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ENFOQUE

REGULAÇÃO EMANCIPAÇÃO

MERCADO SOCIEDADE

Controle Concepção político-filosófica Progressista/Emancipação

Econômica

Função

Relevância social

Ênfase no produto Ênfase em processos globais

Utilidade

Visão

Qualidade social e do sentido público

Racionalidade instrumental Desenvolvimento sustentável da sociedade

Sucesso individual Solidariedade e compromisso

Regulação e fiscalização pelo mercado

(clientes) e administração central Principais destinatários

Sociedade/Informação pública para formar melhor, consolidar a instituição,

melhorar a função social Lucro

Resultado Equidade

Eficiência, produtividade e aumento

da competitividade Pertinência Controle Avaliação Emancipatória Classificatória Melhorar/construir a educação cooperativamente

Consolidar a instituição, melhorar a função social

Subjetivista Ética Objetivista

Menos democrática Democracia Mais democrática

Fonte: Elaborado pelo autor.

Analisando-se o Quadro 14, percebe-se que em um enfoque há a predominância do controle, da regulação, associada à hierarquização, à determinação de limites e a uma lógica de mercado, com uma perspectiva instrumental e pragmática; no outro enfoque, há a prevalência da emancipação, com uma lógica progressista, envolvendo uma perspectiva reflexiva e transformadora.

O enfoque de regulação apresenta uma função econômica e de resultados, enquanto a abordagem emancipatória privilegia os interesses da sociedade.

Na visão de controle, os destinatários principais seriam os gestores e acionistas; já a visão emancipatória envolveria a consolidação da própria instituição e uma resposta à sociedade.

Enquanto a perspectiva de controle valoriza a competitividade, a produtividade, o sucesso individual e o lucro, a perspectiva emancipatória valoriza o compromisso, a solidariedade, a equidade, a autonomia de sujeitos e instituições e o desenvolvimento sustentável da sociedade.

sistemas de educação corporativa: Qual o sentido ou qual o valor social do que é produzido e que seleciona para transmissão? Que tipo de sociedade está sendo projetado? Quais os seus principais compromissos?

6.2 Avaliação educacional: considerações terminológicas e conceituais

Quando realizada na perspectiva dialógica e emancipadora, a avaliação de sistemas de educação corporativa pode contemplar a maioria dos problemas que envolvem tais sistemas.

Por dialógico, entende-se a inserção de uma ação pedagógica no contexto sociocultural do educando, sob uma ótica democrática. A avaliação dialógica implica estabelecer o diálogo com as circunstâncias socioculturais nas quais se dá a prática educativa, assim como, ao mesmo tempo, implica olhar para o sujeito da avaliação e suas condições pessoais (FREIRE, 1970).

A avaliação compõe o processo de formulação estratégica e o projeto organizacional, fornecendo subsídios a esse processo, de modo a contribuir para melhorar o processo decisório, bem como para correção de problemas nas organizações, sejam elas educacionais ou de outra categoria.

Para sua aplicação, faz-se necessário conhecer previamente o objeto a ser avaliado. O direcionamento a ser seguido na avaliação apresenta relação com a abordagem epistemológica, a qual define as estratégias, os métodos e as técnicas avaliativas (MÉNDEZ, 2002).

Uma avaliação recorrente propicia uma avaliação histórica em relação a um espírito que deveria ser. É um olhar para trás, buscando retificações (melhorias) para momentos posteriores (BACHELARD, 1996, 2000).

O ato de avaliar, por sua constituição, não se destina a um julgamento definitivo sobre alguma coisa, pessoa ou situação, visto que não é um ato seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico e, por isso mesmo, à inclusão; destina-se à reorientação do processo avaliativo, à melhoria do ciclo de vida. Desse modo, por si, é um ato amoroso, que acolhe a situação, na sua verdade (como ela é), acolhe atos, ações, alegrias e dores como eles são; acolhe para possibilitar que cada coisa seja o que é. E, por acolher a situação como ela é, o ato amoroso tem a característica de não julgar. Julgamentos aparecerão, mas, evidentemente, para dar curso à vida (à ação) e não para excluí-la (LUCKESI, 2005, p. 180).

Segundo Bonniol e Vial (2001, p. 356-357), avaliar

[...] não é buscar uma via mediana que unifique os contrários [...] O projeto de uma avaliação complexa aceita as oposições e a negociação. [...] Avaliar é regular, e regular é articular [...] É assumir os problemas problematizando-os, é transformar as contradições em paradoxos férteis ou em sínteses interrogativas.

Há várias interpretações para o conceito de avaliação. O Quadro 15 apresenta alguns dos conceitos ou expressões relacionados a avaliação.

Quadro 15 – Conceitos ou expressões presentes nas definições de avaliação Autoria Conceitos ou Expressões em Avaliação

Hamblin (1978, p. 21) Dar valor; valoração; determinar o valor

Lima (2005, p. 59) Grau de importância; julgamento de valor

Vianna (2000) Medida; julgamento de valor; coleta de informações; congruência da intencionalidade

Luckesi (2005, p. 33) Julgamento de valor; tomada de decisão; critérios; diagnóstico

Hadji (2001, p. 129) Medir o real e o desejado

Popham (1977, p. 11-

12) Julgamento de valor; tomada de decisão

Rabelo, E. H. (1998, p.

69) Julgamento de valor; tomada de decisão

Bonniol e Vial (2001,

p. 356-357) Articulação; problematização; questionamento

Hoffmann (1991) Reflexão sobre a ação

Bloom, Hastings e

Madaus (1983, p. 9) Processo sistemático; coleta de informações; julgamento de valor

Cohen e Franco (1993) Comparação de um resultado a um padrão, critério Fonte: Marinelli (2007, p. 47).

Analisando-se o Quadro 15, percebe-se que os conceitos ou expressões relacionados ao juízo de valor para subsidiar decisões apresentam-se como elementos comuns no processo de avaliação.

O juízo de valor estaria associado a um padrão esperado de resposta e a critérios(41) situados de forma consciente ou inconsciente pelo avaliador.

Importante aspecto na avaliação está relacionado com a escolha ou determinação de critérios de julgamento. Dentre esses critérios, destacam-se a competência, a qualidade, a produtividade, a eficiência, a eficácia, a relação custo/benefício e o retorno sobre o investimento. Há critérios de natureza quantitativa e de natureza qualitativa.

O ato de comparar dados de desempenho com um critério (determinado por preferências pessoais) é fundamental na aplicação de avaliação, haja vista que não se obtém avaliação educacional apenas pela enumeração de resultados de dada situação educacional (POPHAM, 1977).

(41) Critério “é uma regra para decidir o que é verdadeiro ou falso; o que se deve fazer ou não” (ABBAGNANO,

2003, p. 223). “É um princípio que se toma como referência para julgar alguma coisa” (LIMA, 2005, p. 65). Esse autor distingue a importância de se trabalhar com critérios que se traduzem em indicadores mistos (quantitativos e qualitativos).

Há critérios gerais que evidenciam os fundamentos essenciais para avaliar: (1) relevância – diz respeito à importância, à pertinência das variáveis, indicadores e/ou dimensões avaliadas; (2) utilidade – a avaliação deve ser útil para os atores do processo; (3) viabilidade – está relacionada com a possibilidade de aplicação da avaliação; (4) exatidão – evidencia a condução correta e o uso de instrumentos confiáveis, alinhados com a informação que se pretende obter, garantindo um processo claro de comunicação entre os envolvidos; e (5) ética – relaciona-se ao fato de não ferir valores, justificado com a necessária transparência e com o devido respeito aos atores do processo avaliativo (SANDER, 1995; LIMA, 2005).

O Quadro 16 apresenta uma classificação quanto às formas de avaliação educacional.

Quadro 16 – Principais tipos de avaliação educacional

Forma Tipo

Regularidade Contínua Pontual

Avaliador Interna Externa

Explicidade Implícita Explícita

Comparação Normativa Criterial

Modalidade Diagnóstica Formativa Somativa

Fonte: Adaptado de Rabelo, E. H. (1998).

Quanto à regularidade, a avaliação classifica-se em contínua ou pontual. A avaliação contínua ocorre durante o processo, incidindo de forma regular, não se esperando chegar ao final do processo para ser aplicada. Já a avaliação pontual ocorre ao final do processo, ou em algum outro momento pontual.

Do ponto de vista cronológico, o processo de avaliação seria composto de cinco etapas: antes, início, durante, final e após o processo avaliativo (LIMA, 2005).

Quanto ao avaliador, a avaliação pode ser interna ou externa. A avaliação é interna quando aplicada por avaliador da própria instituição, sendo externa quando aplicada por avaliador não integrante de seus quadros. Ambas podem ser contínuas ou pontuais.

Quanto à explicidade, a avaliação classifica-se em implícita ou explícita. A avaliação é explícita quando a sua aplicação está clara e bem definida para os atores envolvidos no processo de avaliação. E é implícita quando, pelo contrário, os sujeitos se submetem a avaliação sem perceber que são avaliados.

Quanto à comparação, pode ser normativa ou criterial. A avaliação normativa compara resultados com os de instituições similares. Já a criterial compara resultados em relação a um dado objetivo predeterminado.