, exigindo novas posturas, pois:
Um movimento geral de virtualização81 afeta hoje não apenas a
informação e a comunicação, mas também os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou do exercício da inteligência. A virtualização atinge mesmo as modalidades do estar junto, a constituição do nós (LÉVY, 1999, p. 11).
Desse modo, é possível refletir sobre os novos espaços de convivência propiciados pelas modernas tecnologias de comunicação e informação. Para Lemos , p. , elas se tornaram vetores de novas formas de agregação social , uma vez que:
Não só estão presentes em todas as atividades práticas contemporâneas (da medicina à economia), como também tornam-se vetores de experiências estéticas, tanto no sentido de arte, do belo, como no sentido de comunhão, de emoções compartilhadas. Embora esse fenômeno não seja novo, ele parece radicalizar-se nesse fim de século. Trata-se de uma sociedade que aproxima a técnica (o saber fazer) do prazer estético e comunitário (Ibid., p. 17).
80 Santaella (Ibid., p. 243) conceitua sociedades modernas aquelas nas quais as transformações
econômicas, tecnológicas e culturais deslocaram (e desmancharam no ar) a tradição, e a complexidade criou uma vida social mais racionalizada, individualizada, fragmentada, transitória e desprendida de laços de emoção e de obrigação .
81 De acordo com Lévy (1996), o termo virtual vem do latim medieval virtualis, derivado de virtus,
força, potência, ou seja, é virtual o que existe em potência e não em ato, e se opõe ao atual, não ao real.
Santaella (2007) também discorre sobre o ciberespaço como um ambiente que permite múltiplas vivências82. Na visão da autora, nele qualquer informação
e dados podem se tornar arquitetônicos e habitáveis, de modo que o ciberespaço e a arquitetura do ciberespaço são uma só e mesma coisa )bid., p. . Constitui, dessa forma, um espaço de memória: convidando-nos ao deslocamento, o ciberespaço também é o espaço do mito e da memória coletiva )bid., p. .
Não obstante, os relacionamentos serem mais porosos hoje em dia, para Santaella (Ibid., p. 244-245) é justamente o avanço das tecnologias móveis que propicia a construção de vínculos83, pois, os equipamentos sem fio permitem a
liberação dos lugares físicos e seu uso desloca os laços comunitários das pessoas situadas onde quer que estejam, de modo que os membros de uma comunidade permanecem essencialmente conectados a despeito de todos os fatores de separação . Segundo a autora, pesquisas tem comprovado que a internet fortalece as relações nas comunidades tradicionais, funcionando, ao lado dos canais precedentes de informação, muito mais como adição que subtração )bid., p. 245).
Recuero (2009) partilha dessa concepção, procurando destacar que:
A interação mediada por computador é também geradora e mantenedora de relações complexas e de tipos de valores que constroem e mantém as redes sociais na internet. Mas, mais do que isso, a interação mediada por computador é geradora de relações sociais que, por sua vez, vão gerar laços sociais (Ibid., p. 36).
Lemos (2011) discorre sobre a cultura da mobilidade84, salientando que
esta representa uma condição essencial da evolução da cultura humana como um todo, apenas exacerbada na era contemporânea, que ampliou a compressão
82Para Santaella )bid., p. , é um espaço que transmuta trocas e vivências .
83De acordo com Santaella )bid., p. , se o espaço privado está sendo erodido na proporção
do crescimento da conectividade em qualquer lugar e em qualquer tempo, o inverso também é verdadeiro .
84 Duas noções complementares são relevantes para compreender as dimensões da mobilidade,
conforme Lemos : extensibilidade e acessibilidade. A primeira consiste na capacidade de uma pessoa ou grupo superar as dificuldades de movimento )bid., p. . Já a segunda significa
espaço-temporal a partir dos deslocamentos de pessoas ao redor do mundo, sendo termos correlatos e ampliados. No tocante à mobilidade globalizada ou virtualizada, propõe o autor que:
A possibilidade de movimentação pelas informações – seja através dos mass media (tevê, rádio, impressos) ou das novas mídias de função pós-massiva (redes, computador, celular) – vem criando, como espacialização diferenciada (construção social no espaço), novas territorializações e, consequentemente, novos sentidos de lugar (LEMOS, 2011, p. 19).
Nesse contexto, os nômades virtuais , nomenclatura utilizada por Lemos (Ibid.), buscam os territórios informacionais, lugares de conexão criados pela interseção entre o espaço físico e o ciberespaço. Esses lugares criam formas de conhecimento e de experiência local, já que nossa percepção do mundo e de nos mesmos se dá pela relação com o outro e com a imagem que esse outro cria de nós )bid., p. - , podendo servir como base para narrações, contatos e compartilhamento – em tempo real e ao vivo – de informações produzidas por qualquer um )bid., p. . Desse modo, os artefatos comunicacionais acentuam a mobilidade e aguçam a compreensão do nosso lugar no mundo e de nós mesmos (Ibid., p. 24).
As práticas de trocas de informação no ciberespaço reforçam a intenção do indivíduo em manter laços socialmente contextualizados na medida em que reforça o sentido de lugar, ampliando o compartilhamento da experiência local. Segundo Lemos (Ibid. p. 26):
Há, social ou individualmente, necessidade de ancorar essa experiência em um contexto local. É justamente esse pertencimento que funda um lugar (espaço da memória e da experiência). A simples pergunta, típica de usuários de celulares, Onde está você? , revela a importância do contexto na comunicação móvel. Há deslocalização, sem que desapareçam as noções de distancia ou de lugar. Há multilocalização, confundindo esfera publica e privada.
Lemos (loc. cit.) destaca a importância do lugar no contexto atual, onde o reconhecimento da refletividade exige um pensamento mais complexo, que
apreenda – nos diversos sistemas e situações sociais – a nova configuração dos lugares, das relações e da comunicação . O autor conceitua lugar como a resultante de fluxos territorialidades, incluindo, agora, a nova territorialidade informacional LEMOS, 2011, p. . Para ele, não podemos dissociar comunicação, mobilidade, espaço e lugar. A comunicação é uma forma de mover informação de um lugar para outro, produzindo sentindo, subjetividade, espacialização Ibid., p. . Nessa direção, a comunicação implica movimento de informação e movimento social: fluxo de mensagens, carregadas por diversos suportes; saída de si, no dialogo com o outro )bid., p. .
Tendo em vista a centralidade da concepção de lugar nesse estudo, bem como de sua relação com outros conceitos apreendidos aqui, apresentamos a seguir algumas reflexões teóricas sobre o conceito.