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BESKRIVELSE AV ALTERNATIVE TYPER UNDERSØKELSER

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Os estudos sobre a centralidade do trabalho contemplam aspetos e variáveis relacionados com o trabalho, para além de aspetos culturais, contextuais e sociais.

Manheim e Dubin (1986)63 propõem um quadro teórico que associa a centralidade do trabalho às variáveis sociodemográficas (sexo, idade, classe de origem e nível de educação, valores do trabalho e força das necessidades financeiras), às condições estruturais objetivas do trabalho (situação profissional, estatuto do trabalho que desempenha, setor público ou privado, importância social do trabalho) e aos fatores situacionais ocupacionais (relacionados com o trabalho desenvolvido, o trabalho em si, grau de complexidade das tarefas, âmbito do trabalho e principalmente a autonomia no desempenho do trabalho e as recompensas intrínsecas do trabalho). Defendem, assim, que a centralidade atribuída ao papel do trabalho na vida deriva de quatro aspetos: (a) características sociodemográficas que são transpostas para a situação de trabalho; (b) características imediatas do trabalho; (c) condições situacionais do processo de trabalho, e (d) recompensas em termos de remuneração e de satisfação com o trabalho. Neste sentido, sugerem que devemos ter em conta um modelo aditivo de características sociodemográficas, situacionais e do trabalho, que combinam “personal atribute plus job characteristics plus structure variables” (Mannheim e Dubin, 1986:119). Segundo os autores, as variáveis mais associadas à centralidade do trabalho são, no entanto, a situação ocupacional, o sexo, o grau habilitacional e as recompensas específicas advindas do trabalho (valores do trabalho) (idem).

Segundo MOW (1987), a institucionalização do trabalho e a sua relação com os outros papéis que os indivíduos desempenham na vida influencia o significado

63 O estudo desenvolvido por Mannheim e Dubin (1986) realizado em Israel a 818 trabalhadores

de empresas industriais israelitas que empregavam mais de 100 funcionários, com uma amostra estratificada por tamanho, sector de propriedade (pública e privadas) e pelo sector de atividade económica, com vista ao estudo dos “direct effects of work and job environment characteristics upon the various job involvment measures” (Mannheim e Dubin, 1986:109).

contemporâneo estes atribuem ao trabalho. Assim, estudar a centralidade do trabalho implica estudar a redefinição do trabalho no ciclo de vida dos indivíduos e o significado individual que estes atribuem ao trabalho, o que faz com que o “tempo de trabalho” constitua uma dimensão central na análise da centralidade do trabalho na sua vida. Nos países industrializados, os indivíduos ocupam em média aproximadamente um terço das atividades totais do dia-a-dia com o tempo de trabalho. A este tempo acresce o tempo que passam a planificar o trabalho, em formação para um melhor desempenho profissional, na preparação diária para o trabalho, na deslocação para e do trabalho e o tempo que passam preocupados com o trabalho. Neste sentido, o tempo é um indicador comportamental e “algumas pistas do significado individual do trabalho podem derivar da simples observação do tempo absoluto que os indivíduos passam no trabalho” (MOW, 1987: 5). Para além do “tempo de trabalho, a situação familiar e as características sociodemográficas” (MOW, 1987:27) constituem duas variáveis centrais no estudo da centralidade do trabalho. A situação familiar é associada às responsabilidades financeiras “por outros”, pois quando os indivíduos se encontram perante “responsabilidades pesadas” o trabalho pode assumir o papel de esfera principal da vida, contudo correlacionada negativamente com a centralidade do trabalho, o que chama a atenção para a diferença entre trabalhar por opção e trabalhar por constrangimentos financeiros64. De igual forma, estas responsabilidades podem aumentar a identificação com o trabalho e correlacionar-se positivamente com a centralidade do trabalho e as normas sociais sobre a obrigação de trabalhar, se os indivíduos atribuírem importância às recompensas do trabalho que concretizam, principalmente ao nível da remuneração. No que se refere às características sociodemográficas, apontam como variáveis que podem estar associadas à centralidade do trabalho: (a) a idade e a coorte geracional (que têm em conta o contexto histórico, social, económico e político, como as guerras e as crises, assim como as mudanças de atitude com o tempo); (b) o sexo (que atende aos valores culturais gerais de uma sociedade, aos valores da família e à perceção social dos papéis femininos e masculinos); (c) o grau habilitacional (que diz respeito à relação entre educação, valores e crenças, na medida em que a escolarização faculta condições para os indivíduos examinarem as suas crenças e valores de forma mais minuciosa e sistemática, revelando

64 Segundo Freire (2000), a análise da centralidade deve ser isenta dos constrangimentos

financeiros, pois uma coisa é eleger o trabalho como esfera principal, outra é fazer do trabalho a esfera principal, por motivos alheios à própria vontade.

traços comuns das características da centralidade do trabalho, como o envolvimento, o compromisso e a escolha, consistentes com as mudanças de comportamentos e atitudes dos indivíduos resultantes dos processos educativos).

Outra forma de compreender a importância do trabalho na vida consiste em conhecer a perceção dos que se encontram privados de trabalhar (experiências de ausência de trabalho) e que alteram os seus comportamentos como resultado do desaparecimento de uma atividade central para a estruturação do tempo social. Como referido anteriormente, a perceção da proximidade de períodos de precariedade e desemprego pode fazer com que os indivíduos atribuam ao trabalho um lugar preponderante na vida (Maurin, 2009). Segundo Frisch-Gauthier (1962), a falta de emprego pode levá-los a adotar comportamentos diferentes dos que praticavam na vida quotidiana devido ao desaparecimento de uma atividade importante para a sua estruturação social. Neste sentido, o desemprego é um aspeto negativo, não só pelas repercussões sobre as atitudes dos desempregados, mas também pela ameaça que representa para os que se encontram empregados. Já no estudo desenvolvido por Lazarsfeld, Jahoda e Zeisel (1982) nos deparamos com a forma como a ausência de trabalho remunerado pode afetar a vida dos indivíduos, nomeadamente as relações familiares e os interesses políticos e organizacionais, o que demonstra que o desemprego pode ter várias consequências para a importância que se atribui ao trabalho na vida (MOW, 1987; Maurin, 2009). Segundo esta perspetiva, a atribuição de maior importância ao trabalho é devida às consequências da sua falta, mais do que ao gosto da sua presença.

Numa abordagem mais geral, Harpaz e Fu (2002) referem que à centralidade do trabalho resulta da articulação entre cinco dimensões, que cruzam aspetos de ordem objetiva (concretizações) com aspetos valorativos: (i) a centralidade absoluta e relativa do trabalho na vida, (ii) o direito social ao trabalho, (iii) a norma da obrigação social de trabalhar, (iv) a orientação instrumental económica do trabalho e (v) a orientação expressiva, que se refere à satisfação com o trabalho, a adequação das funções desempenhadas às habilitações, qualificações e competências detidas, o interesse do trabalho e a autonomia no desempenho de funções. Tählin (1989) refere que a satisfação e a adequação das funções profissionais desempenhadas às expectativas dos indivíduos constituem dimensões da centralidade do trabalho.

Segundo Snir e Harpaz (2006), três conjuntos de variáveis podem influenciar a centralidade do trabalho: (a) variáveis atitudinais (influenciadas pela cultura); (b) variáveis sociodemográficas (sexo e estado civil); (c) variáveis situacionais (setor de emprego público ou privado, prevalência da segurança no emprego, políticas e normas que regulam as horas de trabalho e a segurança no trabalho).

No contexto nacional, Ramos (2000:49) defende que “a idade, a escolaridade e o rendimento constituem variáveis com efeitos na centralidade do trabalho” e Vala (2000) considera que as dimensões dos estudos sobre a centralidade do trabalho dizem respeito, por um lado, à importância que trabalhar assume num dado momento na vida dos indivíduos e, por outro, aos motivos e recompensas que levam os indivíduos a trabalhar, chamando a atenção para a necessidade de se ter em conta o grau de centralidade do trabalho livre de constrangimentos materiais e financeiros. Segundo Vala (2000), para desenvolvermos análises sobre a centralidade do trabalho torna-se necessário, por vezes, isolar a categoria da “necessidade financeira”, levando os indivíduos a pensarem de forma livre desse tipo de constrangimento. No estudo desenvolvido pelo MOW (1987), apercebemo-nos da presença desta questão, através da pergunta “se não precisasse de trabalhar para ganhar dinheiro, qual a importância que o trabalho assumiria na sua vida ?”, o que aponta para a importância de os sujeitos separarem a avaliação que fazem em termos de concretizações da avaliação que fazem em termos de aspirações nos estudos sobre a centralidade do trabalho.

Quadro n.º 7 – Aspetos e variáveis relacionados com a centralidade do trabalho Variáveis atitudinais Variáveis situacionais Variáveis sociodemográficas

(contexto) (aspetos relacionados com o trabalho) (aspetos relacionados com o sujeito / atributos pessoais)

Características individuais desenvolvidas através dos processos de socialização (Mannheim e Dubin, 1986)

Fatores situacionais (o trabalho em si) / tamanho da empresa / tipo de empresa (Dubin, Hedley e Taveggia, 1976)

Sexo e idade (Dubin, Hedley e Taveggia, 1976)

Crenças em relação ao trabalho (Pryor e Davies, 1989)

Formação no trabalho / Grau de satisfação com o trabalho /Recompensas específicas do trabalho (Autonomia no desempenho de funções, Interesse do trabalho, necessidades financeiras) / Caraterísticas ocupacionais dos indivíduos / Situação perante o trabalho (Mannheim e Dubin, 1986)

Sexo / habilitações literárias / classe de origem (Mannheim e Dubin, 1986)

Condicionamento cultural (Schwartz, 1999)

Tempo de trabalho (MOW, 1987) Situação familiar (estado civil e composição do agregado familiar) e características sociodemográficas (MOW, 1987)

Especificidades culturais nacionais (Freire, 2000)

Setor de emprego público ou privado / Segurança no emprego (Snir e Harpaz, 2006)

Sexo e estado civil (Snir e Harpaz, 2006)

Cultura nacional /políticas e normas que regulam as horas de trabalho e a segurança no trabalho (Snir e Harpaz, 2006)

Experiências de desemprego (MOW, 1987; Lazarsfeld, Jahoda e Seizel, 1982)

Idade / escolaridade / rendimento (Ramos, 2000:49)

Contexto cultural (Corrigall e Konrad, 2006)

Medo de desclassificação social (Maurin, 2009)

Grau habilitacional (Saint-Maurice, 2009)

Perspectiva cultural / valores culturais: modelos culturais de família e trabalho (Calvo-Salguero, Carrasco-González e Lecea, 2010)

Responsabilidades familiares (Corrigall e Konrad, 2006)

Crenças sobre a função do trabalho na vida (Rosso, Dekas e Wrzesniewski, 2010)

Assim, deparamo-nos com três conjuntos principais de variáveis que permitem estudar a centralidade do trabalho: (a) variáveis atitudinais: contexto cultural das normas sociais sobre o trabalho; (b) variáveis situacionais: situação perante o emprego, setor de atividade; (c) variáveis sociodemográficas (sexo, idade, situação familiar, grau habilitacional).

CAPÍTULO IV- QUESTÕES DE GÉNERO NOS ESTUDOS SOBRE A

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