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4.4.1Associação de Apicultores de Tabuleiro do Norte
A associação de apicultores de Tabuleiro do Norte tem sua sede provisória (alugada) no centro da cidade. Fundada em 2003 atende associados que distam um raio de até 70 km, tendo como responsável pela assistência técnica o engenheiro agrônomo
Jean C. Maia que domina de forma plena as principais técnicas apícolas ligadas ao manejo. O representante da associação entrevistado foi o Sr. Gilvanny J. B. Souza que hoje está na função de tesoureiro. Entre 2006 a 2010 o Sr. Gilvanny foi o presidente da associação.
Segundo o Sr. Gilvanny a associação encontra-se hoje com 61 associados e durante a sua implantação não recorreu a nenhum tipo de financiamento trabalhando apenas com os recursos oriundos de seus associados. Desde a sua fundação os dirigentes procuraram sempre trabalhar com o maior número de informações possíveis sobre o mercado e as principais e melhores técnicas aplicadas no manejo dos apiários atualmente no intuito de elevar a produtividade das colmeias. A associação mostrou-se organizada dando suporte técnico e informações sobre as tendências de preços do mel no mercado internacional implementando a consciência da importância de se escolher o momento mais oportuna para se comercializar.
Na associação de apicultores de Tabuleiro do Norte existem políticas relacionadas ao controle da qualidade do mel. Essa preocupação é demonstrada pela existência de um banco de amostras de mel identificadas por produtor e época de colheita. Cada amostra é analisada em laboratórios específicos que atestam a qualidade ligada à sanidade, demonstrando que o mel produzido pelo apicultor associado encontra-se livre de qualquer contaminante. A associação de apicultores de Tabuleiro do Norte tem como ação enviar para laboratórios específicos amostras dos diferentes meles produzidos pelos seus associados no intuito de obter os certificados necessários que atestem a sanidade do mel.
Existem parcerias entre a associação e proprietários de Casas de Mel que atendem a todas as normas e padrões exigidos pelo MAPA sendo um total de três que atendem aos associados. Deve-se destacar que os proprietários destas Casas de Mel também são integrantes da associação. O mel extraído nestas Casas de Mel é armazenado em decantadores de aço inox e há existência de funcionários que são responsáveis em só realizar o procedimento de extração do mel, sendo realizado nestes exames médicos anuais.
A associação no ano de 2009 (ano produtivo normal) pagou aos seus associados R$ 3,84 pelo kg de mel e comercializou cerca de 120.000 kg com a empresa APISCHEL do Crato-CE, sendo exigida pela empresa a certificação de que o produto foi extraído em Casa de Mel certificada pelo MAPA. Deve-se frisar segundo relatado pelo Sr. Gilvanny, que a associação não tem recurso próprio para o pagamento direto
pelo mel adquirido de seus associados, ou seja, a associação aguarda o pagamento que será realizado pela empresa com a qual comercializou para, a partir daí poder realizar o pagamento pelo mel adquirido de seus associados.
Além da certificação referente à Casa de Mel que atende as normas do MAPA, a Associação de Apicultores de Tabuleiro do Norte tem certificações especificas para vender o mel como orgânico no mercado internacional dada pelo Instituto Biodinâmico (IBD), órgão vinculado ao MAPA responsável por exercer o controle de produtos orgânicos brasileiros.
Seguindo a investigação sobre a influência da associação no mercado apícola, foi perguntado ao Sr. Gilvanny como estava sendo realizada a comercialização dos demais produtos apícolas (pólen, própolis e geleia real). O Sr. Gilvanny nos relatou que ainda não existe na região uma cadeia produtiva qualificada para a produção dos demais produtos apícolas além do mel sendo necessário realizar um trabalho nesse sentido a longo prazo. O Sr. Gilvanny reconhece a importância de inserir no mercado regional a produção de pólen, própolis e geleia real, pois nem sempre o mel tem níveis de preços satisfatórios ao longo do ano.
Finalizando a avaliação da Associação de Apicultores de Tabuleiro do Norte, foram investigados alguns aspectos relacionados à sua política interna. Existem eleições diretas com os associados a cada dois anos para a escolha do presidente com direito do presidente se candidatar a reeleição. Os demais dirigentes da associação são também escolhidos por voto direto, porém, estes não podem se candidatar a reeleição.
A margem de lucro da associação após a venda do mel é de 20% sendo destinada para a manutenção da estrutura física e de equipamentos existentes na associação (computador, máquina fotográfica, GPS, refratômetro, dentre outros). O Sr. Gilvanny espera que num futuro próximo a associação passe a se tornar cooperativa dando maior poder de barganha aos apicultores do município de Tabuleiro do Norte.
Para tanto, estudos estão sendo realizados e a Associação de Apicultores de Tabuleiro do Norte tem trabalhado com empenho e dedicação para atingir o seu propósito de se tornar uma cooperativa de influência regional, agregando associados tanto do município em que já atua como dos demais municípios produtores de mel da região do baixo Jaguaribe.
4.4.2Associação de Apicultores de Limoeiro do Norte
A associação de Apicultores de Limoeiro do Norte foi fundada no ano de 2001 e se reúne mensalmente na associação dos produtores rurais do distrito de Canafístula do Bixopá (não tem sede própria), que dista há 20 km da sede do município de Limoeiro do Norte tendo um raio de atuação de até 30 km.
O responsável pela associação e entrevistado nessa pesquisa foi o Sr. José Evanildo Mendes Maia presidente da associação. Segundo o Sr. Evanildo existem hoje 35 associados que comercializam a sua produção de mel e compram insumos juntos no intuito de obter maiores lucros e baratear seus custos.
Com relação ao local de extração do mel dos seus associados, o Sr. Evanildo nos informou que a associação não possui uma Casa de Mel própria. O mel extraído na Casa de Mel da comunidade do Croatá não atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para tal finalidade.
A associação não tem recursos financeiros próprios para poder realizar o pagamento imediato do mel fornecido pelos seus associados, aguardando o pagamento que será posteriormente encaminhado pela empresa ou entidade envolvida na negociação para que possa a partir daí realizar o pagamento dos seus fornecedores de mel, que no caso são os apicultores associados.
Segundo o Sr. Evanildo o fato da associação não possuir recursos próprios que venham a garantir o pagamento imediato do mel adquirido se torna um grave problema, pois muitos apicultores preferem vender o seu mel de forma individual a comerciantes que pagam de forma imediata a preços não muito condizentes com o mercado, havendo um enfraquecimento da associação.
Devemos ressaltar que tanto o Sr. Evanildo presidente da Associação de Apicultores de Limoeiro do Norte, como o Sr. Gilvanny representante da Associação de Apicultores de Tabuleiro do Norte concordam com a necessidade de se estabelecer uma cooperativa na região com recursos financeiros próprios para que se possa fortalecer a cadeia produtiva apícola como um todo, tirando das empresas e dos comerciantes, parte do poder de barganhar por melhores preços durante a fase de comercialização do mel.
A associação no ano de 2009 (ano produtivo normal) pagou aos seus associados R$ 3,00 pelo kg de mel e comercializou cerca de 50.000 kg de mel com os seguintes agentes: prefeitura de Limoeiro do Norte, Apiário Altamira de Limoeiro do Norte, comerciante do município de Russas e CONAB. As exigências em relação a
averiguação da sanidade do mel ocorrem sob as mais variadas formas. A empresa Apiário Altamira, por exemplo, leva amostras do mel da associação para serem avaliadas em laboratórios específicos para tal finalidade. Já a prefeitura de Limoeiro do Norte tem como exigência um laudo dado pela vigilância sanitária do próprio município.
Sob o mesmo tema da qualidade do mel relacionado com a sanidade, o Sr. Evanildo informou que todos os equipamentos utilizados no processo de extração (decantadores, mesas, baldes, centrifugas dentre outros) são de aço inox e que existe uma equipe de funcionários (que utilizam luvas, toucas botas e batas) responsáveis por somente bater o mel dentro das instalações da Casa de Mel.
Quando perguntado sobre a comercialização de outros produtos apícolas comercializados via associação, o Sr. Evanildo assim como o Sr. Gilvanny foram bem taxativos em afirmar que ainda não existe na região uma cadeia produtiva qualificada para a produção dos demais produtos apícolas sendo necessário realizar um trabalho de longo prazo de conscientização sobre a importância em se produzir pólen, própolis e geleia real para que haja elevação nos níveis de renda dos apicultores.
Finalizando, a avaliação da Associação de Apicultores de Limoeiro do Norte, foram investigados alguns aspectos relacionados à sua política interna. Existem eleições diretas com os associados a cada dois anos para a escolha do presidente com direito do presidente se candidatar a reeleição. Os demais dirigentes a cada eleição são trocados em 50%, ou seja, ficam no cargo 50% e os demais cargos são colocados em votação. A associação não cobra dos seus associados nenhum valor ou parcela correspondente a comercialização do mel, sendo apenas cobrada uma parcela de R$ 5,00 mensais para manutenção da mesma.
O Sr. Evanildo hoje trabalha para que num futuro próximo a Associação de Apicultores de Limoeiro do Norte venha a ter sua sede própria, sendo fator determinante para ampliação no número de associados e expansão da sua área de abrangência.