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Innfanging, merking og slipp av villsmolt og settesmolt i Eidfjordvassdraget

Uma grande quantidade de documentos foi coletada no Centro POP. Documentos são registros dos procedimentos de trabalho dos profissionais e registros dos indivíduos que já passaram pela instituição, são inclusive histórias – mutiladas72 (GIROLA, 1996) – de vida dos indivíduos. Através da produção de documentos, são fixados saberes sobre uma dada população (FOUCAULT, 2008).

Os documentos do Centro POP estavam organizados em um total de 11 caixas-arquivos na instituição. Foram copiados 160 textos com conteúdos os mais variados. Eles se referem

residência e profissão, contudo, também é chamado de “andarilho”. Com isso, podemos supor que o uso do termo está associado a alguma ruptura com normas ou com a lei, e não ao fato de não haver residência, profissão ou ser itinerante. Não foi encontrada nenhuma referência a mulheres como “andarilhas”, mas sim “moradoras de rua”.

72 Claudia Girola defendeu sua tese em 2007, intitulada De l'homme liminaire à personne sociale: la lutte

cotidienne des sans-abri. Seu trabalho visa demonstrar a construção de identidades pessoais apesar das

condições de vida extrema. Produzir um relato de vida é uma condição para ter acesso às políticas sociais. As instituições, por sua vez, fazem uso desses relatos fornecidos pelos sem-abrigo e selecionam elementos para registrar estes textos, produzindo histórias mutiladas.

desde às atividades da assistente social que atendia as pessoas que viviam nas ruas em 2006 – bem antes da criação do Centro POP – até atas de reuniões do ano de 2012.

Dentre os documentos aos quais me foi permitido o acesso não estavam aqueles dos anos de 2013 e 2014, ou seja, do governo municipal mais recente. Documentos que, por ventura, estivessem arquivados em computadores da instituição também não foram disponibilizados. Apenas uma planilha do Excel me foi fornecida. Nela, estavam preenchidos os dados de todos os atendidos entre os anos de 2006 e 2012. Com esta planilha foi possível contabilizar quantas pessoas foram atendidas ao longo dos anos, bem como obter algumas caracterizações dessa população, como idade, sexo, cidade de origem etc.

Esta planilha não existia em 2010 (época em que trabalhei no Centro). Percebo, assim, que a forma de produzir documentos mudou ao longo dos anos. Também percebi que documentos que existiam em 2010 não estão mais na instituição. Sendo assim, a pesquisa documental teve suas limitações.

Mas o que é mais interessante notar é que cada equipe de profissionais que passou pela instituição teve uma forma de tratar os documentos, registrar o que consideraram importante ou útil, assim como conservar, apagar informações ou documentos – fato este que faz lembrar de como o “Estado vê” (SCOTT, 1998) a população.

São característicos da modernidade os processos de racionalização, visando uma administração eficiente dos espaços, coisas e populações, aponta Scott (1998). Essa racionalização está em produzir representações que permitam uma legibilidade do real. Essa é a função, por exemplo, dos mapas, da padronização dos pesos e medidas e dos sobrenomes. Essa racionalidade é traduzida em documentos. Neles, são registrados dados daquilo que interessa ao observador – o Estado. Por meio dos registros há uma seleção, isto é, uma simplificação dos aspectos do real.

Dentre os documentos encontrados no Centro POP, há aqueles que são instrumentos de trabalho dos profissionais e resultam da relação com os atendidos – por exemplo, as fichas cadastrais, registros de oficinas, lista de presença, dentre outros. Mas há também registros administrativos, como atas, projetos e relatórios, os quais são resultados da relação dos profissionais com a própria instituição.

Existiam, nos arquivos do Centro POP, vários outros textos que não diziam respeito aos trabalhos da instituição, mas que informavam os profissionais sobre assuntos de interesse da instituição – por exemplo, notícias de jornal, textos acadêmicos, textos de outras instituições que atendem pessoas que vivem nas ruas etc. Tais textos foram bastante abundantes nos

primeiros anos do Centro POP, o que mostra que a primeira equipe de profissionais que lá trabalhou buscava informações variadas acerca de temas e instituições relacionadas à população de rua. Posteriormente, os documentos se multiplicaram, mas se tornaram mais centrados nos registros das atividades internas do Centro POP.

Percebe-se que, durante cerca de dois anos, foram abundantes atividades como oficinas e grupos de discussão no interior da instituição. Também o são os documentos do período. Os registros de documentos a partir de 2012 são bem mais escassos, e percebe-se que os registros das atividades profissionais se voltaram aos atendimentos individuais. Os principais são os registros de prontuários de atendimentos, aos quais não tive acesso por uma questão de ética do atendimento assistencial. Só tem acesso aos prontuários os profissionais da equipe técnica. Dos documentos coletados no Centro POP, selecionei alguns para serem lidos. Dentre eles, principalmente, as atas de reuniões da equipe de profissionais e as atas de assembleia – reuniões estas feitas entre os profissionais e os atendidos. Também recorri aos meus cadernos de anotações do período de 2010, quando lá trabalhei, e aos registros de oficinas realizadas entre 2008 e 2010.

a) Atas de reuniões de equipe: foram encontrados três cadernos de atas de reuniões profissionais. O primeiro se refere às atas do período de 10 de julho de 2008 a 18 de março de 2009; o segundo, ao período de 19 de março de 2012 a 24 de outubro de 2012; e o terceiro caderno se refere a uma ata contendo registro de apenas algumas poucas reuniões ocorridas em 2010. No período entre 2009 e 2011, sei que foram feitas as atas, mas estas não foram encontradas no arquivo morto da instituição. A primeira ata foi organizada de modo a ser um diário de todas as atividades ocorridas no Centro POP – desde reuniões da equipe profissional, reuniões dos profissionais em outras instituições, oficinas com os atendidos, reuniões de assembleia com estes, atendimentos individuais, visitas... Enfim, todas as atividades realizadas envolvendo a equipe do Centro POP eram registradas diariamente. A equipe era composta de uma assistente social/coordenadora, uma assistente social contratada temporariamente como consultora (quem era responsável também pelas abordagens na rua), posteriormente também há a entrada de uma psicóloga e de uma terapeuta ocupacional (ambas em caráter temporário) e um coordenador do Albergue noturno, quem também auxiliava nas atividades do Centro POP. As demais atas

não são diários e se referem ao momento em que já se tem constituída uma equipe profissional, fixa e concursada no Centro POP. Há, nelas, registros de reuniões unicamente entre os membros da equipe – geralmente reuniões semanais. A equipe se fixou em um assistente social, um terapeuta ocupacional, um psicólogo, duas educadoras (até inicio de 2012) e o coordenador.

b) Ata de reunião com atendidos: entre 21 de setembro de 2009 e 25 de março de 2012, há o registro das assembleias que eram feitas semanalmente entre a equipe técnica do Centro POP e os atendidos frequentadores. Depois dessa data, não há registro de assembleias e sabe-se, por meio de funcionários da época, que elas diminuíram e deixaram de acontecer, tendo sido retomadas somente em 2014. Porém, não tive acesso a estes registros. Aliás, presenciei uma dessas assembleias, e nela não houve registro em ata.

Ao fim da coleta de documentos e entrevistas, redigi um relatório – pois foi esse meu compromisso com o Centro POP e com a Secretaria Municipal de Assistência Social a fim de obter a autorização para a pesquisa. Escrevi um texto a partir das leituras de vários documentos e informações das entrevistas com profissionais. Nele, ressaltei a criação do Centro POP, as descrições do trabalho dos funcionários e atividades já desenvolvidas ao longo dos anos – por exemplo, oficinas e abordagens de rua. O material foi entregue tanto por e-mail aos profissionais, como em cópias impressas – uma para o Centro POP e outra encaminhada para a Secretaria. O relatório foi entregue para as instituições entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, quando encerrei a pesquisa de campo.